Dragões e Rostos de Caveira

Esta é uma das minhas resoluções de ano novo tentando ser cumprida, que é escrever de forma mais pessoal e despreocupada aqui no blog. Afinal, papo de buteco é papo de buteco (embora eu esteja neste momento bebendo chá de maçã :P).

Finalmente, após um tempão, consegui terminar A Dança com Dragões, quinto livro da heptalogia (até agora) de As Crônicas de Gelo e Fogo, a fantasia do momento do Sor Vovô George R. R. Martin. Eu gostei bastante dele – o título de mais chato da série continua com O Festim dos Corvos -, mas é que é um calhamaço de dar medo, com fontes pequenininhas.

Além disso, eu tenho dois problemas: tenho muito pouco tempo livre, e nesse pouco tempo livre tenho que decidir entre ler, ver séries/filmes, jogar videogame, preparar jogo de RPG, ajeitar projetos pessoais e ficar com a patroa (e a patroa é sempre prioridade :P).

O segundo problema é que, como se eu já não tivesse sarna pra me coçar, invento de ler mais de um livro ao mesmo tempo. Eu tenho essa ansiedade desgraçada, então como minha estante se enche mais rápido do que posso ler (acho que vocês compartilham essa sensação), acabo pegando as coisas pra ler com base na vontade, e assim estou com uns três sem terminar – incluindo Gestapo, Coraline, Orgulho e Preconceito e Zumbis, Contos Sangrentos e Eldest (que eu fico desistindo e voltando, lembrando da minha cunhada que disse que a coisa melhorava; mas até agora…).

Voltando ao Dança: é um livro onde acontece muita coisa. Não vou dar spoilers, mas como o velho Martin disse numa Comic Con dessas, nós já nos acostumamos com a reciclagem de personagens. Morrem muitos, sem muita distinção, e aparecem outros que a gente começa a gostar muito. Não tem como não simpatizar com o gigante Wun Wun, achar os Martell sensacionais e se fascinar com os capítulos de Bran. Os capítulos de Dany são em sua maioria politicagem, mas acredite, vale a pena.

A capa nacional desse livro, aliás, é meio que um spoiler descarado, mas sinceramente, todos esperávamos isso. Não vou falar mais no assunto pra ninguém querer me bater. Estou com os capítulos do sexto livro, Winds of Winter, abertos pra ler quando tiver um tempinho. E doido pra estrear a série. E, como todos os fãs, passando pelo tormento de saber que o velho Martin vai demoraaaaar a lançar o novo livro…

Para dar uma limpada no paladar depois desse livro carregado, resolvi ler um livro de contos de Robert E. Howard, um dos grandes mestres da literatura fantástica: Rosto de Caveira, Filhos da Noite e Outros Contos. É uma edição nova de contos clássicos (com tradução antiga, pelo jeitão da escrita), com um projeto gráfico excelente, embora um pouco destoante com o clima do livro.

Após uma introdução meio acadêmica (Lilian Cristina Corrêa, Doutora em Letras da Mackenzie, meio que fazendo um típico texto que você lê na aula da faculdade), devorei várias narrativas de terror em várias épocas diferentes.

A primeira e maior, Rosto de Caveira, é uma história excelente na Londres pós-guerra (a 1ª Mundial), um horror meio noir. As outras variam entre época vitoriana e começo do século XX, mas sempre mexendo com o sobrenatural, o desconhecido, os mortos e lendas antigas, inclusive citando seu amigo Lovecraft em um dos contos. Não tem como não se transportar para outra época lendo esses contos.

Outra coisa: Howard notavelmente gostava muito da África e do oriente, talvez pelos elementos fantásticos e sobrenaturais desses lugares, especialmente para as pessoas da época. Isso se torna bem mais notável em Conan, cuja maior parte do mapa tem a forma deste continente, e tem vários povos inspirados em africanos e orientais.

Os próximos livros que devo ler (além dos que ainda estou tentando terminar) são Stonehenge de Bernard Cornwell (eu era meio nariz-torcido pra esse livro, mas li sobre os povos da época e me animei mais, afinal é Cornwell); Filhos de Anansi, Coisas Frágeis 2 e O Oceano no Fim do Caminho de Neil Gaiman (porque, bem, é Gaiman); Sombras Eternas de Glenn Cook (sequência do excelente A Companhia Negra, a história definitiva de companhias mercenárias de fantasia medieval sombria); A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo do Ar de Stieg Larsson (da trilogia Millenium; ele escreve de um jeito bem seco, do jeito que eu mais gosto :D); e Os Pequenos Homens Livres, de Terry Pratchett (não sei porque nunca mais saiu aqui um Discworld).

