Campanha Canção Escarlate – Sessão 09

Continuando o reporte da nossa campanha, com menos periodicidade do que eu gostaria (fazer o que se a falta de tempo não deixa), mas pelo menos jogamos num ritmo maior do que eu escrevo. As desventura dos nossos quatro heróis (bem, nem tanto) continuam pelo próspero, enorme e fervilhante reino de Samburdia. Quando pensaram que iam ter uma noite sossegada de beach party, os antigos colegas de gangue de Karsus apareceram…

Personagens:
• Delphyne Brannon (Elisa): feiticeira samburdiana nascida com um prenúncio de maldição.
• Karsus (Rafael): guerreiro, ex-bandido agora devotado a Khalmyr, portiano.
• Javier (Megaron): espadachim meio “espanhol”.
• Eeve/Ginger (Bianca): misteriosa dama samburdiana.
Para saber mais sobre a campanha, veja os posts mais antigos e a página no Obsidian Portal. Também foi uma sessão curta, mas trouxe o background de um dos personagens à tona e operou uma grande mudança na personalidade de outra, o que é sempre legal.

Cena 01: Papo de Macho
As fogueiras crepitavam com a alegre festa na praia da bela Ponta Branca, onde oferendas eram feitas à deusa da água Nerelin. Mas Karsus ouvia os tambores muito mais como um prenúncio de morte, fronte ao Bando da Caveira, seus antigos companheiros de gangue, que o traíram, o espancaram e deixaram na sarjeta. Não fosse a freira Leliana tê-lo acolhido, seria um homem morto. Há alguns meses atrás, quando Karsus, Moira e Javier faziam missões para a Ordem da Espada Justa (um ramo de guerreiros da igreja de Khalmyr da justiça), eles caçaram o Bando da Caveira até uma ilha, e os impediram de conseguir uma relíquia que roubariam de uma ruína perdida. Agora, o líder draconato Donaar tentava humilhá-lo com olhares lascivos para Delphyne e piadinhas sobre seus últimos encontros. Alheia a tudo isto, Eeve saiu do local com Balared, o meio-elfo, para prestar-lhe serviços remunerados.
Karsus não suportou as provocações – os dois guerreiros acabaram trocando socos ali mesmo, com Delphyne, o anão Klandrin e alguns convivas de plateia. Donaar subestimava Karsus o tempo todo, mas o portiano havia vivido e aprendido muito naquele tempo em que estivera longe do Bando. Além disso, tinha fúria incontida, e suas mãos martelaram o draconato até que este fez menção de sacar a espada, com o ego mais machucado que o corpo, mas Klandrin e o gigante Garek levaram seu líder para longe, deixando Karsus e Delphyne em paz.
Mas a noite não estava acabada. Javier, que cambaleava por ali, mencionou casualmente que Eeve saíra com Balared. Karsus imediatamente lembrou de algo alarmante: o meio-elfo era conhecido por espancar e matar mulheres, especialmente prostitutas! Eles tinham que encontrá-la, e depressa!
Considerações: uma característica padrão dos combates do Fantasytelling é a imprevisibilidade. Qualquer um precisa temer pelo seu traseiro, especialmente se o outro lado tiver golpes de sorte ou boas estratégias. Donaar é apenas um pouco mais forte que Karsus (porque tinha mais XP que ele quando o PJ era do Bando da Caveira). Mas o portiano ganhou bastante XP arriscando a vida e fazendo coisas memoráveis (lembrando: o bando não faz muito além de matar gente, roubar, chantagear, etc.). Além disso, Donaar luta bem com a espada e na briga usa mais força e truques sujos, enquanto Karsus é um pugilista (tem a Especialização Boxe e um bom valor da Habilidade Briga). Ainda por cima, Rafael teve sorte nos dados (e deu golpes espertos) e eu tive azar, então meu NPC foi humilhado! :D
Cena 02: Os Homens que não Amavam as Mulheres
Em um pequeno quarto de uma das estalagens locais, Eeve e Balared suavam ao som distante dos tambores da festa, fazendo a cama de palha ranger de forma ritmada. O meio-elfo era bruto e selvagem, mas Eeve era uma rameira em Mehnat, e marinheiros broncos com um pouco de ouro a mais não eram raros. Portanto, ela não desconfiou tanto quando ele começou a enforcá-la enquanto arremetia violentamente entre suas pernas. Mas a pressão começou a sufocá-la demais, e ela notou as reais intenções do homem quando sua máscara caiu: uma expressão lívida e assassina, que ela nunca mais esqueceria.
Uma prostituta precisava saber escapar de situações assim. Um instinto felino tomou conta de Eeve, fazendo-a unhar e se debater, lutando por sua vida. Acertou um jarro na cabeça do meio-elfo, e aproveitou-se da distração para deslizar pela cama e correr para a porta. Balared rapidamente se recuperou e atirou uma bota na cabeça da garota, deixando-a atordoada. Mesmo assim, conseguiu sair do quarto e saiu correndo pela rua, gritando por socorro. Mas o homem era um assassino treinado, e tinha ótima pontaria. Acertou em cheio uma pedrada na cabeça da pobre Ginger, deixando-a no chão, sangrando. Alguns socos crueis e ela estava desmaiada e morrendo. Largou-a em uma vala e se retirou, satisfeito…
Considerações: sim, nosso jogo tem momentos meio pesados. Essa cena fez com que Balared automaticamente fosse o NPC mais odiado que já tive nesses anos todos de RPG. Obviamente, meus jogadores são tranquilos com esse tipo de cena, que eu jamais faria com pessoas mais sensíveis. É o que sempre digo: conheça seus jogadores, e ninguém sairá do jogo se sentindo mal (a não ser que seja a intenção, como em jogos de horror).

