Os Qunari de Dragon Age

Olá! Aproveitando que o Dragon Age RPG Set 2 está saindo, que estamos jogando o sistema e que eu já venho falando sobre ele por aqui mesmo, trago um texto sobre os Qunari, uma filosofia/povo muito interessante do cenário do jogo. 
O material foi traduzido pelo meu irmão Rafael Ramos (e DM da campanha) a partir do Dragon Age Wiki. Ele é útil até para quem não se interessa pelo cenário, porque dá algumas ideias boas de sociedade totalitária, religião ou filosofia dominadora que pode gerar ótimas aventuras. 
Pode ter certeza que eu vou pegar muitas ideias daqui para os minotauros do meu Tormenta D, alguns dos kossith tem até chifres! :D
O Qunari tem referências claras de militância islâmica, com princípios que lembram o Islã. É provavelmente baseado parcialmente no Império Otomano e os turcos seljúcidas, inimigos mortais do Imperium Tevinter, que é equiparado ao Bizantino. 

Possuem tecnologia avançada (incluindo canhões), são considerados pagãos pelo Coro (a igreja “católica” de Dragon Age) e têm sido alvo de várias Marchas Exaltadas (que equivale a uma Cruzada cristã). Para ler mais sobre as regiões deste mundo e algumas curiosidades, veja este post que publiquei aqui.
Qunari (literalmente, “Povo do Qun”) é um termo que pode se referir a um membro de qualquer raça que adere aos ensinamentos do Qun. A maioria dos Qunari são kossith, mas humanos, elfos e até mesmo anões podem ser Qunari também. Os humanos de Rivain e os elfos escravos de Tevinter são especialmente suscetíveis à conversão, embora se tenha notícias que membros de outros grupos já abraçaram o Qun.

Qun 
O Qun (Kyoon) é um código de honra baseado nas escrituras do Ashkaari Koslun. O Qun define o papel de tudo e de todos pertencentes à sociedade Qunari (O Povo do Qun), independente de ser espiritual ou mundano. Por exemplo, alguns Qunari são criados como soldados desde muito pequenos; espera-se que eles sejam fortes, disciplinados e austeros, sem falhar com os princípios de dever e honra como definido no Qun. Fanáticos em sua devoção, os Qunari são preparados para guerrear por toda a vida como parte de suas tentativas de “iluminar” todas as raças, independente de suas filosofias.
Conceitos
Um importante conceito no Qun é o “Asit tal-eb”- “É assim que tem que ser”: a idéia de que tudo e todos no mundo tem uma natureza, e todas essas coisas se juntam para formar uma ordem natural – assim como os gafanhotos devoram as plantações. É escolha de cada indivíduo agir ou não de acordo com sua natureza e a natureza do mundo, ou opor-se à ordem natural, e, assim, lutar contra si mesmos e contra o mundo. O indivíduo náo é verdadeiramente “individual”, mas parte do todo. Sua própria natureza contribui para a natureza maior do mundo, e assim sua luta contra o auto-equilíbrio rompe o equilibrio do todo, deste modo se ferindo. Devido a isso, a sociedade não é considerada artificial, mas parte da natureza.
Cultura 
Cada aspecto de vida dos Qunari é ditado pelo Qun, fazendo-os seguir a filosofia sem questionar e ver como dever moral “educar” forçadamente aqueles que não compreendem (para os Qunari, o Qun não “acreditado”, é “entendido”). Para os Qunari, o Qun é a verdadeira fonte da moralidade, e todas as sociedades que o rejeitam vivem em devassidão e sofrimento. Trazer essas sociedades para o Qun signifca libertá-las de seus tormentos auto-infligidos. Mesmo as tentativas dos Qunari de comercializar com outras raças e nações são feitas principalmente para analisar oponentes em potencial, ao invés de acumular recursos ou riquezas.
Os Qunari não acreditam em divindades e acham ridículo o conceito de seres invisíveis onipotentes. Eles põem seu foco religioso numa divina estrutura moral do mundo, não em seres divinos. Eles toleram o deísmo nas populações convertidas em Rivain e Seheron, entretanto vêem seus habitantes como iniciantes no caminho do iluminado auto-conhecimento, e que eles irão eventualmente descartar esse tipo de superstição.
Um desertor Qunari é chamado de “Tal-Vashoth”. Eles vivem longe das terras natais Qunari, muitas vezes trabalhando como mercenários, alguns dos quais geralmente procuram os Guardiões Cinzentos. Todos os Qunari são definidos pelo seu papel social, que deveria ser uma parte definitiva da natureza do indivíduo, imutável e fundamental. Eles valorizam bastante suas ferramentas e as consideram parte do seu valor, como extensões do seu dever e papel. Um soldado Qunari nunca deve ser separado de sua espada – tal indivíduo será comumente humilhado e/ou executado ao retornar para sua terra natal.
O Coro considera o Qun uma ameaça aos seus ensinamentos – uma provação de fé a ser combatida e vencida. Várias Marchas Exaltadas foram declaradas pelo Coro contra os Qunari. Enquanto os Qunari possuem tecnologia superior, eles são muito mais relutantes em usar magia do que o Coro. Esta antipatia extrema pela magia impulsionou o seu avanço tecnológico, mas, como resultado, seu conhecimento mágico é muito baixo, e o poder de seus magos é subdesenvolvido. Por isso, na Era da Tempestade, eles foram banidos para o Norte de Rivain e Par Vollen.