Quero muito ler mais de Howard e Lovecraft (do primeiro só li O Caso de Charles Dexter Ward, e do segundo só contos do Conan e esses que citei aí em cima), e conhecer alguns escritores novos (até pra sair um pouco da fantasia; curto histórias policiais, por exemplo). Ah, e espero que Rafael consiga logo terminar o segundo livro d’A Torre Negra, porque eu tô querendo ler!

Ano passado fui muito pouco ao cinema. Os últimos filmes que lembro de ter visto na tela grande são os de quadrinhos, Pacific Rim (melhor do ano) e O Hobbit: Desolação de Smaug.

Voltar à Terra Média é sempre excelente, e eu sempre curto a viagem, por mais que o filme tenha coisas difíceis de engolir. Achei Beorn muito ruim mesmo, detestei o final (se é que tem final) e algumas alterações pra deixar o filme mais massavéio, embora até entenda a blockbusterização da coisa. Mas Smaug paga o ingresso. Melhor dragão de toda a história do cinema, realmente assustador, majestoso e terrível (eu já sabia; além dos efeitos fodas, Benedict Cumberbatch é o cara, estudou dragões de komodo e iguanas, fez motion capture além da voz e ainda dublou o necromante falando de trás pra frente!). E Tauriel, sua linda.

Outros filmes que vimos foram o bacaninha Truque de Mestre (Now You See Me), que mistura filme de mágica (estilo O Grande Truque) e filme de assalto e golpes (tipo The Bank Job e Rock’nRolla). Lovelace, o tal filme sobre Linda Lovelace, a atriz que fez o pornô mais famoso da história (e só); muito surpreendente e triste a história da moça, muito além de um one hit wonder da pornografia setentista gringa.

Não conseguimos terminar O Cavaleiro Solitário, que embora seja tecnicamente muito bem feito (a fotografia inclusive várias vezes lembra aqueles westerns coloridos digitalmente), não passa de um Piratas do Caribe no velho oeste, só que chato ao invés de legal. Piramos com o novo Star Trek Into Darkness, com JJ Abrams dando um gás na franquia (atualizando para o público atual sem deixar idiota, e cativando pessoas que não curtiam muito, como eu :D) e Benedict Cumberbatch de novo sendo foda.

Vimos Kick-Ass 2 e gostamos mais que o primeiro, com muito mais violência e de certa forma mais fiel aos quadrinhos (Mother Russia for the win). Por fim, Red 2 provou mais uma vez ser um Mercenários com atores menos brucutus mas ainda assim dando muita porrada.

Na TV, finalmente consegui me atualizar com How I Met Your Mother (acho que ninguém que conheço gosta dessa série), e agora posso tentar assistir as temporadas que faltam de Sons of Anarchy (fiquei na quarta). Já já Justified, Vikings, Game of Thrones e Hell on Wheels estão aí de volta, e eu precisarei estar ok com as outras. Ainda estou pensando se assisto ou não Almost Human, e ainda estou esperando estrear True Detective. Mas como já falei bastante de séries no primeiro post do ano, não vou me alongar muito aqui.

Boas leituras e assistidas para todos!

9 comentários em “Dragões e Rostos de Caveira

  1. Olhando seu post é que eu notei como eu li pouco em 2013, meu Deus. Meu cérebro deve estar cheio de teias de aranha!

    Agora estou na espera de Vikings e Justified, meu double cheddar bacon das séries.

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  2. Ainda não tive a oportunidade de ler A Companhia Negra, fiquei interessado no livro desde o seu último post comentando sobre. Também gostaria de adquirir alguns contos de Conan, já li tanta coisa e não tenho nada. rs

    Gostei da Desolação de Smaug, mas não achei melhor do que o primeiro. O Pacific Rim é muito bom também, pelos efeitos e luta de mechas, mas achei o roteiro meio batido, muito clichê. Truque de Mestre é um excelente filme. Kick-Ass 2 não superou minhas expectativas, não chega a ser ruim, é coisa de fanboy mesmo, admito. Gostei bastante de Thor 2, achei melhor do que o primeiro, inclusive.

