Campanha Canção Escarlate – Sessão 13

Mais um reporte da nossa mais nova campanha de fantasia, em uma longa e frenética sessão! No rico e bagunçado reino de Samburdia, a feiticeira Delphyne Brannon (Elisa), o guerreiro Karsus (Rafael), o espadachim Javier Montoya (Megaron) e a aprendiz de arqueira Eeve (Bianca) buscam vingar sua antiga líder, morta por um mago das sombras. Para saber mais sobre eles, a página do grupo está no menu do blog. Novamente, meu irmão Rafael fez o grande favor de desenhar a ilustração principal do capítulo, dessa vez com cores fodas. E temos uma ilustra exclusiva da criatura abissal/homem-peixe/skum, diretamente do quarto preview do Bestiário do Old Dragon, dá uma sacada lá no Redblog!

Anteriormente, os heróis ajudavam o vilarejo de pescadores de Belmonte contra os abissais homens-peixe que estavam sequestrando os aldeões. Eles descobriram que o mestre daquelas criaturas era um abolete e espionaram o covil dos monstros, salvando um pescador que os avisou de um ataque noturno. Então, defenderam a mansão do alcaide em um cerco feroz, e decidiram se infiltrar nas cavernas da lamúria, a rede de grutas marítimas onde os monstros se escondiam. No caminho, o jovem amigo do xerife Thereus foi morto por um assassino (estranhamente) humano.
Na sessão 11, os próprios PJs haviam perguntado a Thereus se havia uma entrada secundária para eles invadirem o local furtivamente. Me inspirei no livro Devoradores de Mortos (e do filme 13º Guerreiro), e ele sugeriu uma gruta submarina em um penhasco lateral. Mas eles precisavam entrar por baixo da rebentação, algo no mínimo perigoso. Então Delphyne deu a ideia de um feitiço para fazê-los respirar na água, o que diminuiria os problemas. Ela até poderia fazer mais coisas (como nadadeiras), mas precisava guardar sua Essência (a “mana”) para o abolete. Além disso, queria diminuir seu vício em magia, que sempre lhe metia em encrencas.
Leitores que curtem o Mythos vão notar minha enorme inspiração em Shadow Over Innsmouth, uma história de H.P. Lovecraft, especialmente na relação da vila costeira com os deep ones e a menção à entidade Dagon. Os atentos perceberão mais semelhanças do que eu vou deixar transparecer, o que vai deixar meus jogadores com pulgas atrás da orelha quando lerem esse post, hehe.
Cena 01: Sozinhos no Escuro
Clique para ampliar!

O grupo chegou à borda do penhasco. Uma olhada lá embaixo causava vertigens a todos, embora os guerreiros não admitissem. Eles fizeram o seguinte: Karsus amarrou Eeve à sua frente com cordas, ao estilo pára-quedista iniciante, e o xerife Thereus fez o mesmo com Delphyne (o que rendeu um monte de piadinhas do pessoal sobre a “intimidade” dos dois; se você olhar os desenhos, Del é inspirada em Emilia Clarke e Thereus em Jason Momoa, então dá-lhe “uuui, Drogo e Daenerys”). O malandro Javier foi obrigado por Karsus a ir antes de todos, só para o caso de pensar em desistir. Após Delphyne conjurar o feitiço (todos ficaram com guelras), eles amarraram uma corda numa árvore e desceram de rapel até um rochedo perto da rebentação; em seguida, mergulharam e lutaram bravamente contra a violentíssima correnteza (testes prolongados com fortes penalidades; eles não podiam se afogar, mas o repuxo das ondas propiciava um combate feroz). Thereus, Javier e Delphyne emergiram em uma gruta no outro lado; Karsus e Eeve ficaram presos em uma rocha solta, mas Karsus se soltou e se juntou aos outros. Eles estavam dentro.

Eles se esgueiraram por túneis escuros, tateando as paredes cheias de musgo. Foi bem tenso, com trilha sonora de suspense e tudo. Mais à frente, viram uma fraca e bruxuleante luz, e se aproximaram com cuidado. Dois skums se admiravam com uma tocha acesa, largada no chão (minha ideia era os personagens começarem a sacar que havia humanos aliados aos monstros – especialmente contando com o assassino na última sessão -, mas não sei se eles captaram). Karsus achou engraçado e acabou alertando os monstros sem querer, e eles os mataram com golpes ligeiros para não denunciar sua posição. Porém, no meio da luta, um enorme tentáculo negro surgiu do corredor à frente e arrebatou o primeiro que encontrou – Thereus -, levando-o embora (como naquela cena do filme Hellboy). Os jogadores ficaram desesperados!
Cena 02: Procurando Thereus

