Profissões antigas para inspiração em jogos de fantasia

Olá, amigos! Estava procurando esse post para usá-lo num planejamento de história, e me toquei que ele é da época obscura do WordPress. Para corrigir este pecado, estou trazendo-o de volta para ajudar quem precisa e nunca o viu (afinal, não tenho plugins chiques de repostagem automática): uma lista de profissões antigas da idade média.

Mas como isso vai me inspirar, pergunta você do alto da sua desconfiança? Simples, companheiro. Histórias de personagens, ganchos de aventura ou até mesmo descrições de cenários ficam bem mais legal quando possuem uma certa profundidade, e nada melhor do que se inspirar um pouco na nossa vida cotidiana. Eu, pelo menos, acho legal quando os personagens chegam numa vila e ajudam o moleiro a descobrir como os bandidos andam roubando sua produção antes que o agente aduaneiro venha cobrar a corveia, porque agentes aduaneiros são implacáveis. Como sempre, digo que nada tenho contra o estilo hack ‘n slash de jogar, meus textos são nada mais que sugestões que eu acho bacanas.

Lembrando que esta compilação não tem uma fidelidade 100% histórica. A maioria foi tirada da Wikipédia ou do Livro do Mestre de D&D 3.5, meio misturada ou condensada pra ficar mais legal dentro do contexto errepegístico. Incluí também sugestões para o uso com elementos mágicos e monstruosos no mundo de jogo. Perceba também que não incluo profissões navais, que ficam pra um próximo post. Enfim, espero que gostem!
Agente aduaneiro: um cobrador de impostos ou fiscal de taxas. Além de visitar aldeias e casas de cidades cobrando o quinhão devido ao senhor das terras ou ao rei, pode servir de tabelião para outorgar permissões de funcionamento de novos estabelecimentos, entre outros documentos. É um profissional bastante temido, por estar sempre acompanhado de uma punição para inadimplentes com os impostos ou dízimos.
Alcaide: magistrado nobre, nomeado pelo rei, que desempenha funções militares em uma cidade ou vilarejo, residindo no castelo local. Um título dado pelo monarca, acima de tudo, para manter nobres satisfeitos com a ordem política. Em tempos de paz, é a autoridade maior do local, e garante o cumprimento das leis do rei.
Alferes: primeiro e mais antigo oficial de um exército, geralmente um porta-estandarte, se especializando como enfermeiro, farmacêutico, dentista e/ou médico da unidade militar. Também pode ser chamado de segundo-tenente.
Alquimista: artífice que lida com transformação de elementos, incluindo fundir metais inferiores ao ouro, preparar certos itens especiais (fogo de alquimista/grego/fogovivo, ácido, bastões solares, bolsas de colas e demais equipamentos de sistemas de fantasia) e também criar homúnculos. Quase todos os alquimistas são também magos ou conhecem magias e rituais arcanos. Inclui a categoria dos boticários/botânicos, que criam infusões e lidam com drogas, medicamentos, venenos (e seus antídotos) e até mesmo pequenos feitiços e poções.
Ama: serva, escrava ou empregada encarregada de cuidar de crianças em casas abastadas. Também entrete com brincadeiras, ensina e conta histórias. A ama de leite amamenta crianças quando a mãe não consegue fazê-lo. A ama-seca cuida das crianças menores em períodos de ausência dos pais.
