Usando as Lembranças do 3:16 em outros jogos

Li hoje um post do Delibriand em seu blog sobre as regras de Lembranças do 3:16 Carnificina Entre as Estrelas. Trata-se de flashbacks narrativos que possuem uma implicação mecânica importantíssima, porque desenvolve os personagens dos jogadores dentro do jogo, e são realmente muito legais. 

No post o Pedro comenta (com razão) que não se costuma ver isso – tanto flashbacks quanto regras que ajudem a narrativa ao invés de atrapalhá-la – no D&D. Foi aí que eu fiquei pensando cá com meus botões: essa é uma mecânica simples, que pode ser adaptada com facilidade para outros sistemas. 

Como o 3:16 usa níveis para medir o poder dos personagens (e lá você tem uma Lembrança por nível), até que dá para implementar essas regras num D&D ou Dragon Age RPG da vida – até porque personagens que começam de 1º nível não possuem um passado lá muito desenvolvido nesses sistemas.

No 3:16, quando você ativa uma dessas Lembranças (Forças ou Fraquezas) em um combate, narra um flashback do seu personagem e termina automaticamente o encontro. 

Se usou uma Força, você descreve alguma particularidade do seu passado e essa vantagem faz com que o grupo ganha e todos os aliens do combate sejam eliminados. 

Se for uma Fraqueza, você faz um breve retrato de uma fraqueza do personagem, com uma lembrança de um evento na história dele, e o encontro termina apenas para você, mas nos seus termos (geralmente diminuindo um resultado que seria fatal).

Os exemplos do livro narram: para Força, uma personagem que lembra de um episódio onde ela manteve a cabeça no lugar sob pressão (e o jogador anota “lógica fria” na lista, como uma característica da personagem) e assim consegue eliminar mais alienígenas que os outros. 
Para Fraqueza, um personagem que atacou brutalmente um amigo quando era criança e foi relegado à frota estelar como um sociopada que precisava de terapias e drogas (e o jogador anota “sociopata” na ficha). Assim, no presente, o personagem se joga sozinho em um bando de aliens e é deixado para trás, e acaba capturado e levado para a colméia dos bichos.
Basicamente, podemos considerar que cada personagem tem uma Força e uma Fraqueza a cada dois ou três níveis (porque a escala de níveis desses sistemas é maior, indo do 1 ao 20 ou 30). Quando você ativa uma destas características, ao invés de terminar o encontro, seu personagem ganha alguma forma de vantagem na cena (no caso da Força) ou amenização da coisa ruim que está para acontecer com ele (no caso da Fraqueza), mediante o registro daquela característica na ficha do personagem, para compor sua personalidade e enriquecê-lo. 
A vantagem pode ser um bônus (+2 ou +4 em uma rolagem, talvez) ou quem sabe uma Advantage do D&D Next ou uma bonificação de alguns Talentos do Dragon Age RPG (você rola o teste duas vezes e fica com o melhor resultado ou o segundo resultado, no caso do segundo jogo). A amenização pode ser um golpe que mataria o personagem apenas desacordá-lo, o vilão aprisioná-lo, ele escapar fedendo no último instante, etc.
Esta mecânica é bem parecida com os Aspectos do Fate (você atribui frases curtas sobre o seu personagens que dão bônus quando surge uma situação em jogo que tenha a ver e você “invoca” dado Aspecto, ganhando uma bonificação), muito embora você escolha esses “Aspectos” durante o jogo ao invés de na criação do personagem (eu não sei muito como funciona, mas acho que é assim no Fate). Lembra também os plot points, no sentido de que modifica a narrativa, mas é uma mecânica bem mais atrelada, que enriquece não só a narrativa, mas os personagens em si.
Enfim, são essas mecânicas simples e legais que agregam a jogos, e eu sempre gosto de misturar as coisas dos sistemas. Pode não funcionar fora do 3:16 – teria que ser testada -, mas acho que alguns sistemas trazem ideias tão boas que você pode passar ao menos o espírito delas para os sistemas mais convencionais. :)
Créditos de imagens: Gregor Hutton

3 comentários em “Usando as Lembranças do 3:16 em outros jogos

  1. Rapaz, eu acho uma ótima essa regrinha, e estou pensando em utilizá-la geral.

    Em Dragon Age, a Força podia dar uma façanha automática (mágica ou não) de Seis Pontos e a Fraqueza ficaria ao meu julgamento, ou amenizar uma morte ou sei lá.

    Acho que 1 Força/Fraqueza a cada nível não fica tão apelo, já que o rate de xp é pequeno.

    Massa geral a idéia… Rafael approves (+50) =P

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  2. Eu estou ansioso para ter um 3:16 para analisar essas coisas. Faz tempo que tento acrescentar coisas no TRPG (baseado no D20) para que melhore o a interpretação dos jogadores por via de regras. Uma das minhas ideias é a adaptação dos aspectos do FATE. Ainda não testei mas acho que dá certo porque não afeta o equilíbrio do sistema, bem como essa adaptação do 3:16 que você idealizou Dan. Gostei da postagem!

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  3. O “tchans” dessas regras é que elas oferecem uma intervenção relativamente simples dentro do âmbito dos sistemas, porque durante o jogo já costumamos dar bônus circunstanciais (quem nunca deu um +2 por uma boa ideia ou roleplay?), pequenas vantagens house rules e dar aquela “salvadinha” nos PJs, como uma forma diferente de recompensar uma boa interpretação ou uma ajudinha na narrativa. Aí você não corre o risco de quebrar o sistema e ainda dá uma oportunidade aos jogadores de enriquecer os personagens.

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