Os companheiros correram ao socorro do bom xerife, chegando até uma grande caverna, com uma gigantesca massa de tentáculos negros que se projetavam de um lago de água escura – tensão total na mesa. No Fantasytelling, que é mais “gritty” (adorei esse termo), muitos monstros são muito difíceis, se não impossíveis, de se matar na porrada. À medida que os personagens decepavam tentáculos feitos de pura sombra e eram agarrados pela treva (e os jogadores começavam a se apavorar), Elisa/Delphyne ia chegando à uma conclusão. Ela se concentrou e, tirando magia e determinação do fundo do seu ser (ou seja, gastando Essência e Vontade a rodo :D), dissipou aquilo que na verdade não era um monstro, e sim um feitiço poderoso da Esfera de Trevas. Restava o lago subterrâneo, mas nada de Thereus. Eles procuraram o amigo (Delphyne usou um feitiço para ficar com faro de lobo) até chegar a um outro lago com um altar e uma estátua horrenda, simplesmente alienígena. Delphyne, que estudara um pouco sobre entidades de outras dimensões na época que morava com o tio mago, informou que aquele era sem dúvida Dagon, o Leviatã.

Tiveram pouco tempo para pensar em como skums construíram um templo, porque um esquadrão inteiro de skums se aproximou e eles tiveram de se esconder no lago – aquilo estava ficando mais perigoso. Javier foi mandado sozinho por ser mais furtivo; viu skums e humanos escravizados, e viu um estanque com um colar de ouro no fundo (a velha tentação). Um siri do tamanho de um porco o atacou e ele fugiu, bem a tempo de encontrar o grupo, que viera atrás dele. De repente decidiu que queria mesmo o colar, despistou o crustáceo e mergulhou no lago. A criatura atacou então Karsus, pinçando sua perna, mas o guerreiro decepou-lhe a pata e ele fugiu. Javier pôs o colar no pescoço (rezando para não morrer ou virar lagartixa :P) e eles seguiram em frente.

Várias vezes durante a exploração, Delphyne ouvia um sussurro gutural na sua mente, tentando forçar alguém (que não era ela) a aceitar “o Dom do Leviatã”. Houve uma leve desconfiança com o que aconteceria a seguir, especialmente dos jogadores, que ficavam cada vez mais aflitos.

Cena 03: Tragédia nas Profundezas 
Ao chegar a uma caverna com um lago de águas turvas e repleta de skums, os personagens se esconderam. Quatro tentáculos se projetavam do lago, em um balanço quase hipnótico. Alguns skums eram grandes como bugbears, e também havia uma mulher mal-encarada de armadura e um homem baixo usando um justilho de couro (revolta geral na mesa ao reconhecer o assassino do jovem na floresta).

Mas o pior estava por vir: Thereus estava ajoelhado, preso pelos braços por dois dos homens-peixes maiores, completamente grogue. A voz acolhedora não saía da cabeça de Delphyne, e de repente ela entendeu: o xerife começou a sofrer espasmos e lentamente se transformar em um daqueles grandes skums, bem diante dos olhos dos heróis! Certas cenas são ótimas por conta da carga dramática, mesmo que os jogadores se sintam impotentes e arrasados. Thereus era um bom homem e já um amigo, e perdê-lo os deixou irados com o abolete. O engraçado é que foi aleatório, e poderia ser um deles ali. Eles ainda poderiam chegar a tempo de salvá-lo se não tivessem peitado a criatura de sombras. Pior: Delphyne estava esgotada por ter desperdiçado sua Essência com todos os feitiços (especialmente nos tentáculos de sombras), e ferida. Assim, quando os monstros foram embora, Karsus e Javier mergulharam no lago para ir atrás do abolete (o lago seguia por um túnel até outra caverna), e Eeve ficou com a feiticeira. O pior ainda estava por vir.

