Old Dragon Day 2012 – reporte

Como vocês sabem, tivemos neste fim de semana o Old Dragon Day 2012, um evento temático do sistema que mobilizou 77 mesas de jogo em 43 cidades Brasil afora! Criamos uma pequena aventura exclusiva para a ocasião, escrita pelo Rafael Beltrame e por mim, chamada O Templo dos Desmortos, para 3º nível. Eu a narrei para meus jogadores velhos de guerra, e foi extremamente divertido! Nem preciso avisar que o reporte contém spoilers da aventura.

Não usamos os personagens prontos que disponibilizei pro pessoal (que ironicamente são personagens nossos de outras campanhas), porque eu tinha um objetivo muito peculiar ao narrar esta história. Companhias de mercenários são muito comuns no riquíssimo reino agrícola de Samburdia, e os jogadores de nossa campanha principal criaram uma, chamada Falcões Trovejantes. Essa companhia pegou um contrato de serviço com o alcaide de um vilarejo nas colinas mais a norte, que precisa desesperadamente de espadas valentes para limpar um templo que foi profanado quando os mortos levantaram das suas catacumbas subterrâneas. Foram escalados cinco indivíduos competentes para o trabalho:

Jeanna “Tripé” (humana, homem de armas 3, jogador Megaron): líder, guerreira-machão. 

Laeshla “Lae” (elfa, maga 3, jogador Rafael): elfa de joelhos fracos (Força 5!).
Dwalin “Barril” Okenshild (anão, homem de armas 3, jogador Diego): anão fanfarrão.
Nigella (halfling, clériga 3, jogadora Elisa): cozinheira alegre e celebrante da deusa da vida Lena.
• Branohargo (humano, ladrão 3, jogador Raoni): um sexagenário matreiro.
Na vila de Isen, o alcaide Sareman lhes informou a situação: o antigo padre de Azgher (deus do sol, vigilância, verão etc.) sentiu o chamado divino para doutrinar terras bárbaras a oeste, e deixou um neófito cuidando da igreja. Os mortos levantaram, e o povo teve que selar o templo com tábuas para interditá-lo. A tarefa do grupo era limpar e consagrar o local. Sentindo o medo nos aldeões, partiram para o local, em uma colina próxima. O céu normalmente límpido estava escuro e tempestuoso, e todos sentiam a influência maligna do que havia encerrado ali…
A igreja do mal

Mal chegaram no pátio à frente da igreja, viram um sexteto de zumbis. Como tinham nove henchmen da companhia (cada jogador jogava os dados por um ou dois), Tripé deu carga junto com eles. Minha mão estava boa e zumbis drenam 1d6 de CON na mordida, e logo dois recrutas caíram. Branohargo amarrou uma corda a um arbusto, um recruta atrai um zumbi, que tropeçou na corda e caiu. Aí o ladrão segurou bem firme para o recruta dar cabo do bicho. Barril alternava os alvos enquanto Lae recuava e esperava uma boa oportunidade de fazer algo (poucas magias, rapaz) e Nigella se metia a porradeira e apanhava. No fim, acabaram vencendo e já ficando com medo quando a porta dupla da entrada da igreja começou a bater, dando indícios de mais zumbis lá dentro. De repente eles se sentiram observados, e Lae usou um detectar magia para ter certeza que se tratava de uma clarividência – alguém estava preparado para eles. 