Arauto: mensageiro oficial, que faz proclamações solenes, verifica títulos de nobreza, transmite mensagens, anuncia a guerra e proclama a paz, além de apregoar casamentos reais ou aclamações dos reis. Como é uma pré-forma do diplomata, inexiste em reinos mais sofisticados.
Arquiteto ou engenheiro: profissional letrado e capaz de projetar grandes construções civis ou navais.
Artesão ou Artífice: profissional que trabalha individualmente na produção de um ofício manual, do qual obtém sua renda. Inclui carpinteiro, pedreiro, curtidor (que trabalha em couro), armarinheiro, cervejeiro, tanoeiro (produz barris, pipas ou tonéis para armazenar e transportar mercadorias e líquidos), sapateiro, encadernador, flecheiro, pisoeiro (estofador), fabricante de arcos, costureiro, faqueiro, marceneiro, pergaminheiro, estucador, candeeiro (fabricante de velas), tintureiro, tratador de pele, saboeiro, joalheiro, funileiro, vinhateiro, tecelão, lapidador, fabricante e consertador de rodas, carroceiro, trombeteiro, fabricante de meias e outros.
Artista: indivíduo com o dom de entreter ou encantar com suas criações ou performances, como pintor, ator, dançarino, acrobata ou malabarista.
Barbeiro-cirurgião: barbeiro que pode atuar como curandeiro ou médico. Faz pequenas cirurgias e sangrias nos ferimentos dos camponeses. Possui apenas experiência em arrancar membros e dar diagnósticos simples de doenças. Na fantasia, pode conhecer algumas magias menores de cura por rezar para deuses bondosos, sendo uma opção para os clérigos, que cobram muito caro por suas cirurgias e curas mágicas.
Bardo: pessoa encarregada de transmitir as histórias, as lendas e poemas de forma oral, cantando a história de seus povos em poemas recitados. Simultaneamente músico e poeta, também chamado de menestrel ou trovador. Utiliza tradicionalmente um alaúde ou bandolim para tocar suas melodias e músicas, que contam na maioria das vezes uma história triste ou heroica.
Bestiário: homem que combate com animais ferozes ou é exposto a eles no ato da execução (na arena). Pode-se considerar uma vertente do gladiador, ou um venator (aquele que participa do venatio, o espetáculo romano de caçada).
Caçador de recompensas: civil que procura recuperar criminosos fugitivos em troca de ouro. Procura sempre se informar sobre as recompensas oferecidas nas cidades e, dependendo de sua proficiência, faz um largo estudo sobre o alvo da caçada antes de partir atrás deste.
Caixeiro-viajante ou mascate: mercador que vende produtos em outros lugares que não o local onde eles são produzidos. O mesmo que mascate, mercador ambulante que percorre ruas e estradas vendendo objetos manufaturados, tecidos, jóias e outros. O caixeiro pode viajar sozinho, mas geralmente procura reunir uma caravana ou ao menos uma escolta para transitar por regiões ermas e/ou perigosas.
Camareiro ou camarista: funcionário da corte de um monarca, encarregado de zelar pela câmara ou quarto de seu senhor. É um título nobre abaixo de marquês.
Camerlengo: nobre menor que administra o tesouro e os bens do Estado. Nas igrejas, tem a função de assumir internamente a direção em caso de falecimento ou abdicação do pontífice vigente, ganhando todos os seus atributos administrativos (pode ter problemas ao encontrar clérigos mais poderosos desejando o cargo de pontífice, dependendo da divindade), devendo organizar a eleição de um novo sacerdote-mor da religião, segundo os costumes.