Na caverna do abolete, com pouca terra seca, Karsus e Javier foram rapidamente afetados pelos poderes mentais do monstro (eles tinham poucos dados para resistir). O portiano avistou Madre Leliana, a sacerdotisa que o motivara a se redimir, e Javier viu seu pai Inigo, que achava estar morto (para mais detalhes, veja a página da campanha, no menu do blog). Seus “entes queridos” conversavam com eles enquanto entravam no lago, e eles os seguiram. Karsus quebrou o controle antes de se afogar (e eu nem usava a regra de Sorte ainda!) e levou Javier, já desacordado, de volta à margem. Lá, pegou uma poção mágica dos bolsos do espadachim e lhe salvou a vida. Quando o monstro finalmente se mostrou, Karsus lançou-se em um ataque furioso e decisivo e lhe furou um dos olhos com a espada (um monte de sucessos em um ataque localizado). Porém, a criatura ainda não estava morta, e quatro pancadas de seus tentáculos nocautearam o guerreiro. Antes de desmaiar, ele teve certeza de ouvir o abolete reclamar que Randal não havia avisado que ele seria atacado.
Enquanto isso, as garotas cansaram de esperar e os seguiram. Aconteceu a mesma coisa (azar mesmo), e as duas viram seus dois colegas. Ao abordá-los, simplesmente foram atacadas! Delphyne “morreu” decapitada por Karsus, e Eeve “morreu” trespassada pelo espadim de Javier. Nesse momento, o grupo ficou uns dois minutos abismado com o provável Total Party Kill – não com raiva do narrador, mas puramente uma sensação nova de gelo no estômago. Vou confessar a vocês que isso nunca tinha me acontecido antes. Mas ainda não era o fim, e eu nem precisei forçar a barra.
Cena 04: Medidas Desesperadas
Javier acordou e viu Eeve e Delphyne desacordadas do lado. A cena era praticamente uma repetição da anterior, com Karsus no lugar de Thereus. Era a pior enrascada que o espadachim já se metera, e ele precisou pensar rápido (e Megaron, o jogador, é bom nisso). Se esgueirou pela caverna e prendeu algumas pedras numa saliência ao lado de uma saída, de modo que desmoronassem em quem retirasse a pedrinha de escora. Acordou as duas, e lhes contou seu plano: Delphyne tentaria uma distração, enquanto ele pegava Karsus. A feiticeira começou a recitar e conjurar a magia, ainda exausta, e um skum ouviu seus murmúrios – ela rapidamente se fingiu de morta, e o monstro caiu! Coitado, tinha dois dados para notar a farsa. Ela então conseguiu terminar o feitiço, e todo o musgo da caverna ganhou vida e uma forma vagamente humanoide, atacando os skums. Além de toda a tensão natural da cena, os jogadores foram do nervosismo à exultação, porque Delphyne precisava de cinco sucessos; a cada teste Karsus ficava mais perto de começar a se transformar, e ela conseguiu no último minuto! 
O skum do Bestiário Old Dragon!

A distração serviu para Javier pegar Karsus e acordá-lo, e todos correram em direção ao túnel com as pedras. Um skum grande lhes deu perseguição, mas outro de repente o agarrou, e os dois começaram a lutar. Era Thereus, mantendo uma fagulha de humanidade mesmo que transformado em monstro. O grupo vibrou nessa cena! Javier soltou as pedras e eles mergulharam no lago onde ele achara o colar, uma outra saída daquele pesadelo subterrâneo. Porém, no meio do caminho, passaram por uma grande câmara, onde viram dezenas de homens com armas e armaduras padronizadas, e a minoria deles era de Belmonte – o abolete estava preparando um exército, mesmo que Delphyne tivesse certeza de ter lido que o monstro não podia dominar tanta gente assim…

Esta foi uma das sessões mais intensas e dramáticas que tivemos. O engraçado é que eles “perderam”, de certa forma, mas ficaram felizes em escapar com vida. Isto provou de uma vez por todas que a vida no Fantasytelling é dura. Eu cheguei a ter alguns problemas com o sistema recentemente (basicamente, minha indecisão em relação a alguns termos), mas o clima das histórias proporcionado por ele é exatamente o que eu procurava. E claro, o pessoal se empolga cada vez mais com a campanha, especialmente com os eventos que vieram depois (e vocês vão ler nos próximos reportes). E a pequena informação que Karsus ouviu do abolete antes de desmaiar ainda vai dar muito o que falar!

Imagens: Rafael Ramos, Woodrow J Hinton III, Wizards of the Coast, Redbox Editora.

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10 comentários em “Campanha Canção Escarlate – Sessão 13

  1. Que sessão invejável… Parece que dá pra ver a cara dos jogadores rs… Muito legal =D…

    Muita gente reclama (pricipalmente jogadores do D20)sobre o sistema de combate do d10, mas ainda nao vi sistema melhor para cargas dramáticas. Os jogadores vão literalmente do céu ao inferno em um lance de dados…

    obs: Pensa em liberar o Fantasytelling para o público =P ?

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  2. Mano, sensacional cara.

    Muito bom mesmo, me pareceu que vc teve um ótimo controle sobre as cenas, momentos dramático e timing de jogo.

    Muito bom mesmo.

    Mas, pelo que me parece, eles não estão muito no calço dos seus problemas pessoas ok? Parece que estão envolvidos com algo maior…

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  3. Mais um reporte de sessão foda! Concordo com o Brenno, nada como um clima bem cthulhesco.

    Vou aproveitar e pedir pela continuação do reporte de “A Vila de Hommlet” :)

    Abraços!

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