Vikings, uma série sensacional

Up onto the overturned keel,

clamber, with a heart of steel,
cold is the ocean’s spray…
And your death is on its way,
with maidens you have had your way,
Each must die some day!
Sou completamente maluco por fantasia medieval e ficção histórica (especialmente idade média e época dos celtas, saxões e escandinavos). Devoro cada livro de Bernard Cornwell como se não houvesse amanhã (estou terminando Morte dos Reis, que ganhei de aniversário), e obviamente tenho uma porção de campanhas de fantasia. E aí me apareceu a History Channel, essa linda, com uma série que esperei mais que O Hobbit (é sério): Vikings.

Criada por Michael Hirst (The Tudors) para o History do Canadá, esta série canadense-irlandesa é filmada na Irlanda e inspirada nos contos sobre Ragnar Lothbrok, um dos heróis nórdicos mais famosos e um dos mais temidos vikings (ao menos para a França e Britânia). Ela retrata um Ragnar fazendeiro que arranja uma maneira de velejar para a Inglaterra/Britânia – quando todos os saques eram feitos no leste, e todo mundo achava que só tinha mar aberto para o oeste – junto com alguns companheiros, incluindo seu irmão Rollo (inspirado no personagem histórico que viria a ser o duque da Normandia) e sua esposa badass Lagertha, no barco construído pelo seu amigo Floki (que lembra muito um druida). 
Como a série não chegou nem perto de passar aqui no Brasil, muita gente ficou meio com um pé atrás com ela (até porque no nosso History chegam muitas séries de qualidade duvidosa), mas podem ficar tranquilos: é a melhor série histórica – sim, melhor que Roma – que eu já vi. É tão boa que devia ter apenas nove episódios, mas parece que a emissora já confirmou uma segunda temporada, com dez episódios, para 2014!
Os contos de Ragnar e outros chefes nórdicos são muito misturados com ficção e desencontrados, graças à tradição oral; basta ver a quantidade de versões de Beowulf, incluindo uma que considero bem acurada: Devoradores de Mortos um relatório compilado em livro por Michael Crichton. Assim, temos uma boa licença poética aqui, mas a história é extremamente respeitada no tocante aos costumes, figurino, cenários e crenças da época, e no geral traz eventos que realmente aconteceram, como a pilhagem ao monastério de Lindisfarne (se você acha que isso é spoiler, vai estudar), que iniciou a Era Viking.

Assim, temos um enredo muito consistente e uma continuidade muito boa – eles começam falando norse e depois falam um inglês com muito sotaque, pra gente entender que eles estão falando outro idioma. Quando nórdicos encontram saxões, vemos o choque de linguagens, entre outros detalhes muito bacanas. A violência, como não poderia deixar de ser, é brutal e verossímil, com uma carga de testosterona que leva qualquer fã do gênero à loucura. Nada é amenizado ou deturpado – escravos são usados, a intriga rola solta e ícones cristãos são depredados (sem julgamentos aqui). Vai por mim, quando você assistir a primeira parede de escudos, vai ficar gritando feito um doido. :)

Quanto aos personagens, só alegria. Ragnar (Travis Fimmel) é um sujeito forte, jovem, cínico e muito inteligente, e você vai percebendo isso à medida que a trama se desenrola. Rollo (Clive Standen), seu irmão, é o típico brutamontes que não quer ficar à sombra do herói, mas ainda é leal a ele. Lagertha (Katheryn Winnick, coisa linda!) é a esposa durona de Ragnar, que mostra logo que mulheres nórdicas defendem sua casa com unhas e dentes – ela é, também, uma grande shieldmaiden (e esta é sua alcunha). Floki (Gustaf Skarsgård) é um carpinteiro maluco de pedra, meio curandeiro, meio místico e meio ladino (olha o nome do rapaz, como parece o de um certo deus), que constrói o barco inovador que promete levar os nórdicos à Inglaterra. Por fim, temos o monge Athelstan (George Blagden), um personagem muito legal cuja importância só cresce; o Earl Haraldson (Gabriel Byrne), um conde que desde o início você sabe que será um safado – afinal, é normal aos escandinavos o que eles chamam de astúcia (safadeza) e o grande e fodão Erik (Vladimir Kulich), figurinha tarimbada viking e muuuuito moral na série.

Para finalizar, temos um elemento levemente sobrenatural na história, que ilustra todo o mito dos nórdicos (é quase impossível separar a mitologia da história desses povos; o filme Troia tentou e deu no que deu). Logo no começo do primeiro episódio, incluindo um seiðmann (uma espécie de feiticeiro) que faz profecias enigmáticas.

Além de tudo, a série tem uma grande abertura, com a sensacional música “If I Had a Heart” da sueca Fever Ray. E a trilha, nem se fala! Saca aí a abertura:

Pra mim, o único problema de Vikings é ter me deixado (e aos meus jogadores) empolgado demais e querendo rolar imediatamente uma campanha do tipo! Assim, fico lamentando que minha Dragões da Guerra encontrou um final abrupto porque os jogadores não davam certo jogando juntos.
Se você não conhece esta excelente série, corra atrás!
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16 comentários em “Vikings, uma série sensacional

  1. Estou cada vez mais empolgado com a série. Não sei nem dizer qual aspecto curti mais, simplesmente me fascinou!

    Ao final dessa temporada planejo adaptar os personagens para Old Dragon de acordo com o que rolou no seriado até então, e ir atualizando conforme a história for se desenrolando. :D

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  2. Que massa! Também me empolguei demais com essa série. Os primeiros episódios foram meio fraquinhos, mas agora a série está engrenando.
    Mas isso não importa, pois que é FODA nela é o cenário. Sempre tive bastante curiosidade com o povo nórdico, principalmente na era viking, e a série está sendo excelente pra isso. Tanto que estou lendo o Mythic Iceland só para me inspirar de mestrar um Burning Wheel Vikings em um futuro próximo.
    Mas me diz uma coisa: eu nunca li nada do Bernard Cornwell (eu sei, eu sei…). Tem alguma coisa dele em especial que você recomenda para novatos? E melhor ainda, tem alguma coisa dele sobre os nórdicos?

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  3. Rapaz, pra mim os primeiros episódios foram sensacionais por apresentarem bem o cenário, no ritmo certo. Pra mim, que sou fã da época, dos costumes e do cenário, desde o começo ela engrenou. :P

    Sobre Cornwell, a série de vikings/saxões dele (e a melhor na minha opinião) é Crônicas Saxônicas. Eu até recomendaria Agincourt como leitura inicial, mas acho fraquinho, então o negócio é encarar uma série maior mesmo. Mas ele tem um sério defeito, ao menos pra mim: o protagonista é sempre um cara velho contando os dias da juventude, quando foi crescendo em importância e ficando fodão, apesar de não ser um grande nome histórico. É uma espécie de “protagonista genérico”, pra passear por toda a história bacana do livro. Assim, pra mim o melhor é Uthred (Crônicas Saxônicas), que tem o melhor histórico e a melhor desenvoltura enquanto personagem.

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  4. Gostei demais da série até o momento. Estou mais empolgado com ela do que com GoT, pois uma série SOBRE VIKINGS era algo que eu não esperava!
    Além das Crônicas Saxônicas, tu recomenda alguma outra sobre sobre Vikings?

    Fiquei surpreso também ao saber que Ragnar 'realmente existiu'. Sabia que o nome era Nórdico (por causa de Ragnar de Tormenta), mas não que era esse cara da série. Há algum livro sobre ele?

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