Rolepunkers #02 – resenha

Há alguns dias saiu a Rolepunkers #02, a revista da indie Retropunk Game Design. A publicação é uma ponte entre os consumidores e os produtos da editora, embora nesta edição tenha aberto o leque para informar e trazer material para produtos de fora. 
Falarei sobre os vários aspectos da revista, mas tentarei ser breve para não ficar cansativo – afinal, você pode baixá-la gratuitamente e verificar por conta própria!
De cara já salientamos a qualidade gráfica da revista, com uma capa atraente e cuidado no interior, se destacando entre as publicações eletrônicas (embora não se possa esperar nada menos vindo da editora, né?). 
Pessoalmente acredito que algumas imagens de fundo podiam ser mais limpas, até para deixar o design mais leve e o arquivo menor, mas esse tipo de coisa se corrige com o tempo – além de ser, na maior parte das vezes, questão de gosto.

Depois de um índice amigável, somos levados à matéria de abertura, o Guia do Mestre de RPG. Boas e sempre benvindas dicas para narradores iniciantes (ou não; eu costumo dizer que você sempre pode aprender e melhorar), desde elementos de preparação de jogo até como lidar com o improviso e aquelas atitudes dos jogadores que nos deixam de cabelo em pé. A clareza do texto e as ilustrações divertidas o tornam um ótimo artigo de apresentação.

Em seguida vem a matéria de capa, apresentando o Espírito do Século, o jogo de aventuras pulp da Retropunk. O texto detalha a premissa do produto, onde os jogadores interpretarão pessoas prodígio sob tutela de uma organização benfeitora secreta, lutando com os terríveis vilões do início do século XX, e em seguida fala sobre o Fate, sistema bastante elogiado que agora ganha um jogo publicado oficialmente no Brasil.

A matéria é permeada com as ilustras da Germana Viana para a edição brasileira – estão bem legais, mas eu gostaria de ver aquele gorila em cores! A própria Germana é entrevistada na matéria seguinte. É gente boníssima – a conheci no RPGCON 2011 junto do maridão Rogério Saladino -, e uma ilustradora de traços delicados e mão cheia.

Pra quem quer seguir a carreira, ela dá ótimas dicas, de referências a rotina e o que esperar do mercado (eu sinto sua dor, Germana =P). As perguntas são bastante pertinentes e cumprem o dever de casa de fazer o leitor conhecer curiosidades legais sobre o entrevistado.

