Campanha "Canção Escarlate" – sessão 05

E a campanha experimental do meu Fantasytelling continua firme e forte, e apesar de o reporte ter demorado dessa vez, prometo manter uma periodicidade maior para chegarmos logo até o ponto onde estamos jogando. No rico reino agrícola de Samburdia, os heróis continuam sua jornada em busca da vingança contra o mago sombrio que conhecem como Cauda Negra, para vingar sua companheira.

Personagens:
• Delphyne Brannon (Elisa): feiticeira samburdiana nascida com um prenúncio de maldição.
• Karsus (Rafael): guerreiro, ex-bandido agora devotado a Khalmyr, portiano.
• Javier (Megaron): espadachim meio “espanhol”.
Eeve/Ginger (Bianca): misteriosa dama samburdiana.


Cena 01: Louros da vitória

Após a fuga dos gnolls, os aventureiros desamarraram os cativos: Arda, a filha do estalajadeiro Keryon, dois mercadores e uma bela jovem de cabelos ruivos. Karsus logo descobriu que se tratava de uma mulher arisca, e os heróis custaram a acalmá-la e arrancar alguma informação. Ela estava ali para resolver alguns assuntos com o mago Crassus e o guerreiro Baalhiam (um morto na trilha, o outro na estalagem), e logo voltaria a Mehnat, cidade onde vivia. De volta à hospedaria, encontraram Keryon e as filhas queimando os cadáveres. A ruiva, que Karsus já estavam chamando de Ginger (termo pejorativo para ruivos no idioma de Portian), pegou e guardou a mochila de Crassus com as meninas sem dizer nada, o que deixou Javier bastante desconfiado. Por fim, arrumaram as coisas e dormiram no local. Javier, completamente bêbado, acabou deitando na cama de Delphyne.

Considerações: na verdade eu devia ter escrito isto no final do último reporte, mas queria deixar a primeira aparição de Eeve/Ginger (a garota ruiva) organizadinha neste aqui. Ela não disse a nenhum dos outros personagens o seu nome de verdade por um bom tempo, mas já estou revelando para não ficar mudando e deixando o leitor confuso.
Cena 02: Orgulho e preconceito
A manhã começou agitada. Ao ver Javier e Delphyne na mesma cama, Karsus ficou louco de ciúmes e acordou o espadachim às pancadas. A briga rolou escada abaixo, até que Eeve quebrou uma garrafa na cabeça do guerreiro e ele desmaiou. A feiticeira estava confusa e irritada com a situação mas usou seus feitiços de cura para restaurar a saúde dos dois. Como Karsus demoraria a acordar, foi cuidar do que não pôde resolver na noite anterior: no porão, lançou um feitiço para ter um vislumbre da morte do menino e do velho que ostentavam o tubarão dos Vanerak de Mehnat. Através dos olhos dos dois, assistiu um gnoll enorme irrompendo pela porta da estalagem, armado com um assustador arco negro, e perscrutando o local. Assim que seus olhos malignos riscados por uma cicatriz se encontraram com os olhos da criança, um rápido movimento foi feito e Delphyne sentiu o impacto da flecha sendo cravada no seu peito. O chão ficou próximo, e o bom senhor caiu ao seu lado, segurando a garganta gorgolejante com uma flecha escura de haste grossa. A luta era feroz, e um mago de pele escura – Crassus – saiu correndo atrás dos gnolls antes de a visão escurecer e a feiticeira voltar ao mundo real.
Aquela era uma terrível verdade. Era um assassinato encomendado, feito de modo que parecesse um ataque aleatório de monstros pouco organizados. O herdeiro do Ducado Vanerak, a segunda família mais antiga e importante de Samburdia, morto em uma hospedaria de beira de estrada. Delphyne dividiu sua visão e pensamentos com Karsus, que acabara de acordar, mas o guerreiro ainda estava bastante desconfiado de vê-la acordar com Javier, sendo que Karsus e ela eram amásios e ainda não haviam passado dos beijos inocentes. A moça tentou de todas as formas convencê-lo de que tudo fora um mal-entendido, mas Karsus queria uma prova física de que ela nunca tinha ido para cama com nenhum homem, como ela tanto frisava. Assim, ele abriu as pernas da feiticeira e a proporcionou uma experiência desagradável e dolorosa, mas ela nada disse. Enquanto isso, outro casal acabava entre os lençóis: Javier e a ruiva, em troca de algumas moedas de prata.
Considerações: apesar da raiva de Karsus, a gente deu boas risadas com as trapalhadas de Javier – apesar de ser a cara do Inigo Montoya, o espadachim tem o espírito de Didi Mocó nos Trapalhões Saltimbancos! Seguimos com mais um excelente uso do novo sistema de magias, com um vislumbre bem narrativo de uma morte, que também revelou uma pista da trama principal de uma forma excelente (se Elisa não tivesse feito isso, eles só descobririam que esse assassinato foi encomendado lá na frente, dependendo do que fizessem). Por fim, algo que mostrou um lado mais humano dos personagens, com uma atitude bem questionável de Karsus. E sim, nossos jogos possuem cenas adultas, vai se acostumando.
Cena 03: Uma viagem perigosa
Por volta do meio-dia, um comboio de duas carroças partiu da estalagem Descanso da Espada. Keryon precisava comprar madeira e mesas novas e contratar homens para reparar a construção, e deixaria as filhas na casa de sua irmã enquanto resolvia isso. Assim, nada mais lógico que aproveitar a escolta dos heróis, que já estavam indo para Mehnat. Volta e meia os aventureiros trocavam algumas palavras; Karsus e Javier chegaram à conclusão de que Eeve (ou Ginger) era uma prostituta de Mehnat – a beleza das mulheres samburdianas não parava de surpreender os dois estrangeiros.
Urash e sua cicatriz

