Sim, Old Dragon serve para iniciantes

Boa tarde, senhores! Como sabem, sou um dos três caras da Redbox Editora (e o diretor de arte), e também participei ativamente da criação do Old Dragon (antes como parte da ideia criativa, depois como diretor de arte, designer e ilustrador). 
Portanto, estou aproveitando este singelo momento de não-correria para escrever sobre uma polêmica atual a respeito do sistema. Como minhas opiniões são pessoais, optei por falar sobre isso aqui e não no Redblog, o blog oficial da editora.
Saíram algumas resenhas ultimamente sobre o Old Dragon, uma bem desnecessária (não por falar mal do jogo, mas por não ter base alguma e discorrer de vários erros) e uma mais respeitosa. Não foram as primeiras, e espero que não sejam as últimas, especialmente se forem sinceras e críticas. 
Costumo, todavia, ver um ponto em comum dessas resenhas: como os autores costumam pegar o módulo básico e dar uma lida, afirmam que o jogo não serve e nem se esforça para atrair iniciantes, e que não cumpre com uma suposta obrigação básica de educar os novatos no errepegê. Pois bem, aí vão meus dois cents.

Quando projetamos o Old Dragon, pensamos nele como um jogo que abarcasse os dissidentes da 4E que queriam voltar ao básico, ao estilo de jogo antigo, aproveitando a onda dos retroclones mas imprimindo nossa própria ideia do que era uma experiência old school brasileira.

Sabíamos – e sempre dissemos – que era um “jogo de nicho dentro do nicho”, e dentro dessa intenção, não miramos mesmo em iniciantes e afins. Assim, sempre indicamos para iniciantes jogos legais que buscavam também esse público, como Mighty Blade e 3D&T, e sempre fomos muito certos a respeito de quem mirar.

O negócio é que no Old Dragon há uma simplicidade e uma clareza que acabou, realmente, atraindo iniciantes. Mesmo não nos esforçando para buscar novos jogadores, eles apareceram – uma grata surpresa. Podemos dizer sem errar, que temos uma boa parcela de público que começou a jogar com o Old Dragon, ou cujo sistema figura entre os seus primeiros. Mas como pode, se não explicamos o que é RPG, não temos o clássico exemplo de jogo, nem nada?
Simples, amigos. RPG não é mais um ilustre desconhecido. Hoje em dia, com internet, filmes e etc, a maioria sabe do que se trata, pra que servem os dadinhos de várias faces e já diferencia o tabletop RPG do videogame. Claro que ainda há desentendidos, mas é muito mais raro alguém perguntar o que é RPG do que só dizer “ah, é aquele jogo estranho onde o povo rola dados”. 
Muitos hoje jogam RPG sem nem saber, interpretando seus personagens de seriados favoritos no Orkut e em fóruns, e acabam se interessando muito quando vão em um evento como o HQPB.
Isso nós podemos dizer porque temos uma base muito sólida: a experiência vivida em eventos e os e-mails emocionantes que recebemos. Nos encontros, é normal virem perguntar como é que joga RPG, se alguém ganha, se precisa pagar… No HQPB eu posso dizer que “criei” dois jogadores, na média de 11 anos, que vieram me perguntar como funcionava. 
Joguei eles para um narrador paciente, um jogando e o outro com vergonha, só olhando; no outro dia, os dois vieram me perguntar sobre mesas abertas, e um até comprou o módulo básico do OD e foi pra casa com um folheto! 
Quanto aos e-mails, é muito comum recebermos mensagens com jovens e velhos dizendo que estão começando a mestrar agora, compraram ou baixaram o OD (Fastplay) e agora possuem dúvidas, que costumamos sanar imediatamente, ou nos pedem links de sites para entrar de cabeça no mundo do RPG.
O pulo do gato, que os autores de resenhas costumam ignorar ou nem saber (já que só lêem o livro e escrevem a resenha, nada de mal), é que a experiência de jogar Old Dragon é muito maior que ler o módulo básico. O jogador é logo convidado a fazer parte da comunidade, ingressando na lista e no fórum, ou nos mandar suas dúvidas e compartilhar suas experiências, e geralmente é muito bem recebido por nós e pelo pessoal da comunidade, seja no Orkut, no e-mail ou em outros meios. 
Mesmo aqueles que só acessam a internet pelo celular ou na lan-house (nesse brazilzão acontece muito) não deixam de nos escrever e ter suas perguntas respondidas. É muito fácil estar em contato com os autores, obter ajuda e conseguir material de graça, e ainda poder torcer as regras ou publicar seu próprio material, como se fosse parte da equipe. E, de fato, todo mundo é.
Além disso, tenho que salientar, os narradores experientes que adotam o Old Dragon (como o Diosthenes, do ArenaRPG) adoram narrar para iniciantes, são pacientes e possuem a manha de divertir os jogadores. Com o advento do OD Day, onde estamos incentivando as pessoas a rolarem dados sem se preocupar muito em organizar grandes eventos, é bem provável que apareçam mais e mais narradores dispostos a fazer o hobby crescer, e formar novos jogadores.
Então, espero ter esclarecido o porquê de, apesar de originalmente não termos mirado em iniciantes, o Old Dragon tem atraído gente nova. Um paradoxo muito positivo, que exime a Redbox de uma culpa inexistente.

2 comentários em “Sim, Old Dragon serve para iniciantes

  1. A simplicidade do OD faz com que ele seja um dos rpg's mais indicados para os iniciantes.
    Jogos como D&D 3° e 4° edição são livros com regras demais, o que torna a vida de um iniciante muito dificil.

    Um grande auxilio para o iniciante com o OD é a série de videos(exclusivos sobre o OD) que o Tio Nitro postou.

    Acredito que muito dessas críticas negativas é baseada no preconceito(compram o livro, leem e não testam ele com iniciante) e na falta de regras detalhadas para cada situação em jogo.

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