Passada a fase das notícias, começa o conteúdo propriamente dito. Uma Mão Cadavérica Sob o Véu Branco é uma aventura para Old Dragon escrita por Jefferson Kalderash (do Paragons) e seu comparsa Moisés Saraiva. A história está configurada para o 4º nível, uma trama de investigação onde os personagens dos jogadores encontram uma cidade vazia e estranha, e são levados a uma grande jornada para resolver o mistério. 
É uma ótima aventura, com um bom e intrigante plot, mas ao meu ver tem algumas pequenas questões de apresentação. Além da imagem de fundo incomodar a leitura em alguns pontos, seu início pode ser confuso para narradores iniciantes, por não dar muitas ideias de como encaixar o módulo em vários jogos. Os erros de português também incomodam bastante, e não é de hoje que eu puxo a orelha do velho amigo Kalderash =P. Porém, nada disso tira o mérito da aventura.
A próxima matéria é um grande relato de design de jogo do John Bógea, o criador de Terra Devastada, sobre o seu próximo jogo a ser lançado com o selo Retropunk, Abismo Infinito. Ele não só fala sobre este jogo narrativo, que é sobre exploração espacial com um toque absurdo de terror e desespero, mas também fala sobre suas referências, suas decisões, sua rotina de trabalho e todos os teóricos em que sua extensa pesquisa se baseou. 
O trabalho no produto está bem primoroso, e acredito que quem está aguardando não perde por esperar (até porque ele prometeu o livro pro primeiro semestre!). O artigo é decorado com a identidade visual do Abismo Infinito, com a marca registrada do autor/ilustrador/diagramador, imagens lúgubres e aterrorizantes. Pessoalmente, estou curtindo o trabalho do Abismo Infinito, esteticamente e pela temática, da qual sou fã. 
Em seguida temos o Missão Fiasco, que é, para mim, a cereja do bolo. Um novo cenário para Fiasco, sobre filmes de espionagens que tiram sarro do gênero. Escrito por Fábio Silva, o cenário é divertidíssimo não só de jogar (na verdade aí eu só imagino, porque não rolei ele ainda), mas também de ler (como tudo no Fiasco). As imagens trazem o tom característico de jogo, e o artigo ainda dá as inspirações cinematográficas.
Em Uma Mudança de Conduta, o artigo seguinte, Clayton Mamedes inicia falando sobre o processo de inovação perpetrado pelos chamados RPGs indies, jogos publicados de forma independente que geralmente trazem tal inovação do hobby que não costumamos ver com as editoras mainstream. 
A partir de então, faz uma resenha sobre um excelente produto do cientista louco John Wick (que nos trouxe jogos como The Shotgun Diaries e Blood And Honor), a série de aventuras para Call of Cthulhu chamada Curse of the Yellow Sign. São três livros com uma nova e interessante maneira de lidar com esse elemento comum da mitologia cthulhiana (tá correto isso?), e Mamedes avalia cada enredo e sua qualidade de forma que é possível se ter um gostinho do que o velho e bom Wick escreveu. 
A seguir temos Imortais, uma estrutura de campanha para Este Corpo Mortal, mais um produto recentemente trazido pela Retropunk. Não conheço muito o jogo, mas no site oficial diz ser um jogo onde os jogadores criam uma história de fantasia de terror sobrenatural, intriga entre cabalas, etc. Em Imortais, os jogadores interpretam divindades lidando com o mundo contemporâneo, incluindo questões de fé da cética humanidade de hoje e poderes enormes em jogo. 
O clima da coisa lembra o excelente livro Deuses Americanos, de Neil Gaiman, mas pode tomar um viés cômico e/ou épico, dependendo dos jogadores. O artigo traz dicas interessantes para a construção desse cenário, e põe bastante da coisa na mão de todos (como imagino que o Este Corpo Mortal faz).
Fechando a revista com chave de ouro está a adaptação supercompleta de Falling Skies para Terra Devastada, escrita por Imiril Pegrande e Dmitri Gadelha, o pessoal do Vila RPG (blog que eu sempre pago pau por aqui), que estreiam como colaboradores da Rolepunkers. 
Eles fizeram um trabalho muito bacana adaptando vários aspectos da série, discutindo sobre as regras normais e adicionais e dando um ótimo suporte para quem quiser rolar boas aventuras de invasão alienígena (conheça ou não a série de TV). Finalizando, acredito que no geral é uma revista bastante bem editada, com conteúdo interessante e útil, e agradável de ler. 
De defeitos eu citaria os mesmos que o RPG do Mestre citou na sua resenha, que é a falta de um índice de marcadores no Pdf (aqueles tópicos que ficam na coluna lateral do software), para rápida referência de conteúdo, e links dentro das matérias (o único que vi foi na propaganda do Violentina). Fora isso, o que já falei sobre os backgrounds (mas é pessoal) e alguns erros de escrita que são menos notáveis fora da aventura do Old Dragon, mas mereciam uma revisada. 
Enfim, tudo altamente consertável nas próximas edições! Sei que dá um trabalho danado editar uma revista, e é um processo demorado, mas espero que a próxima chegue logo. =)
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5 comentários em “Rolepunkers #02 – resenha

  1. Obrigado Dan pela Resenha e pelos erros apontados é sempre bom escutar o que outras pessoas têm a dizer, principalmente profissionais respeitados.

    Em relação aos links, todas as propagandas são linkdas para os respectivos sites das editoras. O restante, como o indice linkado com as materias e os marcadores de pdf já estão anotados aqui como sugestão e refoirçados depois de seu comentário a respeito.

    Em relação aos erros de Português, to pensando seriamente em contratar alguém para isso, já que não é meu forte revisar essa parte. Mais uma vez Obrigado e esperamos pro sua contribuição…

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  2. Opa seu Fernando! Qualquer coisa lembre que Elisa é revisora =P

    Sobre contribuir, sou tão desorganizado bicho, mas tenho uns pensamentos de material pra Rastro e 3:16 que quem sabe no futuro sirvam (se eles verem a luz do dia… hehe) =D

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  3. Obrigado, seu Veado pela trollada mas, essa foi para os revisores, já que ela passou pela mão de muita gente antes da publicação. Eu sempre escrevo com pressa e isso não tem jeito, então revisores, por favor me ajudem, já que estou sendo chamado a atenção publicamente. Quanto a ganchos de como inserir essa aventura, realmente essa história não foi escrita para mestres iniciantes, trata-se até de ter experiencia para dar tônica as cenas, tu narrou a aventura? E agora é esperar pela Rolepunkers N.º 03….

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  4. Opa Dan, beleza?

    Tava pensando em fazer esse comentário a meio século, mas toda vida eu dizia: Vou lá fazer, e me esquecia no minuto seguinte.

    Acho os elogios (e as críticas) completamente válidas. O formato da revista e a sua variedade de conteúdo traz várias informações sobre variados sistemas.

    Mas ajude esse pobre revisor, que merece toda as críticas aos erros do português do Kalderash, me apontando (em pvt é claro!) os erros que você encontrou.

    Dai não volto a cometê-lo (ou não, nunca se sabe, né?)

    Valeu!

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  5. Erros sempre passam, Moisa. Normal. Você vai aprimorando à medida que vão aparecendo uns resenheiros chatos assim pra apontar =P

    Assim que tiver um tempinho te passo o que passou (uia)

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