Campanha Canção Escarlate – Sessão 11

Continua o relato da nossa querida campanha, as aventuras de quatro viajantes pela costa de Samburdia, um reino rico e cheio de perigos em um cenário de fantasia caseiro. Eles estão em busca de vingar sua antiga líder, encontrando vários percalços no caminho.

Personagens:
• Delphyne Brannon (Elisa): feiticeira samburdiana nascida com um prenúncio de maldição.
• Karsus (Rafael): guerreiro, ex-bandido agora devotado a Khalmyr, portiano.
• Javier (Megaron): espadachim meio “espanhol”.
• Eeve/Ginger (Bianca): misteriosa dama samburdiana, ex-rameira.

Na última sessão, nossos heróis chegaram a Belmonte, um pacato vilarejo de pescadores, escoltando um lenhador, e tiveram um jantar animado na sua casa (onde apresentei toda a fartura e o modo de vida samburdiano). De repente, ouviram uma balbúrdia e foram atrás de criaturas abissais, homens com cabeça de peixe que sequestraram alguns aldeões. A luta os deixou bastante feridos, e eles retornaram para receber cuidados da curandeira local.
Para saber mais sobre a campanha, veja a página da campanha aqui no blog, os posts mais antigos e a página no Obsidian Portal.

Edit: meu irmão Rafael Ramos (clique no nome dele para ir na sua galeria) fez um desenho iradíssimo da cena do ataque noturno, veja lá no fim do post e abra a imagem maior para babar nela :D

Cena 01: Vigília da Baía
Amanheceu um dia claro, ensolarado e quente em Belmonte. Thanara precisara apenas cuidar dos ferimentos de Delphyne que, com alguns feitiços de cura, logo estava de pé e curando Karsus, que apesar de teimoso, ainda estava dormindo. Ela, Eeve e Javier tomaram um desjejum rápido e correram para a praia – estava cheia de banhistas, e eles não demoraram a aproveitar a paradisíaca paisagem e o mar límpido. Karsus se aproximou no momento em que Javier saltava das grandes pedras-menires para se exibir para as duas garotas. Praias não eram para ele, no entando – nascera em Portian, uma nação com uma costa quebrada e de águas furiosas, e nunca aprendera a nadar.
Ao avistar Thereus, o xerife da vila, Karsus lhe pediu para conversar sobre o problema do vilarejo. O xerife então lhe pediu para encontrar-lhe na sua casa, perto do topo do monte, enquanto ele buscava o Senhor Randal, alcaide da vila. Ao chegar na casa do xerife, o portiano passou maus bocados com o tratamento caloroso de Eshara, esposa de Thereus. Ela estendia roupas à sua chegada, e com alguns abraços, sorrisos, abraços e poses, logo o guerreiro achava que a bela e formosa mulher o tentava. Assim, preferiu chamar o resto do grupo para não ficar sozinho com ela.

Com todos na casa do xerife, discutiram sobre os monstros-peixe. Delphyne mencionou o que lera sobre tais criaturas, servas de um monstro terrível chamado abolete, uma criatura estranha e alienígena com poderes mentais horrendos, semelhante a um peixe com tentáculos. Karsus sugeriu que eles buscassem ajuda na capital Tandra, mas Thereus sabia que Belmonte não teria tempo e dinheiro – porque provavelmente a coroa enviaria mercenários e pagaria apenas metade do custeio – para esperar a cavalaria, e ele mesmo reuniria alguns homens para caçar as criaturas. Sentindo o cheiro de desastre e sensibilizado, o grupo decidiu ficar e ajudar.

Considerações: uma coisa que gosto de fazer nos meus jogos, é apresentar as particularidades do cenário de forma orgânica (como já falei aqui), dentro de jogo. O pessoal vai se familiarizando com o mundo ao vivenciá-lo, e a identidade de cada local fica na cabeça deles. Nesse caso, todos sabem que Samburdia é um reino rico e estereotipado (paraíso tropical rico e cheio de gostosas sem-vergonha), mas na verdade é cheio de problemas. As praias são realmente fantásticas, a comida é farta e as pessoas são amigáveis e calorosas. Isso dá um choque cultural legal, o tempo todo os estrangeiros do grupo acham esquisito os samburdianos tocarem tanto, serem relaxadas com certas questões e tudo mais.
A cena de Karsus com a esposa do xerife foi engraçada demais, porque ele é comprometido (com Eeve, a personagem de Bianca), considera Thereus um cara legal, e não gostaria de lutar com ele (é um cara grande, e aqui não é D&D, como sabemos). Como eu costumo pegar referências de atores para ilustrar NPCs, a galera pirou com esse casal: Jason Momoa, que é fortão e tal, e Roselyn Sanchez, uma latina gostosona.
Praias paradisíacas

A propósito, o leitor pode achar que aqui eu incorri de railroad (e vivo falando que curto sandbox e tal), mas na verdade a situação estava lá, se os PJs resolvessem sair dali e deixar o povo de Belmonte à própria sorte, eu não ia ficar jogando eles de volta para o plot – eles iam continuar viagem e parar em Tandra sem problemas, e com certeza só teriam notícia do acontecido posteriormente. Mas eles se sensibilizaram com o caso, e a honra falou mais alto para Karsus, que quer se redimir aos olhos do deus da justiça.

