Canção Escarlate – Retrospectiva

Este é um post rápido e meio que um preâmbulo para o último reporte desta campanha. Achei necessário dar um resumo do que aconteceu até agora, do cenário que usamos e dos personagens dos jogadores, para todo mundo que acompanha ficar lembrado de tudo.

Além disso, quem caiu de para-quedas não vai perder o interesse porque teria que ler vinte e um reportes para entender este último que virá ainda hoje (mas se quiser ler recomendo; é uma boa até pra pegar algumas dicas de narrativa e tal).

Jogamos a campanha na nossa versão de Tormenta (em 1999, havia poucas informações sobre Arton), no enorme reino de Samburdia, com suas colinas verdejantes e vastas florestas cortadas por dois grandes rios navegáveis, muitas fronteiras e clima mediterrâneo.

A agropecuária muito próspera e sua posição geográfica (no meio da rota de comércio entre as fabulosas terras do oriente e o resto do mundo) fazem de Samburdia uma terra muito rica. O reino é dividido em sete ducados que governam uma grande mistura de etnias e credos, espalhada em fazendas, vilas pitorescas e em algumas grandes cidades.

Mercenários, escravos e grandes companhias comerciais movem o país, e o povo é caloroso e alegre. Sua fama no exterior é de que as mulheres são voluptuosas e lascivas, e os homens astutos e gordos, e todos vivem bêbados e ricos. De qualquer forma, a quantidade de golpistas, malandros e corruptos fazem de Samburdia um reino bastante caótico. Inspirado nos países mediterrâneos (especialmente Toscana e Al-Andaluz), com um bocado de Brasil.

Os personagens dos jogadores são:

Delphyne (Elisa): segunda dos Brannon, originários de Tollon (reino inspirado na Escócia). Nasceu com um prenúncio de maldição, sendo criada pelo tio mago Irwin para aprender a usar seus poderes arcanos. Quando o pai morreu, seu tio já não podia protegê-la da família e do povo, então a enviou com a irmã mais nova Moira, uma guerreira da igreja do deus Khalmyr, em busca de uma cura para a maldição.

Eeve (Bianca): criada no bordel A Pérola, na cidade de Mehnat, onde aprendeu as artes do prazer e acabou se tornando uma das melhores rameiras da cidade. Ao se meter em uma enrascada, foi salva por seus futuros amigos e marido, e as jornadas seguintes a transformaram em uma arqueira. Ao conhecer o irmão Willer, descobriu suas origens: havia sido abandonada pelos pais tolloneses, que fugiam dos Cavaleiros Negros de Portian.

Javier (Megaron): cresceu no castelo de um nobre em Petrynia (reino inspirado no Caribe). Encontrou uma carta escrita por seu pai Inigo Montoya, que o deixara com o nobre para poupá-lo da vida de pirata. Já um espadachim, partiu e entrou na tripulação do pai, mas Inigo desaparecera em um naufrágio e o impostor Vizzini tomara seu lugar. Em dada ocasião foi traído e deixado na cadeia de um porto, libertado por Moira Brannon para segui-la.

Karsus (Rafael): nascido pobre no reino de Portian (vizinho de Samburdia), perdeu os pais cedo e cresceu assaltante, e suas habilidades o puseram no famoso Bando da Caveira. Certa vez achou um valioso mapa do tesouro ao pilhar uma caravana. Os outros o espancaram e deixaram para morrer na vila de Cambur, onde foi encontrado e redimido pela freira Leliana de Khalmyr. Então, se arrependeu de seus pecados e tornou-se um aprendiz de Moira Brannon na Ordem da Espada Justa.

Willer (Diego): fruto do amor proibido de uma nobre e um anão mestre de armas, passou a infância fugindo da ira do marido da mãe. Seu pai o treinara como guerreiro, mas suas visões o levaram a ser levado a um círculo de druidas, de onde fugiu ao ver seus pais mortos e sua casa em chamas. Juntou-se à família e zarpou para o leste sempre fugindo, até que os viu morrer em Samburdia, onde jurou vingar-se daquele que destruiu sua família.

Hamelin (NPC): pouco se sabe do passado deste menestrel, além de que veio de Zakharov (reino inspirado na Baviera e Suíça) e foi contratado pelos magos do Círculo Esmeralda para tocar um feitiço chamado Canção Escarlate, capaz de matar magos. Delphyne foi afetada nesta noite, mas algo deu errado e ela foi possuída e matou o companheiro do músico. Tempos depois foi salvo e passou a viajar com o grupo.

