Avante, Vingadores!

Eu sei, todo mundo está falando desse filme, mas eu não poderia deixar de comentar sobre ele aqui no bar. 

Quando Os Vingadores estreou aqui (antes dos States, né), todos que conheço viram e as redes sociais ficaram insuportáveis pra quem, como eu, não teve tempo ou saco de enfrentar a muvuca do cinema (só aqui no brasil mais de 1.5 milhões já lotaram os cinemas nos três primeiros dias). 

Segunda à noite finalmente entramos numa sala 3D e, como era de se esperar, piramos – e só agora saí do estado de euforia.

A trajetória dos super-heróis no cinema parecia fadada ao mesmo destino dos games, com adaptações nojentas. Spiderman e X-Men provaram que os colantes tinham sim algum futuro, e o Batman de Nolan arrematou a coisa. 
A Marvel então se tornou produtora de filmes e fez um planejamento bacana para trazer seu universo de uma forma aceitável para as telonas, com filmes leves e divertidos para apresentar os herois ao grande público. (pode ler, não tem spoilers :D)

Quando soube que a tarefa de adaptar Os Vingadores para o cinema tinha caído nas mãos de Joss Whedon, fiquei contentaço tanto porque o cara é foda (Firefly está no meu Top 3 de séries) quanto porque é tão nerd quanto os fãs, mas ainda assim estava meio apreensivo, porque era uma missão no mínimo dura.

Juntar tantos personagens poderosos, com egos grandes e seus próprios universos, com certeza é complexo. Isso sem falar que dos personagens envolvidos, temos o claramente mais carismático Homem de Ferro, com uma chance gigantesca de carregar o filme nas costas, dois personagens buchas que nem tiveram filmes (Viúva Negra e Gavião Arqueiro) arriscando mal aparecer, e um problemático (o Hulk, com seus dois filmes merda e um ator diferente pela terceira vez).

Como eu sempre dizia, esse filme tinha chance de ser fodástico tanto quanto de ser um lixo. Mas cara, ele conseguiu. QUE FILME FODA!

O filme é tudo isso mesmo que estão falando. Joss Whedon foi muito bem sucedido em criar um verdadeiro filme de quadrinhos. Ele pegou as rédeas do projeto, escreveu (junto com Zak Penn) e dirigiu a bagaça, pegando todos os elementos do gênero – incluindo os clichês, como heróis que vão pra porrada assim que se conhecem – e colocar numa película de mais de duas horas sem ficar tosco e ainda me fazendo pular da cadeira de tanta euforia. 
Aqui você tem uma porção de supercaras, personagens buchas, soldados e agentes juntos, alguns com seus próprios filmes, outros com uma grande chance de mal aparecer ou ficar totalmente tosco – mas todos possuem a mesmíssima importância no filme, com um tempo de tela razoável, cenas e falas importantes, além de feitos notáveis na hora da porrada, enfrentando desafios à sua altura. 
Todos os personagens, até os desconhecidos do povão até então (como a Maria Hill) fazem a diferença na trama. Ninguém rouba o filme ou ofusca os outros, apesar do receio de todos (especialmente o Homem de Ferro ou o Loki).
Todos os heróis estão melhores aqui do que nos seus próprios filmes – Whedon capturou realmente a essência de cada personagem. Temos um Homem de Ferro sacana, distribuindo piadinhas ácidas (afinal ainda é o Downey Jr.), mas ainda falho e apanhando. 
O Thor de Chris Hemsworth está mais maduro e melhor representado (muito embora ainda seja a atuação mais fraca; ele se esforça, mas…), apesar do seu drama chorão – está mais deus do trovão que nunca, aliás, com raios e trovões e tudo mais. 
Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva Negra (Scarlett Johansson, mais gostosa que nunca!) ganham bem mais importância, revelando inclusive laços antigos do agente e da espiã, bem como os demais agentes da S.H.I.E.L.D. A Viúva, inclusive, está uma espiã mais eficiente do que nunca. 
O Capitão América de Chris Evans finalmente ficou decente, atuando como um elemento de equilíbrio do grupo (especialmente para frear os impulsos inconsequentes dos outros heróis) e, em várias cenas, como um verdadeiro líder, fazendo os Vingadores seguirem seus comandos sem parecer forçado. 