Canteiro: aquele que talha blocos de rocha bruta em formatos geométricos, para preparar o material de construção de estruturas.

Capelão: sacerdote que presta assistência religiosa e ministra cultos a membros de uma corporação militar, convento, colégio, comunidade religiosa, prisão e outras organizações. Muitas cortes e famílias possuem o seu capelão. O capelão-mor e o sumo-sacerdote de tal organização.
Carpideira: mulher cuja função consiste em chorar para um defunto alheio. Os familiares do falecido pagam a carpideira para mostrar seus prantos, mesmo sem nenhum grau de afinidade. Famílias que não possam pagar em dinheiro, o fazem com bens do defunto.
Carreteiro: homem que transporta produtos, mantimentos e artigos variados em carreta de bois.
Castelão: zelador de um castelo ou de sua torre principal. Está entre mordomo e administrador militar – cuida tanto da equipe de trabalho doméstico do castelo, quanto de defender as terras do castelo. Quando o proprietário não reside no castelo ou se ausenta com frequência (caso comum de nobres que possuem casas em grandes cidades, perto da corte), o Castelão se torna mais importante. Alguns castelões adquirem poderes e condições tão altas que passam a possuir terras e voz nas cortes.
Causídico ou advogado: responsável por representar os interesses de outrem, letrado e versado em leis (muitas vezes até mais do que magistrados e afins), com o conhecimento necessário para encontrar brechas e pequenos desvios nas mesmas, de acordo com seus interesses e honorários recebidos. Poucos confiam neles.
Cocheiro: pessoa responsável por conduzir os cavalos em carroça ou carruagem.
Cônsul: mais importante tipo de magistrado em impérios (na História, o Romano): comanda o exército, convoca um corpo político vigente, preside cultos públicos e, em épocas de calamidade pública (derrotas militares, revoltas dos plebeus ou catástrofes) indicam um regente para governar temporariamente.
Cozinheiro: responsável por preparar alimentação em tavernas, castelos ou fazendas. Também inclui padeiro, pasteleiro, queijeiro e outros produtores de comida.
Dama de companhia ou aia: assistente pessoal de uma rainha, princesa ou nobre.
Decano ou embaixador: chefe, porta-voz e representante de uma missão estrangeira dentro de um corpo diplomático (conjunto de diplomatas em um país), acreditado junto a um chefe de Estado. Em um mundo de fantasia, pode-se atribuir também a um líder de magos.
Escrivão ou escriba: profissional responsável por redigir as normas, autos e documentos de uma determinada região, autoridade ou religião. Também pode atuar como contador, secretário, copista e arquivista. Sábios e estudiosos versados em leis, influentes e respeitados.
Escudeiro ou defensor: título de menor importância na base da nobreza, embora de bastante honra, com um brasão de armas. É um cavaleiro em treinamento, recebendo o título aos catorze anos, depois de servir sete como pajem. Acompanha e serve um cavaleiro, que o educa e treina em troca. Os deveres do escudeiro incluem polir armaduras e armas (fáceis de enferrujar), ajudar seu cavaleiro a se vestir e despir, tomar conta de seus pertences e até dormir no vão da porta como um guarda. Em torneios e batalhas, ajuda o cavaleiro em tudo, levando armas substitutas e cavalos, tratando das feridas (e buscando um clérigo quando necessário), afasta os cavaleiros feridos do perigo ou garante um enterro decente para seu mestre. Em muitos casos o escudeiro vai à batalha com seu cavaleiro. O cavaleiro prefere lutar ao lado de outro de posição similar ou mais alta que a sua, e o escudeiro procura atacar cavaleiros inimigos, para ganhar glória matando ou capturando um de maior categoria. Além do treinamento marcial, o escudeiro se exercita em jogos, aprendem a ler e escrever, estuda música, dança e canto. Aos 21 pode se tornar um cavaleiro, proclamado por um lorde ou outro cavaleiro de grande reputação.
Ferreiro: artífice que cria objetos de ferro ou aço por forjar o metal, através de fole, bigorna, martelo, dobra e corta, aquecendo o metal até que brilhe vermelho ou laranja e moldando na sua forma não-líquida. Ferreiros produzem objetos como portões, grelhadores, grades, lustres, luminárias, mobiliário, esculturas, ferramentas, implementos agrícolas, religiosos e objetos decorativos, utensílios de cozinha e outros. O ferreiro é também o forjador de armas, cuidando da cutelaria (espadas, lanças, machados, etc.) e de toda a metalurgia do feudo ou vila. Inclui ourives, prateiro, picheleiro, caldeireiro, cunhador (de moedas), bronzeiro (trabalha com bronze), estanhador (trabalha com latão), chaveiro e armoreiro.
Guarda-caça: pessoa encarregado de fazer respeitar as leis e regulamentos sobre a caça em áreas florestais pertencentes a monarcas ou senhores feudais. Em alguns casos, nada mais que um patrulheiro (ranger) que procura defender a fauna e flora de uma área rural ou florestal, e limitar a caça nesses locais.
Guarda-costas ou escolta: encarregado de acompanhar outra pessoa, para defendê-la de algum perigo, como agressões, assaltos, sequestros, tentativa de assassinato, etc. Comumente são empregados por governantes, mercadores, magos e sacerdotes para viagens ou apenas aparições públicas.
Jograu: artista popular que atua nas praças públicas divertindo o público, assim como nos palácios senhoriais (mas nesse caso assume o papel de bufão) com mágicas, sátiras, acrobacias, mímicas e canções.

Leiteiro: pessoa que entrega leite nas casas de uma vila pela manhã, além de outros produtos, como ovos, creme, queijo ou manteiga.