À noite, a comitiva resolveu acampar em um nicho no sopé de uma colina escarpada. Quando os heróis se preparavam para mais uma noite mal dormida graças aos seus inexistentes conhecimentos de sobrevivência, Eeve surpreendeu a todos dando instruções para montar um bom acampamento. Javier subiu na colina para observar possíveis fontes de ataques e ver se o local era defensável, e avistou rapidamente uma fogueira ao longe. Sem avisar ninguém, se esgueirou pelo matagal até chegar à fonte de luz, um acampamento de um casal de guerreiros, um yudeniano enorme e uma elfa arqueira. Não os considerou ameaça, e refez os passos de volta ao seu próprio acampamento. Assim que se aproximou, o alarde: um bando de gnolls espreitavam o comboio! Enquanto ele se aproximava furtivamente para pegar os dois arqueiros posicionados em pedras perto da colina, dois monstros montados em enormes tigres anunciaram o ataque com uma carga!

Delphyne reconheceu de imediato a cicatriz de um dos gnolls montados, com uma pelagem mais escura e um porte maior e mais ameaçador: era a vingança do líder Urash (os monstros gritaram seu nome no ataque), afugentado pela sua ilusão na noite anterior. Karsus defendeu a carga na linha de frente, com os machados grandes mordendo ferozmente suas armas. Delphyne tentou dominar os dois tigres, mas a magia falhou. Karsus a mandou fugir, mas um dos animais lhe derrubou com suas fortes garras, e ela desmaiou com as costas ensanguentadas. Keryon derramou água fervente nas costas de Urash, mas os arqueiros vararam seu flanco de flechas e ele foi ao chão. Javier derrubou dois deles, mas o outro continuou disparando. Quando o combate parecia mal para os heróis, uma bela flecha de penas de ganso atravessou a cabeça do arqueiro! O yudeniano se aproximou em uma carga contra os gnolls e, junto com sua amiga arqueira, ajudaram a voltar a maré contra os atacantes. Urash montou novamente e fugiu, com mais três gnolls sobreviventes, e mais uma vez a vitória foi dos aventureiros.
Aldin e Dimitri

Os recém-chegados se apresentavam enquanto a elfa ajudava Eeve a arrancar flechas e aplicar curativos em Delphyne e Keryon. O guerreiro, Dimitri, era o mesmo que os companheiros encontraram em Campina Rus. Ele retornara a criança que fora resgatar ao seu pai, o conde Darandhal em Istros, e agora estava em uma missão para buscar o sobrinho do conde, que fugira com a espada de um membro falecido da família – e este voltara como fantasma e estava assombrando a sua casa. A elfa era uma mercenária chamada Aldin, e não parecia nada à vontade com os humanos. Mesmo assim, os dois grupos se juntaram para passar a noite. Dimitri e Eeve ficaram bastante próximos, com o yudeniano utilizando os serviços da moça, e passaram boa parte da noite conversando sobre a vida. Enquanto isso, Javier mexia na mochila que ela pegara de Crassus, o mago. Achou uma interessante moeda de ferro com runas engastadas, e meteu no bolso. Mal sabia ele que o restante do conteúdo da mochila, uma carta e uma bolsa com uma pequena fortuna em moedas de ouro, estava muito bem escondida com a prostituta…

Considerações: a gente adora crossovers entre campanhas! Esses dois personagens são da minha principal campanha de fantasia atualmente, que também se passa no reino de Samburdia. Nessa época esses personagens ainda eram iniciantes, já que cronologicamente essa campanha agora está quase um ano à frente de Canção Escarlate. A sensação de mundo vivo, como sempre digo, é ótima. Por fim, mais um combate demonstrando que o sistema não parece mas é bem letal, e os gnolls podem mesmo ser monstros assustadores – destaque para a panelada de água quente, uma das armas do povo comum. Por fim, onde vocês acham que Eeve/Ginger guardou o ouro roubado, hein? :P

3 comentários em “Campanha "Canção Escarlate" – sessão 05

  1. Nunca antes uma puta foi tão necessária. Onde já se viu aventureiros não saberem acampar e a puta da cidade sim? HSADUHASHDUHASUHDHASU #brinksnãofiquemxatiados

    Adorei o reporte, Dan, e ainda mais o desenho! <3 Eeve(Ginger) era pra ser só uma personagenzinha fulêra pra aparecer uma vez ou outra ou até só uma vez mesmo, mas acabei amando o envolvimento dela na trama e agora se tornou uma das minhas favoritas personagens <3

    Vlw por isso.

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  2. Muito foda Dan, pelo que pude ler você já bem satisfeito com o Fantasy, né?

    Também gosto de crossovers, mas quando uso acabo sendo mais sútil. Uma vez eu reaproveitei uma dungeon que tinha usado em outro jogo, mas com uma nova história, principalmente pq os personagens tinham explorado pouco na campanha anterior, lá os personagens encontraram os ossos de um antigo personagem que morreu na aventura antiga :)

    Abraços.

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  3. Ah sim, estou mesmo satisfeito! Embora esteja fazendo mais algumas mudanças drásticas, mas playtest é pra isso mesmo.

    Crossovers são o bicho! Geralmente eu tento ser sutil, com menções e tal, mas várias vezes me dá essas ideias doidas e eu não consigo resistir. Em outra campanha o pessoal fez uma “quest” com dois personagens da campanha que reportei inteira aqui no blog, e a gente ficava o tempo todo dizendo que eles eram imortais, pq se morressem ia dar tilt na cronologia! hehehe

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