A ideia era entrar sem ficar à mercê das boas-vindas, e Tripé derrubou uma janela lateral enquanto Brano entrou pelo campanário, no telhado (véio enxuto). Para o desespero de todos, o ladrão tacou fogo nos zumbis lá embaixo, que tocavam nos bancos e aumentavam o incêndio. Tripé mandou os recrutas apagarem o fogo com tapeçaria enquanto o grupo descia a lenha nos zumbis, e lá se foi mais um henchman. A nave tinha bancos, uma tigela de batismo de prata (roubada por Branohargo) e no fundo uma estátua de Azgher, com uma parede e uma escadaria descendo para as catacumbas atrás, e duas portas. Eles investigaram a sacristia/depósito/cozinha (e tomaram mordidas de ratos), pegando vidros de água benta, e acharam as moedas e os ossos do pobre noviço. Então, tomaram as escadas.
A partir daí começou um episódio dos Trapalhões. Assim que alcançou o pé da escada, uma bolha verde saltou e começou a sufocar Branohargo. Barril atirou uma machadinha lá de trás da fila e, com uma bela falha crítica, acertou as costas de Tripé. Esta, por sua vez, tentou atacar outra bolha enquanto pulava por cima do velho, e os dois acabaram caindo. Nigella, para ajudar, passou por baixo das pernas de todos em uma manobra Didi Mocó e queria tacar foco na bolha que estava em Branohargo, que pediu por todos os deuses pra o grupo não permitir essa loucura! Esta foi a primeira crise de riso.
Depois de matar as bolhas verdes (apelidadas por nós de “catarro gigante”), o grupo venceu o corredor e chegou numa cripta circular, com vários túmulos tampados nas paredes. Não mexeram em nenhum (e assim não despertaram o inumano que se escondia ali), e seguiram até um corredor que levava a uma bifurcação. Lá ouviram o zumbi ogro, e recuaram para a cripta. Branohargo novamente usou a estratégia da corda, se postando com um henchman na boca do corredor, e o ogro caiu pesadamente. Montinho! Lae lançou mãos flamejantes e Tripé e Barril acabaram com o bicho em uma rapidez inacreditável. Fizeram o mesmo esquema com o segundo ogro, e eu mal vi seus movimentos! Em seguida, exploraram a sala da esquerda, uma câmara de embalsamamento, e foram à da direita, uma sala de vigília. Neste local, prateleiras, um armário e uma mesa com cadeiras, e um homem morto debruçado na mesa.
O brasão dos Falcões

Alguns achavam que o serviço estava concluído, mas Nigella e Lae sabiam que havia algo maligno em algum lugar ainda mais nas profundezas. Passaram então a procurar passagens secretas (todo mundo falhando no d6, e eu dei ume mega-bronca sobre o modo old school de procurar as coisas, dizendo onde e como você está procurando, que todos eles esqueceram com as novas edições do D&D), quando de repente Nigella mexeu no cadáver e liberou o terrível esporo venenoso! Somente a elfa passou na JP CON – todos os outros morreram! O correto seria todo mundo fazer novas fichas, jogar com os henchmen, etc. Mas ficaram todos com cara de cachorro que caiu da mudança, e minha mania de mestre bonzinho permitiu um novo teste, considerando que a jogada falha havia sido dos henchmen. Pobres recrutas, morreram por causa de jogadores chorões!

