Conto – Big Problem in Little Ostagar

Aqui um pequeno reporte romanceado de uma sessão de Dragon Age RPG que jogamos no último sábado, para situar um jogador (e porque me deu vontade, hehehe). Basicamente somos personagens de 4º nível que salvaram a vila de Vintiver (a aventura que vem no Guia do Mestre), fomos assaltados e nocauteados por um bando de bandoleiros e acordamos na vila de Leinster, onde nos envolvemos com uma praga cinzenta (a primeira aventura do Sangue em Ferelden) e nos metemos com os chasind, bárbaros florestais na fronteira sul de Ferelden (Morrigan é uma chasind). Meu personagem é um anão ladino exilado (duster) que serve o Bann Teagan e foi “emprestado” para servir o Ser Garrick, capitão das forças de Redcliffe e pai da guerreira nobre Kelsie (Bianca) em uma missão: levar a elfa maga do círculo Fiora (Renato) para investigar a vila de Vintiver, que ela viu em um sonho. Lá conhecemos um lenhador chasind que chamamos de Cenoura (Elisa), que começou a namorar Kelsie e virou nosso amigo. Mais tarde, após resolver a praga cinzenta, conhecemos o cavaleiro Ser Kenan (Diego), irmão de Kelsie vindo de Redcliffe para encontrar a irmã a fim de juntos resolverem um assunto familiar.

Após desventuras com os chasind nas florestas korcari, os companheiros regressavam a Redcliffe no passo mais rápido que conseguiam. Cenoura tinha um ferimento cicatrizando nas costelas, e o vento frio já denunciava que o inverno estava vindo. Eles precisavam alcançar Ostagar, a majestosa ruína tevinteriana, para tomar a Estrada Imperial e chegar rapidamente ao seu destino. Ostagar era uma enorme fortaleza incrustada em dois montes escarpados, na fronteira entre os Ermos Korcari e o reino de Ferelden. O vento soprava em seus corredores e câmaras vazios a maior parte do tempo, porque ela era grande demais para ser ocupada, e só era preciso se aquartelar nela quando havia alguma ameaça nas porções sul da terra.
Os viajantes ficaram impressionados ao contemplar aquelas ruínas seculares, embora Faldrik, jamais despojado da impáfia anã, não admitisse. Vieram pelo reito do rio seco entre os dois montes, a forma mais comum de acessar o território vindo do sul. Os irmãos Kelsie e Ser Kenan, que lideravam a comitiva, organizaram uma pequena expedição para averiguar a enorme fortaleza e se certificar de que era seguro passar a noite ali – era contra a lei ocupar Ostagar sem ordens oficiais, mas aquela área era perigosa e não seria o primeiro encontro com bandidos para os companheiros.
Assim, Cenoura e Faldrik seguiram para a ala oeste através da grande ponte que ligava os dois morros, Kelsie e Ser Kenan foram em direção à Torre de Ishal – o maior farol que Thedas já viu -, e Fiora ficou com o cachorro Martelo em um dos pátios abertos do lugar.
Mal alcançaram os torreões que se abriam para o pátio da ala oeste, Faldrik e Cenoura ouviram alguém derrubar um fardo de lenha no chão e correr para trás dos pequenos muros que separavam os salões despojados de seus tetos. Eles se esgueiraram e pararam atrás de uma mureta, e o chasind gritou para quem quer que fosse, se revelar. Uma voz grave gritou provocações em resposta, e os dois instantaneamente reconheceram o sujeito grandalhão que surgiu, um machado na mão esquerda e uma maça na direita: era Barteau, um dos salteadores orlesianos que os haviam assaltado e nocauteado na estrada, há algumas semanas!