Lenhador: trabalhador responsável por cortar árvores, tanto para extrair lenha de aquecimento quanto para sua transformação em produtos derivados. Uma profissão comumente perigosa e difícil, dependendo da população de dada floresta.
Lutier: artesão especializado na construção e reparo de instrumentos de corda, como violinos, rabecas, violoncelos, bandolins, alaúdes e tiorbas.
Menestrel ou trovador: poeta e bardo cuja apresentação lírica se refere a histórias de lugares distantes ou sobre eventos reais ou imaginários. Embora criem seus próprios contos, por vezes memorizam e floreiam obras de outros. O trovador geralmente tem origem nobre e leva suas cantigas para longe do povo, pela estrada afora.
Mercenário: aquele que trabalha por soldo ou pagamento. Soldado ou outro tipo de aventureiro que luta objetivando o pagamento ou divisão de despojos, sem ideais ou fidelidade a um estado ou nação. A maioria dos povos utiliza mercenários para engrandecer seus exércitos ou proteger seus interesses.
Mesteres: artesão ligado a coperativas organizadas.
Mestre cervejeiro: aquele que prepara ou acompanha a preparação de cerveja de uma taverna ou castelo.
Mestre-sala: nobre de confiança designado por reis e duques para conduzir e manter a disciplina em todas as cerimônias importantes do reino. Um mestre-de-cerimônias ou chefe do protocolo, frequentemente atuando também junto a corpos diplomáticos.
Mineiro ou garimpeiro: o mineiro é aquele que trabalha em minas, escavações a céu aberto ou subterrâneas em jazidas de metais e pedras preciosas ou não (de ouro e gemas a carvão, argila, brita e areia). O garimpeiro tenta extrair riquezas minerais da terra com poucos recursos e ferramentas rústicas, seja peneirando ouro em pó em leito de rios (faisqueiro) ou quebrando cascalhos.
Moleiro: moedor de cereais, especialmente do trigo (para fabricação de farinha), tanto o trabalhador braçal quanto o dono de um moinho ou moenda.
Monteiro-mor ou couteiro-mor: oficial da casa real encarregado de dirigir as caçadas reais.
Mordomo: empregado doméstico, chefe dos criados de uma grande casa. Também pode ser o administrador dos bens de uma irmandade ou confraria, organizador de festas populares (normalmente de cunho religioso) ou mesmo um magistrado encarregado de cobrar impostos e fazer citações e execuções judiciais. O mordomo responsável pela administração da casa real recebe o nome de mordomo do palácio ou mordomo-mor, e é considerado um dos mais altos dignatários do Estado.
Onzeneiro ou agiota: aquele que faz a prática da usura, ou seja, empresta dinheiro a outrem no mercado informal, geralmente a pessoas endividadas sem crédito junto a nobres ou mercadores. O onzeneiro costuma cobrar 11% de juros (por isso o nome), e está frequentemente associado a guilda de ladrões ou mafiosos em grandes cidades. Onzeneiros são temidos por terem direitos de penhorar os bens de inadimplentes, ou algo pior.
Ouvidor ou corregedor: magistrado que representa a Coroa e aplica a justiça das terras senhoriais. As terras sujeitas a corregedores são chamadas de comarcas ou correições, e as sujeitas a ouvidores são chamadas ouvidorias. Também pode ser um juiz ou magistrado.
Pajem: jovem serviçal, criado de cavaleiro ou aprendiz de fazendeiro. Um menino jovem serve dos sete aos catorze anos, quando podia tornar-se fazendeiro ou escudeiro. Pajens semelhantes servem em castelos e grandes casas, enfeitando e enviando mensagens para a aristocracia e realeza. Essas crianças são geralmente descendentes de outras grandes famílias, enviados para observar e aprender os modos do sistema senhorial. Sua residência na casa serve como um gesto de boa vontade entre duas famílias e lhe ajuda a ganhar contatos políticos para sua vida adulta. Às vezes o pajem é usado por exércitos como espiões do terreno e exércitos inimigos, geralmente montado em cavalo leve e usando armas leves.
Passavante: oficial de armas júnior, situado logo abaixo do arauto. É incumbido de declarar paz ou guerra entre dois feudos ou reinos. Muitos grandes senhores feudais empregam seus próprios oficiais de armas. Passavantes são facilmente reconhecíveis pelo tabardo elaborado com o brasão de armas de seu senhor.
Professor ou mestre: pessoa que ensina uma ciência, arte, técnica ou outro conhecimento. Em alguns cenários, clérigos do conhecimento ou sábios exercem a função em igrejas e escolas/universidades de estudiosos, além de trazer o básico da leitura e escrita para a população. Em outros, apenas alguns tem acesso ao conhecimento. Porém, qualquer profissional pode ser um mestre, de artesão a cavaleiro, no ensino do aprendiz que o sucederá.
Soldado: profissional treinado no uso de armas e técnicas de combate para defender uma causa, senhor ou nação.
Taverneiro: propietário ou administrador de uma taverna. Além de servir bebidas e coordenar serviçais, o taverneiro cuida das tarefas administrativas do estabelecimento. Outros funcionários da taverna incluem serventes, prostitutas, cavalariços, guarda-costas, cozinheiros e auxiliares. O estalajadeiro cuida também de hospedar viajantes e emprega camareiros e lavadeiras.
Trabalhador braçal: indivíduo capaz de tarefas simples e pouco sofisticadas, como escavador, coveiro, foleiro (operador de foles de forjaria), lavrador, minerador, peão (responsável por conduzir o gado em fazendas) e muitos outros.

Imagens: Darrel K Sweet, Jon Hodgson, Tamer Karatas.

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10 comentários em “Profissões antigas para inspiração em jogos de fantasia

  1. Que honra! Um comentário do Marlon no meu humilde espaço! =P

    E eu ainda te devo uma resposta de e-mail, né? Espero não ter atrasado tua vida, respondo ele até amanhã no máximo (tô saindo agora do trampo -_-).

    Ademais, espero que aproveite a lista nos jogos, companheiro.

    Abs!

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  2. Adoro a sociedade medieval.
    Muitos dos trabalhadores desta lista estão no Livro do Mestre de AD&D2nd. Aliás, um dos capítulos mais legais de ler em um livro básico na minha opinião, talvez foi por aí que me interessei mais em história.

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