Ashkaari Koslun 
O Ashkaari Koslun é um filósofo Qunari e fundador do Qun. Seus ensinamentos têm inspirado as conversões de milhares para as suas rígidas disciplinas. Vivia luxuosamente nas terras Kossith quando percebeu os elementos contraditórios do sofrimento em uma sociedade civilizada, o que o levou a desenvolver uma das maiores escolas filosóficas de Thedas. O seu artefato, o Tomo de Koslun, escrito à mão pelo Ashkaari, é um item referenciado pelos Qunari, e foi roubado por Orlais.
Curiosidades
– Ashkaari (na lingua Qunari significa “Aquele que procura”) é um título dado aos acadêmicos, cientistas ou pessoas que atingiram a iluminação.
– Koslun é o único Qunari conhecido que tem um nome próprio além de seu papel, ou um propósito de vida, o que poderia ser entendido como a busca da verdade. Lógico, tal como ele desenvolveu o Qun como uma filosofia/religião, e é o Qun que juda a ditar o papel de um seguidor (e assim seu nome) na vida.
– É possível que, já que é chamado de “O ashkaari”, possua o nome Koslun porque assim foi chamado quando nasceu, ou que seja outro título/posto que nunca fora revelado.
– A história do Ashkaari tem semelhança notável com a de Sidarta Gautama, a inspiração para o budismo, e provavelmente foi baseado nele. Em ambas as histórias, Koslun e Sidarta são membros isolados da elite rica, mas andar pelas ruas encontrando o sofrimento obriga-os a buscar tanto respostas do mundo quanto ao porquê da existência de tantas coisas negativas. Ironicamente, enquanto Sidarta trata de fender o isolamento pessoal e a não-violência, Koslun trata de defender a submersão do grupo e o militarismo.
– Sten se refere aos Guardião Cinzento (o personagem do jogador) como um “Ashkaari” após a conclusão de sua busca pessoal em Dragon Age: Origins.
Títulos
Arishok (masculino ou feminino) – Um comandante e um líder espiritual Qunari. 
Arigena (Apenas feminino) – Representa a personificação do aspecto industrial, agrícola e mercantil do governo Qunari, tendo uma visão superior sobre o que os Qunari acreditam ser a “mente” de sua sociedade. Os comerciantes e artesãos são encarregados de produzir tudo o que os Qunari necessitam, tais como armas, materiais de construção ou alimento, e de distribuir entre os seguidores do Qun.
Ariqun (masculino ou feminino) – Indivíduo do Triunvirato, os três pilares/líderes dos Qunari, líder dos sacerdotes. Os padres Qunari e por extensão o seu líder, O Ariqun, representam a alma, assim como o Arishok representa o corpo e o Arigena representa a mente do Qunari. Ariqun pode ser masculino ou feminino, e comanda as Tamassrans e os Ben-Hassrath.
Tamassrans (Apenas feminino) – são sacerdotisas que controlam o programa de reprodução seletiva, criam todas as crianças e oficialmente atribuem os seus papéis. As Tamassrans exercem uma enorme influência.
Ben-Hassrath (masculino ou feminino) – são sacerdotes que tem o principal papel de agir como um religioso oficial da lei, e “reeducar” tanto os Qunari indisciplinados quanto os novos convertidos. Eles também atuam como espiões Qunari.
Saarebas – é dado a todos os magos Qunari, literalmentente significa “coisa perigosa”. Os Qunari tratam os Saarebas com a máxima cautela, como fazem com os magos em geral, referindo-se a eles, sem restrições, como “Bas Saarebas”. 
Esses seres devem ser cuidadosamente controlados por um dispositivo guardado por um Arvaaradx, porque realmente não podem se controlar. Os Qunari têm piedade dos Saarebas, pois esses lutam pelo Qun mesmo sob constantes ameaças, uma grande virtude do Qun. O tratamento rigoroso e disciplinado de magos do Círculo pelos templários empalidece em comparação ao tratamento dado aos Saarebas pelos Qunari. 