Adric (NPC): este guerreiro portiano perdeu a memória em um naufrágio e foi salvo por Delphyne em Tandra, com uma cota de malha, um sol enorme tatuado no torso, um escudo e um bilhete com seu nome. Do pouco que se lembra, sabe que é um nobre e que o capitão do navio que ele estava tinha olhos de cores diferentes. Apaixonou-se por sua salvadora no instante que a viu, e o amor dos dois a ajuda com sua fobia social.

Tudo começou quando Delphyne, Karsus, Javier, Thordric (um anão guarda-caça dos Brannon) e a líder Moira salvaram a região de Campina Rus de bandidos e estragaram os planos do mago das sombras Cauda Negra, que controlava o senhor das terras.

Moira morreu nessa batalha, e os companheiros foram a Mehnat, uma cidade próxima, buscar ajuda de outro feiticeiro para encontrá-lo. No caminho, descobriram que gnolls mataram o herdeiro dos Vanerak, família governante do ducado, na mesma ocasião que salvaram Eeve.

Em Mehnat, enfrentaram seres aquosos na torre de Alzavar, o mago da água, morto por seus servos. Não conseguiram sua ajuda, e ainda fugiram da cidade quando um mendigo foi morto (e todos desconfiavam que havia sido Delphyne, que perdera o controle após uma bebedeira). Seguiram para Tandra, Eeve junto a eles, para pedir ajuda à feiticeira Syrian, amiga de Alzavar.

No caminho, toparam com a Gangue da Caveira (um dos membros espancou Eeve e Karsus não conseguiu vingá-la) e chegaram a Belmonte, uma vila de pescadores assolada por criaturas abissais (skum). Invadiram o covil das criaturas, descobriram que elas estavam pegando pessoas para transformar em monstros e soldados e quase morreram para os skum e o abolete que os comandava (o xerife da aldeia, com quem tinham feito amizade, foi transformado em um skum).

Fugidos (onde Karsus foi salvo misteriosamente da morte), acabaram na vila de Rio das Ostras, de onde buscaram a ajuda do paladino (um caçador de monstros, no meu cenário) chamado Khelben, que supostamente teria mais voz que eles em alguma igreja em Tandra.

O paladino os ajudaria em troca da ajuda deles para investigar desaparecimentos na vila de Dois Rios, e eles ficaram de encontrá-lo lá. No caminho, conheceram o músico Hamelin, preso em uma armadilha.

Ele estava com medo de Delphyne, e revelou que foi contratado pelo Círculo Esmeralda para tocar a Canção Escarlate e matar um mago de Mehnat, mas Del aparecera possuída por algo maligno e matara seu guarda-costas, o homem que o grupo vira morto! Eles aceitaram que Hamelin se juntasse a eles, como cantor e diplomata, para garantir sua vida.

Na vila, o paladino já entrara na floresta onde os caçadores estavam sumindo, e eles o seguiram. Chegaram a uma ruína élfica, onde enfrentaram zumbis elfos e aranhas, e conheceram o guerreiro profeta Willer.

Encontraram por fim um antigo rei elfo, que explicou o motivo pelo qual a raça desaparecera da floresta há 150 anos: a rainha o traíra e roubara sua pedra mágica, e o ato prendera sua corte na Umbra (o mundo dos espíritos) enquanto ele e seus apoiadores foram transformados em desmortos.

Oferecendo o nome de Cauda Negra, o Rei Aravel os enviou para a Umbra, onde eles conversaram com a Rainha Selana, que revelou o parentesco de Willer e Eeve, ofereceu a Javier o paradeiro de seu pai e a Karsus a verdade sobre sua “ressurreição”.

Selana explicou que traiu Aravel porque ele queria ir contra os humanos de Dois Rios, que eram amigos dos elfos. Quando o cetro do Rei foi destruído, um fragmento da pedra se fincou na testa da elfa, levando ela e sua corte para a Umbra, e o poder mágico deteriorou a corte de Aravel.

O artefato em si fora roubado há 70 anos, pelo antigo Duque Malgren Vanerak (que realmente desapareceu nessa época), mas ele fugira e agora estava preso na Floresta dos Espelhos, dominada por uma manifestação do Rei chamada de Senhor das Aranhas.

Os personagens então ficaram de recuperar o item, mas antes precisavam descansar um pouco. Delphyne teve uma visão de sua irmã Moira, que revelou ter sido trazida de volta por Cauda Negra como um morto-vivo chamado de revenante, e como Thordric nunca chegara ao feudo Brannon, pediu à irmã para dar a notícia de sua morte à sua família.

Mapa da campanha. Clique para ampliar

Os elfos soltaram Khelben, que haviam prendido antes do grupo, e junto ao capitão de Selana seguiram para a floresta. Lá, enfrentaram aranhas de vidro, mataram o Senhor das Aranhas e libertaram Duque Vanerak e suas tropas.