Ele gritava por combate, e Cenoura lhe deu, investindo com giros de seu grande machado de lenhador. Faldrik se esgueirava para sangrar Barteau pelas costas, atento aos outros facínoras do bando, quando o arqueiro Jaime disparou, de trás de um pilar, uma flecha que ficou enganchada na malha de Cenoura. Como já estava quase saltando no grandalhão, o anão terminou seu movimento e bateu armas com Barteau. O homem precisou ser rápido para defender os golpes de Cenoura, enquanto Faldrik assobiava para chamar Martelo e Fiora e corria em direção ao arqueiro. Jaime disparou e a flecha passou de raspão no colete de couro fervido de Faldrik, que devolveu o tiro arremessando sua adaga e cortando fora dois dedos da mão que segurava o arco. O arqueiro largou a arma e caiu para trás, gritando. Enquanto isso, Cenoura girava a arma descomunal e obrigava Barteau a se defender dos golpes fortes, mas o orlesiano era surpreendentemente rápido, e sobrepujou o bárbaro com sua chuva de lâminas. Um golpe, dois, três e Cenoura estava no chão – com um sorriso sádico, o orlesiano acertou sua grande maça bem na rótula do chasind, esmagando seu joelho com um craque alto!
Enquanto isso, Faldrik levantou seu machado de combate para livrar-se das defesas de Jaime, que sacava a espada, e o instinto foi seu maior erro nessa hora: ao levantar a mão da espada para se defender, a lâmina do anão cravou-se profundamente entre o dedo médio e o anelar do arqueiro, fazendo-o gritar mais ainda. Fiora e Martelo chegaram nessa hora, o cachorro mordendo o ombro de Jaime e a elfa acertando Barteau com um feitiço garra do inverno, congelando seus músculos e forçando-o a flexioná-los para quebrar o gelo. Jaime implorava por piedade, de modo que Faldrik tirou Martelo de perto e o derrubou com uma pancada do cabo do machado na nuca. 
Em seguida partiu para cima de Barteau, mas seus golpes diretos eram pouco efetivos contra a defesa do exímio guerreiro, que devolvia ataques ainda mais rápidos e eficientes, fazendo o anão suar para se defender. A situação era desesperadora! Faldrik gritou para Martelo ir buscar os outros – que podiam estar pior ainda – enquanto Fiora lançava outra garra de gelo, mas o orlesiano era muito forte e Cenoura estava morrendo. Ela decidiu então usar o feitiço que acabara de aprender, o punho rochoso. Fincou seu cajado no chão e arrancou uma enorme rocha do pavimento de Ostagar, fazendo-a flutuar e disparando a pedra com um golpe do bordão. O bólido acertou o guerreiro bem no peito, mas ele firmou os pés e não foi derrubado – a distração abriu sua guarda para Faldrik, porém, e o anão acertou-lhe uma machadada na perna, o sangue jorrando forte. Fiora lançou outra rocha, e dessa vez o guerreiro caiu. O anão, irado, plantou um pé no ombro de Barteau e, com um golpe cruel, fincou-lhe o machado na testa.
Do outro lado de Ostagar, Ser Kenan e Kelsie espreitavam a Torre de Ishal, escondidos atrás dos pilares que antecediam o pátio à frente das escadarias que levavam ao farol. Avistaram uma luz em uma janela superior, e logo depois um homem saiu pela porta da torre para mijar. Era “Ser” Lyon, o detestável rufião que se fizera de servo do Arl Vosyek apenas para enganar os companheiros. Kelsie se afastou, tentando ser discreta, para chamar os outros e lidar com aqueles que estivessem dentro da torre, enquanto Kenan retesava a corda e esticava uma flecha à altura da orelha. Eis que uma pequena bola de fogo veio caindo, arremessada da janela no topo da torre, imperturbável quando Kenan errou-lhe a flechada, e se espatifou no pavimento bem à frente de Kelsie: era uma bomba de fogo! A explosão ígnea destruiu a mochila da guerreira, e provocou-lhe pequenas queimaduras. Surpreso, Lyon correu em carga para atacar a guerreira com suas duas espadas longas, que defendeu vários golpes de espada do rufião. Kenan atirava suas flechas com o máximo de cuidado para não ferir a irmã, que atraía o orlesiano cada vez mais para longe da torre enquanto devolvia seus golpes e o retalhava. Em um golpe de sorte, Lyon usou o próprio escudo para golpear e quebrar o braço esquerdo de Kelsie, forçando a moça a jogar o escudo fora. Outro golpe a desarmou da espada, mas dessa vez a flecha de Kenan foi certeira, atravessando o pescoço do bandido, que foi ao chão inerte.
