D&D, esse quarentão

Neste domingo o Dungeons & Dragons completou 40 anos. Dez anos antes de eu nascer, foi inventado a partir dos wargames o RPG mais famoso e importante de todos. Obviamente você o conhece e já jogou ao menos uma vez; a maioria jogou por muitos anos. Eu já estava escrevendo sobre isso, e inspirado pelo post do JM Trevisan, terminei.

Ainda hoje me lembro do cara que me apresentou ao jogo, e ao RPG em si, em 1995. Um colega de classe chamado Mateus tinha acabado de voltar das férias na Europa, e trazido um certo livro vermelho de Portugal. Nos chamou para jogar nos intervalos, e fizemos lá nossos personagens. Alguns meses depois, jogávamos no meio da aula e não muito raramente tínhamos os apetrechos de jogo confiscados pelos professores. Na época o jogo era maluco, uma mistureba de Caverna do Dragão, Shadows Over Mystara e Tower of Doom (que tinha em todo fliperama daqui) e outros games, como Resident Evil. Mas era massa demais.

Dois anos depois, mudei de colégio e perdi o contato do pessoal. Encontrei uma tal Dragão Brasil nas bancas que frequentava diariamente (eu andava em bancas de revistas que nem um maníaco até um dia desses), e mantive o contato com o jogo só lendo. Em 99, no começo do ensino médio, dois caras da minha classe jogavam. Que beleza!

O mestre, Azuil, me apresentou o AD&D, em um mundo próprio dele. Jogávamos em aulas vagas, e em greves, e no turno oposto ao horário de aulas, nos fins de semana, no meio de aulas que a gente não queria assistir, ou dentro dessas aulas… Desse cenário passamos para o primeiro Tormenta, com umas cinco cidades e um monte de terra não detalhada, e chegamos a nos aventurar em Forgotten Realms.

Logo depois, comecei a mestrar AD&D pros meus irmãos Rafael, Gabriel e meu primo Jairo. Eles foram meio que meu “laboratório” como mestre, já que eram família e eu não ia passar vergonha com histórias toscas (afinal, compartilhávamos mais ou menos as mesmas tosqueiras; pensamento de adolescente é foda).

Dois dos personagens dessa campanha

Mas logo iniciei minha campanha mais longa, ainda em AD&D, que durou uns doze anos. Conheci muitos dos meus amigos no Clube de RPG que fundamos no Cefet (onde cursei ensino médio), assim como minha esposa Elisa. Nesse ritmo formamos os grupos que temos até hoje, com ela, meu irmão e uma parte dos amigos (Diego, Megaron, Jairo…).

Veio a terceira edição, e a 3.5, e a quarta (que não ficou muito tempo). A cabeça mudou, nosso estilo de jogo também, e finalmente paramos de jogar D&D. Mas foram muitas e muitas campanhas jogadas, muitos acertos críticos e cenas épicas, de dragão sendo morto com a lança do halfling e planos malucos para derrubar monstros (com um laço e um cavalo, por exemplo) até trapalhadas incríveis e cenas de dança em tavernas.

Joguei pouco em comparação ao tanto que narrei, mas meu velho guerreiro caolho e trapalhão William, minha maga elfa superchata Anabelle, meu clérigo gordinho boa-praça Meribald, meu clérigo anão da guerra apelão e líder Knolan e meu mago elfo narcisista e egocêntrico Kenildor vão me acompanhar, dentro do coração, para o túmulo.

Apesar de estar na crise dos 40 anos (sacaram? A 4E e tal :P), o D&D é extremamente importante para a minha história e a de muita gente no mundo. Eu não jogo mais, e muita gente se apressa em esculhambar o sistema e o modo tradicional de jogar dele, mas é inegável o respeito que esse sistema merece. Até mesmo a edição que eu não gosto, afinal, se não fosse ela, nós não teríamos o Old Dragon. :D

3 comentários em “D&D, esse quarentão

  1. E com ladrões a espreita em cada árvore querendo nossos míseros P.O.s. Ou então com áreas de magia caótica que transformam tesouros escondidos em milagrosos “pés de P.O.”

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