Cena 02: Um Plano Perfeito
Segundo Thereus e Randal, a suspeita geral era de que os homens-peixes, que Delphyne mencionara se chamarem skums, vinham de um conjunto de grutas marítimas em um pontal, chamado de Cavernas da Lamúria, não muito longe dali. Assim, ficou concordado que Javier se juntaria a um jovem pescador local chamado Squal para espionar o lugar. Mas primeiro era preciso encontrá-lo (ele não viera à reunião), e todos saíram para procurar. Delphyne o encontrou dormindo sob a sombra de uma palmeira, e lhe atualizou. O espadachim resmungou, retrucou mas por fim concordou.
E então, poucas horas depois, Javier e Squal se postaram em um ponto alto entre as árvores, e passaram a tarde observando as cavernas, que perfuravam uma grande barreira. Como Squal não falava o idioma de comércio, a única maneira que os dois encontraram para passar o tempo foi jogar futebol com uma bola de couro, um jogo que Javier conhecia pouco, mas que o fascinava (já que fora um pirata acrobático e visitara muitos portos). 
Ao cair da noite, finalmente avistaram seres humanóides saindo de uma das bocas-de-gruta. Mas não eram skums – eram dois dos pescadores desaparecidos! Com sinais significativos, os dois desceram silenciosamente a barreira e se esgueiraram até os dois homens, que montavam guarda na entrada das cavernas. Porém, Squal pisou em uma rã (que morreu com um solfejo triste) e foi visto, e um dos pescadores lhe deu perseguição! Os dois desapareceram na mata. Javier aproveitou o momento e deu com o copo da espada na têmpora do segundo homem, nocauteando. Pôs o pescador no ombro e decidiu ir ver se Squal dera conta do primeiro pescador – o jovem o despistara, e assim os dois decidiram retornar logo a Belmonte.
As grutas

De volta ao vilarejo, foram cercados pelos aldeões e pelo grupo, e lhes disseram a terrível verdade: os pescadores estavam virando força de trabalho para os monstros. Acordaram o pescador resgatado, que parecia catatônico – segundo Delphyne, um estado de dominação mental, o que confirmava a presença do abolete. A feiticeira então se preparou para tentar quebrar o controle (embora o homem não recebesse comandos tão distante das cavernas), e de fato conseguiu. Ao acordar, o aterrorizado homem tinha ainda uma revelação a fazer: ainda nesta noite, Belmonte seria alvo de um ataque massivo dos homens-peixe!

Considerações: tá pra nascer um sujeito mais boa-vida que Javier Montoya, hehehe. E sim, pra quem não sabe o futebol é um esporte bem antigo, só que na idade média era mais violento ainda. Como aqui é fantasia, podemos pegar o elemento bacana do esporte e dizer que aqui em Samburdia, as pessoas são mais pacíficas com ele.
Na cena com os pescadores, novamente me surpreendi positivamente com o sistema. O NPC rolou uma falha dramática (você não tem nenhum sucesso e ainda tira um ou mais “1”) e foi automaticamente detectado pelos inimigos, mas como o PJ estava vindo do outro lado e teve um êxito no teste, automaticamente pôde realizar um ataque pelas costas (parada de ataque + índice na habilidade Furtividade) no pescador distraído (surpreso, logo sem Defesa); a quantidade de sucessos de dano possíveis é absurda, e o pescador tem Vitalidade 4 (figurante), logo, man down com um só golpe e sem stress.
Cena 03: Problemas no Paraíso
Aquela seria uma noite difícil para Belmonte. Thereus, os guardas e o grupo levaram todos os aldeões para trás dos muros da casa do alcaide Randal, um casarão senhorial rodeado por terraços amplos, um grande pátio aberto com jardins e pomares e muros altos de pedra, no topo do monte que nomeia a vila. Em seguida, montaram uma linha de defesa, organizando homens nas passarelas do muro e distribuindo arpões, facões e machados para quem podia lutar. Resolveram então aguardar, e acenderam fogueiras no pátio para jantar e tentar não lembrar que a morte vinha do mar. Contaram algumas histórias, e tiveram momentos vagamente divertidos, especialmente quando Karsus admitiu que achava que Eshara estava tentando seduzi-lo – Eeve não ficou feliz, mas o casal nativo só deu risada. Ao portiano, aquele povo era muito estranho.

