Discworld: Ankh-Morpork, o boardgame

Nesse fim de semana de Réveillon, jogamos um excelente boardgame que meu amigo Diego comprou na Europa e esperou meses para chegar, mas valeu a pena: a edição Deluxe Megaboga de Discworld: Ankh Morpork
Discworld é uma das melhores sátiras literárias de fantasia da história, escrita pelo velhinho, cavaleiro, mestre Terry Pratchett (só pra você ter uma ideia, ano passado o cara FORJOU UMA ESPADA COM METAL DE UM ASTERÓIDE). 
É um mundo fantástico de extrema gozação e humor inglês do melhor estirpe, com personagens interessantíssimos e tramas completamente sem noção. É um humor inteligente, porém fácil de entender. Saca Monty Python? Então, é Monty Python literário. Imperdível.
Discworld: Ankh Morpork se situa na enorme e porcalhona cidade-estado do Disco (como é chamado o mundo, uma gigantesca pizza equilibrada por quatro elefantes colossais nas costas de uma tartaruga cósmica voando pelo espaço, chamada Grande A’Tuin). Um lugar inacreditavelmente caótico, cheio de burocratas, clérigos, vendedores, magos, ladrões, vigaristas, assassinos e advogados, os piores de todos os facínoras. 
A cidade, com elementos da Europa dos séculos 18 e 19 e ainda da Nova Iorque contemporânea (imagine a baderna disto), é cortada pelo rio Ankh, um rio tão sujo que dá para andar por cima da água. Os mafiosos não jogam ninguém no rio com uma pedra amarrada no pé, porque nunca afundaria. 
Ela fica entre este rio e o Mar Círculo, sendo um enorme centro comercial. De dragões atacando até as maluquices na Universidade Invisível, escola de magia local (cujo bibliotecário se tornou um macaco porque os livros de magias são repositórios selvagens de octarina, a matéria mágica do cenário), tudo acontece aqui.