E o Hulk, cara… Agora sim é o Hulk! Uma força caótica e implacável, um monstro a ser temido, e você sente demais isso no filme. Mark Rufallo entrega um Bruce Banner tímido e noiado, e um “outro cara” com muito mais apelo que os anteriores. Nem a CG do bicho me incomodou! 
O Nick Fury é o velho e safado Nick feito à imagem do Samuel L. Jackson do universo Ultimate (pra quem não sabe, a maioria das histórias da Marvel Studios do cinema tem inspirações nessa linha). 
Por fim, temos o grande vilão: Loki. Rapaz, Tom Hiddleston é um grande ator. E aqui ele está um Loki tanto verdadeiramente deus nórdico quanto o mesmo cara dos quadrinhos, insano e prepotente, até meio caricato, mas com tramóias de enganação que lhe valem o título. Suas expressões de ódio e triunfo, além de sua elegância vilanesca, são extremamente recompensadoras e empolgantes.
O enredo é simples (houve quem disse que faltou dramaticidade, mas sinceramente, não sentei num cinema com óculo 3D na cara pra ver draminha! :P) e bem amarrado. Loki, vendo uma ótima oportunidade no artefato Tessaract (o cubo cósmico, aquele troço de energia que aparece no filme do Capitas e na cena pós-créditos do Thor, aqui com o principal poder de abrir portais para outros mundos), faz um acordo com os alienígenas Chitauri, onde eles mandam exércitos para conquistar a terra para o deus, e em troca ganham o universo. 
Depois de mostrar a que veio tocando o terror no nosso planeta, o vilão faz Nick Fury tentar reunir às pressas o nosso grupo de heróis, apesar da Iniciativa Vingadores ter sido cancelada pelo governo. Apesar da simplicidade – e eu nem esperava muito mais, visto que é preciso digerir tudo ao mesmo tempo que se deleita com um monte de personagens legais envolvidos na parada -, tudo é muito bem feito, e todos os personagens possuem motivações bem coerentes. É preciso uma grande ameaça e alguns incentivos pessoais para esses heróis se unirem, e Whedon te dá isso sem decepcionar. 
O filme ainda é repleto de humor, com piadinhas o tempo todo (até exagera um pouco), inclusive já tirando sarro das coisas que nerds reclamões como eu e você íamos zoar. Ri alto várias vezes no cinema. Essa leveza, junto de todos os pontos positivos, fazem as mais de duas horas de filme passarem ligeirinho.
Assim, apesar da história demorar um tiquinho para engatar – e quando isso acontece, você fica com o coração na mão até o fim -, o roteiro é muito bem construído para que a coisa nem fique corrida nem chata. Diálogos legais e ação na dose certa, tudo tão bom quanto os combates. 
E, oh boy, os combates. Todas as cenas importantes de pancadaria são excelentes, mas a mais importante delas é uma verdadeira sinfonia extremamente bem orquestrada. Como eu disse antes, todo mundo tem sua relevância e enfrenta seus desafios com desenvoltura, e tem cenas inclusive que você consegue ver o que cada um está fazendo, sem nenhum corte, e nada é mais empolgante que isso. 
Os efeitos especiais são excelentes. Estamos acostumados hoje em dia, eu sei, mas Whedon não comete exageros; não temos câmeras tremidas nem nada assim, e tudo está lá com um sentido e propósito. 
Conseguimos ver até reações plausíveis das pessoas comuns, sujas de fuligem, sendo resgatadas pela polícia ou a guarda nacional… Coerência impecável. Destaque para a memorável atuação de luta do Hulk, protagonista dos meus maiores gritos de awesomeness no embate final, e ainda ganhando a emblemática ordem do Capitão: “Hulk… Smash.”
No final das contas, ainda temos a velha participação do Stan Lee, e na cena pós-créditos, uma surpresa gigante que deixa você ainda mais maluco e ansioso para uma sequência!
Enfim, se você teve paciência de chegar até aqui, talvez discorde comigo, mas posso dizer de coração e sem frescura: Vingadores é o melhor filme de super-heróis da história. Joss Whedon está com o nome gravado para sempre na história, e agora o pessoal vai ter que rebolar para superá-lo, especialmente a DC. 
Ah, sim: quem puder, assista em 3D – ao contrário da maioria dos filmes que vi em 3D, esse estava excelente! Se não foi ao cinema ainda, vá logo. Eu vou ver umas mil vezes. In Whedon we trust!
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