Once Upon a Time

Sou maluco por boas séries de TV, e de vez em quando falo sobre uma ou outra aqui. Desta vez vou abordar uma daquelas que eu sempre começo meio com preconceito mas acabo me rendendo à sua qualidade, geralmente por indicação de amigos (foi assim com Dexter e Battlestar Galatica). 
Estou falando de Once Upon a Time, produção do canal ABC que estreou no fim do ano passado. Além de ser uma série muito legal, ainda tem ótimas sacadas. 
A série deveria ser uma adaptação de Fables, um dos meus títulos favoritos da Vertigo, mas acabou se tornando algo diferente, embora com muitos pontos em comum (o próprio Bill Willingham teve várias conversas positivas com os criadores do show). 
A trama fala sobre personagens de contos de fada que foram aprisionados em uma cidadezinha americana chamada Storybrooke, no Maine, sem nenhuma memória do seu mundo original mágico. Isto ocorreu graças a uma maldição perpetrada pela terrível Rainha Má da Branca de Neve (de fato, a fábula mais importante da história).

Eis que entra na história Emma Swan, uma mulher meio incrédula do mundo que vive de caçar fugitivos. Certa noite, ao voltar para casa, dá de cara com um menino decidido. Henry diz que é seu filho dado anos antes para a adoção, e que fugiu de casa porque sua mãe adotiva é, na verdade, a Rainha Má que aprisionou todos os contos de fada na cidade de Storybrooke.

Além disso, diz que Emma é a filha da Branca de Neve que escapou da maldição, e apenas ela pode quebrar o encantamento se voltar com ele para a cidade. Ela leva o menino de volta, mas não para ajudar o menino com essa maluquice (ao menos de início), mas para levá-lo de volta pra casa. Por N motivos, acaba ficando mais tempo do que gostaria na cidade, onde passa a conviver entre descobertas e sua própria incredulidade na história maluca de Henry…

A série tem o elenco formado por Jennifer Morrison (Cameron de House), Ginnifer Goodwin (Johnny & June), Lana Parilla (24 Horas), Josh Dallas (o Fandral de Thor), Jared Gilmore (Mad Men) e Robert Carlyle (dispensa apresentações). 
No começo Jennifer parece meio insossa, porque a personagem também começa assim, mas ela vai ganhando força como uma justiceira teimosa de passado sombrio. Ginnifer usa uma peruca meio esquisitinha mas é uma bela Branca de Neve. Lana Parilla é uma badgirl gatíssima e muito má, e Carlyle entrega uma interpretação foda como sempre. 
OUaT parece uma série bobinha e infantil por usar contos de fada, mas não se engane – tem muita coisa bacana, e é muito mais adulta e sombria do que parece. No desenrolar dos eventos, somos apresentados a uma expansão muito interessante nas histórias clássicas, que cria todo um universo ao redor delas, bastante verossímil e reconhecível. 
O mundo dos contos de fadas ainda tem magia e esperança, mas tem coisas que não o deixam devendo a nenhum cenário bacana de fantasia medieval, com personagens clássicos ganhando motivações e personalidades excelentes, sem desrespeitar as origens das lendas.
A série alterna entre cenas de “antigamente”, com os eventos no mundo fantástico, e cenas atuais na cidadezinha, onde vemos como ficou a versão “normal” de cada personagem.
Só para citar alguns exemplos, temos:
  •  uma Rainha Má com motivos concretos para odiar e querer a morte da Branca de Neve (aparentemente, a garota fez algo com um ente querido da rainha), e como ela foi virando a bruxa diabólica de vestido preto; 
  • Rumpelstiltskin é um antagonista mágico que ferra com a vida de todo mundo que inventa de aceitar um trato com ele para conseguir algo com magia, como ressuscitar um parente ou mudar de vida, mas mesmo ele tem sua história (não vou dar o spoiler); 
  • O próprio modo como a Branca e o Príncipe Encantado se conhecem é muito legal, digno de uma aventura de capa-espada de Alexandre Dumas.
Combates com dragões, senhores do mal, gigantes e muito mais coolness se relacionam com muita intriga e personagens escrotos na versão sem-magia. O mais legal é que cada personagem de contos de fadas tem uma virtude – a Branca é boazinha sem parecer idiota, a Emma consegue pegar mentiras no ato (Dr. Lightman?), e assim por diante.
Enfim, a série rende muitas ideias bacanas para o RPG, tanto na parte aventuresca da coisa quanto soluções super interessantes para histórias com menos magia e personagens mais profundos. E é legal de assistir, pelo menos se você abrir a cabeça e ver os primeiro quatro episódios (o número que considero necessário para a série te convencer ou não) predisposto a desgostar da parada.

2 comentários em “Once Upon a Time

  1. Sei não….só assistindo pra dizer alguma coisa, mas parece ser no minimo diferente.

    Agora para quem tava assistindo Sons of Anarchy, você deu uma guinada hein…huahuahuahua.

    Curtir

  2. Eu adorei a resenha, meu amor. Sou suspeita porque adoro Once, foi uma bela surpresa, com certeza. Agora tem que falar de Hell on Whells e Justified também, meu amor. =D

    Curtir

Dê um pitaco, não custa nada

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s