Karsus e Thereus defendem Belmonte

Eis que de repente e sem aviso, um dos homens teve o pescoço varado por um arpão com ponta de espinha de um grande peixe e caiu morto. Era o ataque! Imediatamente Karsus e Thereus correram cada um para uma ponta da muralha, gritando ordens para não deixar as criaturas se aproximarem. Surpreendentemente os skums eram hábeis escaladores, e começaram a subir três metros de muro com agilidade impressionante, e logo estavam nas passarelas, mordendo e rasgando com suas garras. 

Javier subiu à sacada da mansão e começou a arremessar garrafas flamejantes previamente preparadas, pondo fogo em alguns monstros. O portiano dilacerava gargantas e partia ombros com furor e mal sentia os arranhões, uma vez que já conhecia o modo de lutar dos monstros. Eeve começou a imitar Javier, jogando frascos de óleo e tochas nas criaturas para que queimassem mais depressa, junto com Delphyne – que queria evitar gastar suas últimas forças fazendo feitiços (depois das broncas de Karsus sobre seu vício em magia, que sempre prejudicava a todos e a ela mesma).
Assim, após perder alguns dos seus, os skums bateram retirada, fugindo em massa para o mar. Karsus, dominado pela fúria do combate, tentou incitar Thereus a dar perseguição àquelas odiosas criaturas – mas o xerife sabia que eles não durariam, afinal eram apenas três guerreiros e alguns poucos homens corajosos contra monstros dotados de armas naturais e em maior número. Assim, convenceu o portiano a ficar, honrar os mortos e comemorar a pequena vitória com cerveja e vinho.
Considerações: cena muito tensa e emocionante, com direito a coquetel molotov e tudo, hehe! Eu andava meio ressabiado com combates usando miniaturas, mas neste aqui era necessário. Simulamos a casa do alcaide (que lembra aquela casa do prefeito de A Balada do Pistoleiro), atribuí miniaturas genéricas para homens e skums nas áreas periféricas (cujo combate eu simulei com as regras de enxames e bandos do meu sistema, que basicamente contava cada lado como uma só criatura; o bando que perdesse toda a sua Vitalidade era derrotado, de alguma forma; no caso foram os skum, que fugiram ao perder vários integrantes e ver que a batalha estava perdida), e deixava alguns para ser atacados pelos PJs. 
Eu ainda usava uma regra de Fadiga como “barra de energia” na época, e Karsus se machucou pouco – mas tenho certeza que com a minha regra atual, onde os protagonistas e personagens importantes possuem uma reserva de sorte/fadiga/talento para evitar ataques e fazer coisas extraordinárias (depois posto aqui isso), o resultado não seria tão diferente. Mesmo assim, correr atrás dos skums seria loucura, porque só Thereus, Karsus e Javier são guerreiros decentes (e Delphyne quase não tinha mais Essência, a “mana” do jogo), e ainda restavam uns nove monstros, e tenho que repetir isso sempre, aqui a coisa é mais mortal que D&D. :D
Nas próximas sessões, a situação fica ainda mais feia para os PJs, com assassinatos, revelações horrendas e deuses antigos! Não perca :D
Anúncios

8 comentários em “Campanha Canção Escarlate – Sessão 11

  1. Legal Dan!

    Desde o fim da campanha 'Sangue & Glória” em Tormenta, não faço um relato de campanha. Embora dê muito trabalho, é uma satisfação inominável, especialmente, porque vemos que a história tá caminhando, e as tramas se desenvolvendo.

    Parabéns pelos relatos, acompanhando.

    Abraço

    Curtir

  2. Opa, companheiro! Que bom que vc não ficou ressentido por conta da treta lá :)

    Rapaz, a Sangue & Glória deixou muita saudade! E se você disponibilizasse o material que criou como material de campanha lá no Vila? Ia ser massa!

    Valeu por acompanhar!

    Curtir

  3. Mais um reporte bacana!

    É sempre legal ver como a mortalidade isentiva os jogadores a serem criativos e tentarem superar os desafios cada vez com mais sagacidade e improviso, sempre gerando situações inusitadas.

    Curtir

  4. Nada cara. Temos tantas preocupações com a vida pessoal e trabalho, que esquentar com bate papo sobre RPG é bobagem. O jogo só me trouxe boas amizades, e com certeza a galera da Redbox são parceiros de batalha.

    Pois é, tinha muita coisa relacionada à campanha, especialmente, muita coisa detalhada sobre Tyrondir. Acontece que resolvi esperar o que vem na caixa, que atualiza o cenário, para saber o que foi descrito, e não. Dependendo, solto o que escrevi, com as estatísticas.

    Uma coisa ruim, pra mim, do mercado nacional, é que tem muita coisa boa, e fico em dúvida sobre o que narrar. Estou em uma dúvida mortal se começo uma campanha de Tormenta, ou Dragon Age.

    Curtir

Dê um pitaco, não custa nada

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s