A visão de mundo do seu personagem

O grupo da minha campanha “Samburdia”, chamada carinhosamente pelos jogadores de “Corações em Chamas”. Saiu cada opinião engraçada que eu vou te contar.
No meu grupo temos um exercício criativo que não costumo ver em nenhum outro lugar. Fazemos uma listinha com os nomes de todos os personagens jogadores e mais alguns NPCs significativos da campanha, e dizemos a opinião do nosso personagem (no meu caso, de alguns NPCs) sobre cada um deles, incluindo o que o próprio pensa de si mesmo. Não é um exercício indispensável, mas além de divertido de ler, é uma boa forma de aprofundar e desenvolver os personagens, afinal faz com que você pense um pouco com a cabeça do seu “avatar”. Cada personagem tem uma forma única de enxergar o mundo, baseada na sua história de vida e personalidade, e nós achamos que isso enriquece o jogo de forma geral, além de dar uma baita verossimilhança à narrativa. Fazemos isso na nossa lista de emails, mas qualquer fórum ou grupo na internet serve.

Nessas listas, a opinião do personagem é a que conta, e é muito interessante quando algum personagem demonstra pensar algo totalmente diferente do esperado de outro. Mais legal ainda é quando se faz essas listas periodicamente (digamos, uma no começo da campanha, outra lá pelo meio, outra mais à frente, e assim vai). Ao longo do tempo de jogo, os personagens amadurecem e aprendem, e as relações e opiniões podem sofrer mudanças. Alguém visto com desconfiança no início pode ter se provado digno ou até mesmo começar um romance com o membro do grupo que mais desconfiava dele. Uma traição pode mudar de admiração para ódio (ou vice-versa) a opinião sobre um personagem. Um personagem dissimulado pode pensar o contrário de outro, etc. 
A forma de exprimir a opinião também pode variar bastante de acordo com o personagem. Um bárbaro de vocabulário simples pode ter uma lista hilária de opiniões. Um personagem com uma grande carga de fé pode levar isso em consideração ao pensar sobre os outros. Uma maga nobre pode ver com olhos melhores os mais cultos e sábios, enquanto um ladrão da ralé pode ter simpatia com os personagens mais simples. Por fim, um personagem pode simplesmente ter opiniões conflitantes e/ou inconclusiva sobre os outros, e exprimir essa angústia como se estivesse olhando para o espelho, tipo The Sims ou o Sméagol. :P
No nosso grupo fazemos tudo às claras, porque os jogadores gostam de saber o que os outros personagens pensam no geral, do ponto de vista de espectadores – é preciso de um bocado de discernimento para isso, o que a gente consegue com relativa eficácia. Mas os jogadores podem tranquilamente mandar as opiniões dos seu personagem apenas para o narrador, caso não queira entregar seus segredos ou o grupo ache que o seu julgamento será afetado de alguma forma ao saber de certas coisas “em off”. O importante, como vivo dizendo, é o grupo estar de acordo.

Podemos expandir essas visões para outras coisas do jogo. O que o personagem acha da guerra vigente, ou da tirania de um déspota, ou de conceitos mais abstratos como bondade e maldade, etc. Como ele vê a situação dos elfos na campanha, ou o que ele acha das outras raças e classes. Um personagem pode odiar elfos, ou ter preconceito com não-humanos em geral (talvez pelo local de onde veio ser assim), ou gostar muito de paladinos, ou ser partidário de uma determinada seita. Ainda não cheguei a esse ponto na minha campanha, mas estou pensando já em alguns tópicos para colher as opiniões de todos.

E vocês, já fizeram alguma coisa do tipo?

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10 comentários em “A visão de mundo do seu personagem

  1. pensar os paradigmas dos personagens é uma ferramenta muito enriquecedora; claro que nenhum personagem sai da primeira sessão formado e prontinho. Muito se descobre com o decorrer de uma campanha; mas saber o que cada um pensa sobre os outros e sobre questões do reino ajuda, e muito, na interpretação e na tomada de decisões. :)

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  2. Interessante…

    Nas nossas campanhas proponho um questionário para cada personagem jogador responder, com perguntas sobre visão religiosa, o que pensa sobre magia (quando existe no cenário), sobre ouras raças, etc.

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  3. Nos meus grupos, além do background, eu pedia para que cada um preenchesse um questionário. Nesse questionário haviam pergurgas do tipo: Qual sua opnião sobre os nobres desta região? Qual sua opnião sobre os religiosos e suas igrejas? Qual sua opnião sobre a guarda da cidade? Você é religioso? Qual sua relação com o sobrenatural? Gosta de magias? Tem medo delas? O questionário era um pouco longo, e eu achei que os jogadores desanimariam em responder tudo, mas não. Todos fizeram e gostaram bastante.

    Primeira vez que posto aqui.

    Parabéns pelo blog. Muito inspirador.

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  4. já pensei em fazer isso , mas meu jogadores são desinteressados e preguiçosos , apenas um salva , o resto adora conversa paralela e já pensei em parar de mestrar várias vezes por causa disso.

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