Nesse cenário maluco, Lorde Vetinari ou O Patrício, o homem que governa a cidade, desapareceu. Assim, diversas facções tentam tomar o controle de Ankh-Morpork. Cada jogador encarna uma personalidade com condições de vitória específicas, e deve ao mesmo tempo que mantém seu personagem em segredo, tentar adivinhar as personalidades e motivações dos outros jogadores para impedi-los de vencer (o mais engraçado é que o próprio Vetinari é uma das personalidades, agindo na surdina!).
É um boardgame muito bacana de disputa por poder. A ação acontece em um tabuleiro representando o mapa da cidade, dividida por distritos. Nele, os jogadores tentam colocar seus minions (chamamos a isto worker-placement, onde você põe trabalhadores em um tabuleiro) e construir edifícios utilizando cartas. 
Algumas cartas puxam eventos, outras possuem coisas para destruir os edifícios e minions alheios, enquanto outras impedem essas ações. Cada uma das 132 cartas é única, e um monte delas tem muitos, mas muitos dos personagens famosos da série – ao menos os que passam a maior parte dos livros dentro da cidade; ou seja, nada de Duasflor ou Cohen, O Bárbaro. Mas nada paga pegar a carta de Rincewind ou do Bibliotecário! 
Ele contém, além do tabuleiro colorido (na edição Deluxe que joguei, mede 64,5 x 56 cm), 132 cartas (101 de jogo, 12 de eventos, 12 de City Area, 7 de personalidades), 91 peças pintadas de resina (sendo 48 minions, 24 edifícios, 4 marcadores de demônios, 3 de troll e 12 de problemas), várias moedas de ouro e prata (feitas de madeira), 4 plaquetas de ajuda para personagens, 1 d12, o manual e um pôster fodão com todos os personagens e a arte da caixa (que eu sinto que o dono NUNCA vai pendurar na parede).
As regras do jogo são ridiculamente simples. Cada jogador tem uma mão, e na sua vez joga uma carta e faz o que ela diz. As cartas têm símbolos muito simples, e cada jogador tem uma plaqueta que explica tudo que elas fazem, as motivações de cada personalidade na cidade e outras coisas. 
Algumas cartas permitem jogar outra carta (e assim temos jogadores apelões fazendo ações gigantescas), descartar cartas, pedir ou dar cartas a outros jogadores, etc. No fim do seu turno, você repõe sua mão com cartas da pilha de puxar, ficando sempre com cinco. 
Cada bairro possui um valor de construção, e assim que tiver um minion seu em um bairro você pode construir, e assim usar a “habilidade” daquele bairro (explicada em cartas e na plaqueta de cada jogador). Se mais de um jogador tem minions em determinada região, ninguém pode construir e é colocado um marcador chamado “trouble marker”, para indicar que está rolando confusão naquela parte da cidade (e também porque cada área com um trouble marker impede a construção). Algumas cartas retiram trouble markers, outras inserem, outras tiram minions, e assim vai.
Temos ainda moedas de ouro e de prata, tanto para pagar pelas construções e servir de pontos (já explico), quanto para pagar impostos para outros jogadores (que os cobram através de cartas). Algumas cartas te dão empréstimos do banco, a serem pagos no fim do jogo. 
Alguns eventos são bem legais, como o do dragão, que escolhe aleatoriamente no d12 que área da cidade é varrida do mapa, e o incêndio, que escolhe com o d12 para onde o fogo vai se espalhar. 
Falando no dado, aliás, esse d12 simplesmente não tem o número 8 – em Discworld, este é um número arcano e extremamente perigoso, então no lugar de mencioná-lo, as pessoas usam 7+1, 9-1, 4+4… E assim vai. Mais uma das peculiaridades escrotas de Pratchett! 
O jogo tem ainda marcadores de trolls e demônios, que não usamos dessa vez, mas imagino que sejam postos no tabuleiro através de eventos, e causem muitos problemas (como quase tudo no Disco).
O jogo acaba quando certas condições são cumpridas, de acordo com as personalidades e suas condições. Alguns personagens ganham se todas as cartas da pilha acabarem, outros acabam automaticamente o jogo quando seu turno começa e há mais de 7+1 marcadores no tabuleiro… Aí, a não ser que a regra da personalidade explicitamente diga que alguém ganhou, é hora de contar os pontos, comparando construções, dinheiro e tudo mais.
O redesenho da cidade e seus ilustres habitantes foi feito por uma equipe coordenada por Bernard Pearson (amigo de Terry Pratchett e escultor de figuras dos personagens e edifícios dos livros). O jogo em si foi criado por Martin Wallace para a Treefrog Games, licenciado pela Mayfair Games nos EUA e Kosmos na Alemanha. Segundo a Boardgamegeek.com, é um jogo diferente do comum de Martin, acostumado a desenhar jogos históricos de guerra.
Discworld: Ankh-Morpork é totalmente excelente dentro do que eu espero de boargames. Fácil de aprender (todos jogamos pela primeira vez e foi super rápido), ligeiro de jogar (terminamos cada uma das duas partidas em no máximo 1h30) e muito bem-humorado, proporcionando diversão sem brigas além do amigável. 
Sei que a versão que joguei é a frescurenta de luxo, mas andei vendo imagens na internet e vi que mesmo a versão normal é muito bonita. Além disso, a história é legal e coerente com o cenário dos livros, coisa que também considero importante. Se quiserem comprar, aqui o link da Amazon, que está por 39 obamas, e aqui o da versão de luxo, por 100 bonovoxes. Ooook!

8 comentários em “Discworld: Ankh-Morpork, o boardgame

  1. Poutz, eu queria dinheiro para poder comprar todos esses boardgames legais! Também gostaria muito que toda a série de livros fossem publicados aqui no Brasil.

    Alguém por favor tragam boardgames como esse para o evento de RPG de fevereiro daqui de Campina Grande!!

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