Após um grande impasse, convenceram Aravel e Selana de que eles deviam se unir novamente, e o reino élfico de Aniel voltou ao normal. Após uma grande festa, os personagens receberam presentes e partiram em direção a Tandra.

Em Tandra, o grupo conheceu a maga Syrian, que se prontificou a ajudar caso eles festejassem com ela por três dias. Na igreja de Valkaria, conversaram com o sumo-sacerdote do reino, o Arquivigário Aramyr, que pediu dois dias para se organizar. Após a festa na piscina com a feiticeira nobre maluca, foram chamados por Khelben através de um mensageiro, e sofreram uma emboscada perto da estalagem que estavam (os mesmos assassinos que os atacaram em Belmonte).

Após capturá-los e levá-los à igreja, o Arquivigário ordenou sua prisão e eles escaparam dos guardas e mercenários postos atrás deles com muita dificuldade. Karsus foi preso, e salvo pela Moira revenante, que o fez jurar que ajudaria Delphyne a cumprir o que prometera a ela.

Enquanto isso, Delphyne ajudou um homem à beira da morte em um naufrágio, o guerreiro desmemoriado Adric. Ele se juntou ao grupo em gratidão à feiticeira, para ajudar no que pudesse.

Eles se encontraram com Khelben, que nada tinha a ver com a traição da igreja, tendo ido arranjar com uma bruxa um artefato chamado de gemas do mar, para anular os poderes do abolete.

Syrian se juntou a eles e eles partiram da cidade, recebendo uma ajuda adicional de uma companhia de mercenários que não queria mais trabalhar para o Arquivigário (que estava mancomunado com o abolete e com o governante de Belmonte).

Em Belmonte, os heróis se depararam com o povo contra eles, porque o senhor das terras e uma companhia mercenária haviam criado uma farsa culpando o grupo por matar o xerife, e arranjado um esqueleto falso clamando que mataram o abolete.

O grupo escapou e se dirigiu às cavernas dos monstros, sendo emboscados mas capturando os mercenários no caminho. Invadiram o covil, lutaram contra os skums e mataram o abolete, mas não viram mais sinal do exército que estava sendo formado. Infelizmente, perderam o xerife de vez, morto pelo machado de Willer.

Como o senhor fugira, eles puseram um pescador como governante da aldeia e passaram alguns dias descansando e velando o morto (com festa, ao estilo samburdiano), até que se despediram de Khelben e partiram para Mehnat.

Na jornada, Karsus descobriu que sua amada Eeve estava grávida, e comemorou. Antes de entrar na cidade, foram atacados por rufiões samburdianos porque Karsus e Adric eram portianos, e os ânimos estavam exaltados entre os dois reinos fronteiriços naquela região.

Após derrotá-los, entraram em Mehnat e aguardaram Syrian fazer seus contatos. Delphyne e Syrian descobriram nos livros que apenas fogo consagrado poderia dar descanso a Moira.

Javier descobriu que a torre do enclave portiano (que taxava os navios dos halflings, que tentavam escapar dos altos pedágios por terra, já que tinha que passar por Portian para fazer comércio) havia sido dominado por criminosos. Invadiu o lugar mas não teve sucesso em salvar os reféns, voltando para a estalagem.

Syrian finalmente pôde ir olhar a bola de cristal de um amigo feiticeiro, e ao retornar revelou que Aleban, o feiticeiro que antes os heróis conheciam como Cauda Negra, estava exatamente onde tudo havia começado: Campina Rus.

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6 comentários em “Canção Escarlate – Retrospectiva

  1. Salve!

    Gostei bastante da retrospectiva bem sucinta. Os reportes mais longos são legais e complementam bem a história por trazerem comentários com peculiaridades da sessão ou da campanha.

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  2. Vou ler o reporte final, agora. Levei a semana toda pra ler os 21 reportes, e me empolguei bastante: vou narrar Naruto AWE e vou usar seu estilo, Dan – mostrarei a podridão no coração humano. Se tudo der certo, terei um reporte da campanha, também. Torço para que venham feedbacks… A tempo: estou ansioso pra descobrir se a Ginger/Eeve vai ter sua desforra comntra Balared…

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  3. Vou ler o reporte final, agora. Levei a semana toda pra ler os 21 reportes, e me empolguei bastante: vou narrar Naruto AWE e vou usar seu estilo, Dan – mostrarei a podridão no coração humano. Se tudo der certo, terei um reporte da campanha, também. Torço para que venham feedbacks… A tempo: estou ansioso pra descobrir se a Ginger/Eeve vai ter sua desforra comntra Balared…

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