Enquanto os magos do Círculo têm uma liverdade relativa dentro de suas torres, os Saarebas são presos dentro de seu próprio corpo, vestindo um conjunto de ombreiras pesadas com correntes presas a eles, atuando como uma forma de coleira, enquanto seus rostos ficam escondidos embaixo de uma viseira de metal. Eles têm os seus lábios costurados juntos, embora isso não pareça impedi-los de falar normalmente, podendo ser assim um gesto simbólico.
Arvaarad – Quer dizer “aquele que detém o mal”. São encarregados de segurar as coleiras dos Saarebas, controlando-os. Como um dos maiores valores para um Qunari é o domínio de si, há pouca confiança para aqueles que têm mais probabilidade de ser enganados. Assim, os magos, que são suscetíveis aos sussurros e tentações dos demônios, são regulados pelo seu Arvaarad. 
O papel do Arvaarad é estritamente caçar Tal’Vashoth e segurar a coleira dos Saarebas sob seus cuidados, que prevalece sobre qualquer outra tarefa que venha a um Arvaarad. Um Arvaarad é o equivalente Qunari de um templário, aquele que cuida (ou aprisiona, dependendo de onde a organização é) magos. Se um Saarebas é visto fora do seu “Karataam”, um grupo de magos detidos juntos na mesma coleira, então eles são considerados um risco de corrupção certa, se já não estiverem corrompidos. Quando isso ocorre, o mago, e todos os que entram em contato com ele, devem ser mortos.
Textos extraídos do Tomo de Koslun (A “Bíblia” Qun)
“Shok ebasit hissra. Meraad astaarit, meraad itwasit, aban aqun. Maraas shokra. Anaan esaam Qun”
(Lutar é uma ilusão. A maré sobe, a maré desce, mas o mar é imutável. Não há nada para se combater. A Vitória está no Qun)
Há muito tempo atrás, o Ashkaari vivia em uma grande cidade à beira-mar. Riqueza e prosperidade brilharam sobre a cidade como a luz solar, e seu povo ainda resmungou descontente. O Ashkaari andava pelas ruas de sua casa, quando viu que tudo ao seu redor eram sinais de riqueza: arquitetura triunfante, obras artísticas, os palácios dos ricos mercadores, bibliotecas e salões de festas. Mas ele também viu sinais de miséria: os pobres, doentes, perdidos, assustados e, os desamparados. E o Ashkaari se perguntou: “Como pode um povo ser sábio e ignorante, grande e em ruínas, triunfante e desesperado?” 
Assim, o Ashkaari deixou sua terra natal em busca de outras cidades e nações, procurando por um povo que tivesse encontrado sabedoria o bastante para acabar com a desesperança e o desespero. Vagou por anos através de impéros cheios de palácios e jardins, mas em toda nação contendo sábios, grandiosos e poderosos, encontrou também os esquecidos, os abandonados e os pobres. Finalmente chegou a um vasto deserto, uma terra de enormes rochas que arranhavam o céu vazio, onde se abrigou à sombra de uma rocha gigantesca, e resolveu meditar até encontrar sua resposta ou perecer.
Muitos dias se passaram até que uma noite, enquanto ele olhava para fora da ombra das rochas, viu o deserto sem vida despertar. Uma centena de gafanhotos eclodiram a partir do solo estéril, e como um, se voltaram para o sul, em uma única onda de terra se movendo. O Ashkaari se levantou e seguiu o seu rastro: um caminho com milhas de devastação, a outrora terra verde se tornara devastada. E os olhos do Ashkaari foram abertos.
Existência é uma escolha.
Não há caos no mundo, apenas a complexidade.
O conhecimento do complexo é a sabedoria.
Da sabedoria do mundo vem a sabedoria do eu. 
A Maestria do eu é a maestria do mundo. A perda do eu é a fonte do sofrimento.
Sofrimento é uma escolha, e podemos recusá-lo.
Ele nos dar o poder de criar um mundo, ou destruí-lo.
E o Ashkaari foi de encontro ao seu povo.
– Um trecho do Qun, Canto 1

3 comentários em “Os Qunari de Dragon Age

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