    Aguardo ansiosamente pelo retorno dos seriados Game of Thrones, Vikings, The Walking Dead, Arrow e o início de The Musketeers, me pareceu um seriado promissor.

    Agents of Shield, da Marvel, foi a grande decepção do ano, com episódios dignos de estar no Power Rangers, espero que a futura série Gotham, da DC, não repita o erro.

    No mais, continuo lendo alguns quadrinhos, as novas edições de Conan e Red Sonja, incluindo Lendas, Espada Selvagem e outras edições especiais, Pathfinder, outros quadrinhos europeus, Arawn e Escuridão. Como DCnauta, acompanho Liga da Justiça, Asa Noturna, Justiça Jovem, He-Man Mestres do Universo, quase todas do Batman e Demon Knigths. Parei de ler muita coisa dos Novos 52 no ano passado, Homem-Animal, Mulher-Maravilha, Aquaman, LdJ da América, Terra 2, Action Comics, Novos Titãs. Aguardo o lançamento das futuras edições de Hit-Girl e Kick-Ass.

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  3. O Caso de Charles Dexter Ward é um excelente livro, cuja ambientação acho uma ótima inspiração para a idéia de “um mago recluso pesquisando coisas sinistras”.

    Uma leitura mais leve, mas ainda sim no excelente cenário de GoT, é The Edge Knight, que, inclusive, está saindo agora traduzida aqui no Brasil pela Leya.

    Em tempo: também assisto How I Met Your Mother, acho um seriado incrível (pro gênero dele, claro). Mas vai concordar comigo que estão enrolando muito para progredir na história né?

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  4. Pô, eu achei uma grande vantagem Pacific Rim ter um roteiro batido, hehe. Assim dá mais tranquilidade pra pirar nas lutas. :P

    Sobre Agents of Shield, eu estou com um monte de episódios sem assistir justamente por isso, me decepcionei total.

    Que edições novas são essas de Conan e Sonja? :D

    Alias, não sei se você já ouviu falar, mas procure um quadrinho chamado Crônicas de Lankhmar. É fantasia estilo hiboriana com uma pitada de Discworld e Waterdeep/Valkaria/máfia, desenhada por Mike Mignola. :P

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  5. Sei lá, acho o enredo e argumentos bem importantes, o Pacific Rim é foda sim, ele cumpre seu papel de entretenimento, de ação e efeitos especiais, mas para ser o melhor do ano, tá longe, ainda achei o Thor 2 melhor do que ele. rs

    Outros filmes que gostei e recomendo foram Invocação do Mal (foda), Jogos Vorazes em Chamas (bom, mas não é melhor do que o primeiro) e o Gravidade (muito foda)

    Agents of Shield, parei no 4ª episódio, não consegui levar adiante a Malhação da Marvel.

    As edições de Conan O Bárbaro da Dark Horse, lançadas no início de 2012, e tem outras mais recentes, especiais. E da Red Sonja, são do ano passado, publicadas pela Dynamite. Posso passar links aqui ou prefere pelo FB?

    Sim, conheço, já li os quadrinhos de Lankhmar. Inclusive, esqueci de dizer que também comecei a ler Hawks of Outremer, quadrinho baseado no conto de 1931 do Robert E. Howard.

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  6. Bom, pra mim foi o melhor do ano porque é o que mais cumpriu seu papel (tanto que foi o que mais saí do cinema empolgado, e assistir várias vezes). Mas também preciso lembrar de outros filmes que não me vem à memória agora (Django Livre, por exemplo, é perfeito; mas como é Tarantino, não é surpresa eu ter gostado tanto :P).

    Gravidade vou ver esse fim de semana, mas já sei que é bem tenso.

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  7. Realmente, li Companhia Negra graças a seu post antigo, e me surpreendi. Apesar de que senti falta de um mapa, coisa que acho no mínimo especial e essencial em qualquer tipo de história que não se passa em uma Terra (coisa de maluco aficcionado por mapas e cartografia).
    Dan, já leu o Poder da Espada, do Joe Abercrombie? Dizem que é muito bom o livro, violento e no estilo de dark fantasy.

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  8. Pois é Henrique, eu também acho que um mapa é indispensável em qualquer literatura de fantasia. Como no livro d'A Companhia não veio (não sei se só da edição brasileira), eu tive que sair atrás de mapa na net.

    Não conheço esse livro de Abercrombie, vou correr atrás. Valeu a indicação!

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