A situação estava difícil, e eles precisavam das curas de Fiora. Foram até o pátio, onde encontraram Martelo. Correram da melhor forma que podiam, e encontraram Fiora retirando lascas do osso do joelho de Cenoura, após fazer uma atadura apressada nas mãos de Jaime, o arqueiro – a contragosto, já que se fosse por ela, o mataria. Ambos os lados se atualizaram, e ficaram de ir até a torre de Ishal para pegar Fauchard, o líder do bando que ficara lá. A elfa cuidou dos ferimentos de Kelsie, e partiram Faldrik, Kenan e Fiora, deixando a guerreira vigiando Cenoura e Jaime.

No salão principal da torre, os três encontraram sacos de dormir, cordas e outros equipamentos, bem como quatro cavalos. Ouviram sons nos andares de cima, e se esgueiraram pela escadaria que levava ao segundo andar. Faldrik notou um fio estirado no corredor, que levava até o umbral da porta, onde entrava no aposento seguinte – uma armadilha. O anão cortou o fio e Kenan entreabriu a porta, revelando inúmeros barris de vinho que esmagariam os aventureiros caso fossem liberados. Depois de muita discussão sobre como resolver o problema, Fiora perdeu a paciência e mais uma vez lançou seu feitiço do punho de pedra, arrancando pedaços de alvenaria dos degraus e explodindo-os contra os barris. Muitos se perderam – para o desespero do anão -, mas três se salvaram. Ao investigar o aposento, pegaram várias cordas amarradas umas nas outras, presas a um pilar, por onde o líder orlesiano fugira.
Mais tarde, jantando de frente ao fogo no salão principal, Jaime disse que aquele bando era formado por batedores de Orlais, investigando as defesas de Ferelden para algum propósito que ele não compreendia. O grupo discutiu sobre o que fazer com o cativo, que graças a Faldrik encerrara sua carreira de arqueiro, e decidiram por fim levá-lo com eles até poder libertá-lo ou prendê-lo por seus crimes (Kelsie incumbiu o anão de ficar responsável por ele, já que era uma proposta do próprio). Mas ainda havia um problema: o joelho de Cenoura. Fiora precisava de uma placa de ferro para salvar a perna do chasind, e Faldrik acabou tendo que ir à forja para derreter a malha de Lyon, atividade que lhe rendeu uma noite em claro, já que ele não entendia nada de forjaria (a despeito do estereótipo dos anões). Fiora e Kenan conversaram bastante no farol, observando as estrelas, e a elfa negou as investidas do jovem arqueiro nobre, que dormiu sozinho ao relento.
No dia seguinte, Faldrik trouxe a placa e, com o auxílio de magia, Fiora a enxertou diretamente aos ossos do joelho do chasind, despertando-o com a dor lancinante das batidas de martelo. Em seguida eles dividiram a pilhagem dos bandidos e decidiram que precisavam de uma carroça para transportar Cenoura. Faldrik e Kelsie então partiram a toda velocidade para uma aldeia não muito longe, uma pequena comunidade sem nome onde chegaram no fim do dia. Estavam com sorte, e encontraram um mercador que por acaso tinha uma carroça. Compraram, atrelaram a seus cavalos e voltaram com cuidado para não quebrar as rodas, de modo que levaram dois dias para chegar a Ostagar. A chegada acalmou os ânimos dos demais companheiros, já enfadados e apreensivos. Eles enfim partiram daquela fortaleza ancestral, em uma jornada longa e tediosa pela alta e plana Estrada Imperial. Alguns dias depois, já avistavam as terras altas do Lago Calenhad, com as fazendas e moinhos da vila de Lothering, onde fariam uma parada antes do seu destino final, Redcliffe.
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