Passado o episódio do quase-TPK, a elfa finalmente achou uma porta escondida atrás do armário, e eles entraram numa antesala com um buraco no chão que dava numa escadaria muito antiga e desgastada. Cinco sacerdotes guardiões da cripta jaziam na sala, prontos para um dia virarem zumbis. O responsável por tudo aquilo era maligno, e procurava o tesouro enterrado naquele nível escondido da masmorra – Lae havia lido nos anais da sala anterior, que esta igreja já fora uma ordem sagrada que protegia o mundo de um tesouro profano. Tripé jogou uma tocha lá embaixo, e eles desceram, sentindo garras malignas em suas almas. Lá embaixo, viram uma parede depredada com símbolos mágicos dissipados, e avistaram mais à frente um ogro zumbi se arrastando para longe. Branohargo, sempre à frente, correu de volta ao ver seis zumbis com cotas de malha e picaretas amarradas às mãos com arame farpado, e o grupo resolveu lidar com mais aquele encontro de forma inteligente. Enquanto o ladrão e tripé buscavam substâncias inflamáveis lá da sala de embalsamar, os outros tentavam retardar o avanço dos zumbis, atirando coisas do andar de cima. Eles então rolaram barris escadaria abaixo e tocaram fogo nos bichos, que já tinham pólvora em cima do corpo (e eu lamentei perder uma estratégia pérfida criada pelo Beltra para esses zumbis, mas tudo bem).
Mais à frente, os heróis passaram pela sala dos ossos (um corredor cheio de ossadas inofensivas mas que causaram tensão), não deram bola para o ogro preso em uma jaula e maltratado para futuramente virar zumbi, e finalmente chegaram até a biblioteca de Kadhras. Lá ele esperava com um monte de magias preparadas, e um ogro zumbi para atacar os heróis. Tripé tomou um símbolo de proteção (6d4 de dano, maluco) na testa e tombou a PV negativos; o wyvern vigia tentou mas não conseguiu paralisar ninguém; o ogro começou a trocar golpes com Barril, enquanto Kadhras lançou convocar insetos (com vespas previamente preparadas) e infernizou a vida do anão. Lae prendeu o clérigo numa teia, mas Branohargo falhou terrivelmente em jogar uma tocha na teia e ele se soltou. O ladrão ainda errou um ataque pelas costas e pagou o preço por isso: um acerto crítico com a maça de mitral, bem na têmpora. Caiu morto.
Kadhras

A situação estava terrível! Nigella curou Tripé, que tratava do ogro enquanto Barril dava seus últimos suspiros graças a picadas de vespas. A halfling tinha um martelo espiritual em cima de Kadhras, mas não acertava nenhum golpe. O anão ainda desferiu o golpe final no zumbi antes de tombar, e Tripé saltou por cima do cadáver em um golpe heroico no sacerdote maligno (que tirou um dano fraquinho, coitado). Kadhras, numa situação ruim, começou a fugir, mas Nigella o interceptou e o envolveu com uma capa, deixando-o cego e a mercê do golpe de misericórdia da líder guerreira. A esta altura, já estávamos quase morrendo com a segunda crise de riso, com tanta trapalhada junta, hehe. Terminado o combate, os heróis deram uma vasculhada nos livros de anatomia de ogros e humanos do sacerdote, pilharam seu corpo (algum dinheiro, itens valiosos e um amuleto de controlar mortos-vivos) e viram, numa fogueira, um livro queimado – devia ser este o tal tesouro. Na mochila do clérigo, um mapa com a localização da tumba do poderoso mago Evad X’agyg, com alguns dizeres bastante convidativos. Por fim, Nigella decidiu ficar como clériga da igreja e o grupo voltou, com a missão cumprida.

Foi um jogo bem legal, com direito a frases tipo “depois ainda me perguntam por que eu jogo RPG” e um enriquecimento legal da nossa campanha e cenário. Pelo que tenho visto dos reportes por aí, o pessoal curtiu da aventura, então eu adianto logo que vão gostar mais ainda d’A Cripta do Terror, nossa aventura oficial com a qual fecharemos o ano do Old Dragon. Até lá!

Imagens: Raoni Xavier, Rafael Ramos, Dan Ramos (yo!).


7 comentários em “Old Dragon Day 2012 – reporte

  1. ué, vai ver ela era fotografa, hehehe

    realmente, essa aventura ficou bem legal. o Dan deu um toque especial na coisa toda, tornado a experiencia de jogar essa aventura algo memorável (podem ver os reportes de outros grupos).

    se acharam isso dificil….aguardem a Cripta!
    ela esta longe de ser impossivel, mas garanto que quem sobreviver, vai contar isso com MUITO orgulho de suas habilidades como jogador

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  2. Da esquerda para a direita: Daniel (Da Game-Master), Eu também conhecido como Diego (Barril), Megaron[sim, é o nome dele mesmo] (Tripé), Elisa (a cozinheira), Raoni (O velho roubão) e Rafael (Joelhos fracos) tirando a foto.

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