Cena 03: A Vida é Injusta
A preocupação era visível no semblante de Karsus, Delphyne e até mesmo de Javier. Passaram boa parte da noite percorrendo toda a área da vila, incluindo uma boa faixa de praia, os bosques ao redor e as colinas além de Ponta Branca. Encontraram-na em uma vala, camuflada por arbustos, e tiveram certeza de que estava morta. Mas os deuses às vezes sorriem, e milagres acontecem: restava-lhe um último sopro de vida. Delphyne então usou uma boa dose de essência para um feitiço de cura, e Ginger foi salva. Karsus, lívido de ódio, iria acertar as contas com o monstro, e passou o resto da madrugada procurando o Bando da Caveira pelo vilarejo.
Ao acordar, Eeve chorou até suas lágrimas secarem no colo de Delphyne, e afirmou categoricamente que largaria a vida de prostituta depois daquilo. Por fim, pediu à feiticeira que a ensinasse a se comportar como uma dama, e adormeceu em seus braços. Javier ficou de guarda na estalagem onde as mulheres descansavam, sentado no telhado enquanto o dia amanhecia. 
Os pássaros cantavam quando Karsus encontrou o Bando arrumando os cavalos para partir. Donaar não queria mais problemas, mas o portiano tinha apenas um objetivo em mente, e exigiu que Balared lhe fosse entregue para pagar seu crime com sangue. O gigante Garek, um homem de pouca inteligência – de certa forma inocente – e que ainda gostava de Karsus lhe pediu para que ele desistisse. Mas o guerreiro o ignorou, sacou a espada e correu para uma batalha que considerava perdida – morreria de espada na mão. Saltou de uma carroça para o telhado, preparando-se para saltar por cima do bando e acertar Balared em um só golpe. 
Mas foi uma bravata no escuro: sem muito esforço, Garek agarrou-lhe pela perna e o derrubou no chão, nocauteando-o com um murro logo depois. O próprio gigante jogou o velho amigo ombro e foi deixar-lhe com os outros. Javier avistou aquele homem de mais de dois metros de altura, saído de algum circo e com cara de bonachão, e avisou Delphyne, que recebeu o desacordado Karsus e lhe curou os hematomas com um novo feitiço. 
Algumas horas depois, os quatro estavam deixando Ponta Branca em direção à capital Tandra, com o gosto amargo da derrota nas gargantas. Uma única fagulha, a da vingança pela morte da irmã de Delphyne, os mantinha em movimento. Mas uma coisa era certa: dia Balared pagaria o que lhe é de direito.
Considerações: mais uma vez a “zebra dos dados” se fez presente: Karsus avançou descuidadamente, movido pela raiva, e o grandalhão teve bons sucessos nos dados, acabando com ele em uma queda e um murro. Os jogadores se deram mal pra caramba nesta sessão, mas a vida é assim, às vezes dá merda, e o pessoal não precisa “ganhar” pra se divertir. Uma história bacana está sendo construída, com drama e tragédia, mas também momentos felizes (a parte alegre da festa, por exemplo, foi bem divertida de jogar). Mas há muita coisa para acontecer pela frente, à medida que eles vão sofrendo derrotas e angariando vitórias, e aprendendo a escolher suas batalhas. A pergunta que não quer calar é: será que eles vão acertar as contas com o Bando da Caveira? 
Até os próximos reportes!
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5 comentários em “Campanha Canção Escarlate – Sessão 09

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