Investindo no visual do seu personagem

O quanto vocês se preocupam com o visual dos seus personagens? Digo, não como ele se parece no geral, ou o estilo dos itens mágicos invocados dele. Mas detalhes, coisas que vão além de pegar uma imagem qualquer na internet. Uma tatuagem diferente, o estilo do cabelo, os detalhes da armadura.

Ok, parece coisa de desenhista. Mas já conheci um ou outro jogador bastante preocupado com a aparência do personagem, e em como ela muda ao decorrer do jogo. A queridinha nerd Felicia Day, por exemplo, se preocupa tanto com isso que até no episódio do Tabletop de Munchkin ela fica viajando na elfa ladra com armadura de couro e tudo mais.

Eu sempre pensei nisso em relação aos meus personagens. Lembro de um guerreiro que tinha que, chegando num nível mais respeitável e tendo mais um ourinho na bolsa, mandou fazer uma fivela toda trabalhada, daquelas que você vê nas ilustras de Clyde Caldwell.

A aparência geral do personagem diz muito sobre sua origem. Não só a etnia, mas os adereços e acessórios de cada civilização são distintos, tanto que vários concepts de personagens de jogos (procure ver os do D&D Next) mostram os acessórios de seu povo.

A fantasia clássica em geral já trata disso com raças: cota de malha élfica, roupas de elfos puxadas para tons pasteis e “florestais”, anões e seus apetrechos de linhas retas, tapeçarias e roupas drows (de Forgotten Realms) cheias de referência a aranhas, etc. Se olharmos mais atentamente mídias mais recentes como Game of Thrones e Dragon Age, dá pra notar as diferenças de adereços, roupas e etnias.

Dragon Age, aliás, é um dos RPGs novos onde você pode viajar no visual do personagem ao criá-lo (o Inquisition, que está para sair, mais ainda). Antigamente tinha aquele Hero Lab (se não me engano o nome é esse), que quebrava um galho para o RPG de mesa. A Wizards prometeu um criador (principalmente de visual) de personagens na época da 4E, mas não sei se rolou.

Ao longo do jogo, naturalmente o personagem vai mudando de roupas e equipamentos, e isso é ainda mais legal, porque a mistura de estilos vai tornando notável que o personagem é experiente, além daquela típica cara cansada (em um quadrinho do Conan, uma mulher olha pra ele e diz: “você tem um semblante de quem já viu muita coisa”).

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Tem duas excelentes histórias que exemplificam como o visual do personagem mostra o que ele viveu: a tirinha enorme My Hero, de Matt Rhodes, e a animação The Reward – ambas histórias emocionantes, por sinal.

Pois é, eu fico com essas pirações. Antigamente (quando eu tinha tempo), fazia desenhos dos personagens das minhas campanhas comparando aqueles que começaram o jogo com o visual que tinham no fim da campanha ou no momento atual, experientes. É o legal, aliás, na evolução dos personagens em jogos de RPG: se você compara, vai ter duas pessoas completamente diferentes.

Meus jogadores mais preocupados com isso sempre iam atrás de transformar couro de dragão em roupa ou parte da armadura, presa de algum bicho em punhal ou adereço, derreter algo como a arma do inimigo para fazer bracelete ou alguma outra coisa, entre outras coisas estéticas que acabam possuindo alto valor sentimental.

Edit: A druidisa celta da patroa Elisa em uma campanha antiga nossa toda vez que matava uma bruxa, pegava uma garra dela (bruxa de D&D, monstrenga) e fazia um anel, acabou com a mão cheia de aneis de garras de bruxa! Quando queria assustar alguém, era um dos adereços que colocava (bem inspirada nas crônicas arturianas do Cornwell!).

Além de tudo, itens e visuais “personalizados” tornam-se uma assinatura pessoal do personagem. Aquela notável garota com a tatuagem de dragão nas costas, o vilão com seus longos cabelos brancos, o anti-herói que esconde o rosto atrás de uma máscara, o notável cinturão mágico da rainha, a mão de pedra do garoto do inferno… Até mesmo tesouros pilhados podem se tornar assinaturas, como a inconfundível espada de fogo do guerreiro de uma campanha nossa.

Enfim, parece perfurmaria ou preciosismo, mas por aqui temos essa ideia. Investir na estética do personagem – especialmente em jogo – é uma forma de torná-lo memorável.

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11 comentários em “Investindo no visual do seu personagem

  1. Eu gosto demais desse tipo de “perfumaria”. Adoro esses pequenos detalhes, que o digam os olhos de Noelle, o bracelete de casamento de Aillah e seu colar de dentes e anéis de garras de bruxas, ou a aliança de Mal. ;)

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  2. Eu adoro essa parte de construção visual dos personagens, inclusive porque eu desenho bastante personagens de RPG (só por hobby, nada de mais). Na campanha de D&D 4e que fiz eu devo ter feito mais de 100 desenhos, de PCs a NPCs diversos, fora anexos de outras campanhas. Mas tenho por aqui desenhos da elfa avenger que fiz pra uma mesa online de D&D 4e que joguei do nível 1 ao 7 quase pro 8.

    http://i103.photobucket.com/albums/m122/Youkai_X/elfaavenger001.jpg
    Era assim a Salie no primeiro nível, ainda bem simples. Notem que por baixo do curto vestido/camiseta larga, ela usa leggings. Era pra ser toda a vestimenta cinza fosca e o cabelo dela negro. A arma é uma execution axe que com feat posso usar, e tomei essa licença poética no visual de pêndulo.

    http://i103.photobucket.com/albums/m122/Youkai_X/SalieAliranArgentea002.jpg
    Aqui ela no segundo nível, já com alguns ferimentos e cortes na roupa, uma disposição diferente dos itens, uma capa e um cinto mágico que ela adquiriu em missões.

    http://i103.photobucket.com/albums/m122/Youkai_X/Salieapaisana001.jpg
    Aqui a Salie com alguma roupa que cubra um pouco mais o corpo e esconda o dificilimo de esconder machado gigante, fazendo parecer que é apenas um grande fardo de aspecto bem estranho. (imagino que nas suas mesas eu teria arranjado bastante problemas com issoXD)

    http://i103.photobucket.com/albums/m122/Youkai_X/Salienivel3002.jpg
    Aqui a Salie no nível 3, já sem itens mágicos novos, só roupa mudando de visual, mas ainda assim talvez a arma tenha se encantado com algum poder mágico, eu teria que verificar.

    http://i103.photobucket.com/albums/m122/Youkai_X/Salie004.jpg
    Agora sim com upgrades extras de itens mágicos. Agora sim o machado chaelal fora encantado magicamente (dá pra ver pelos desenhos novos na lâmina do machado), adquiriu um par de braceletes mágicos e uma gema mágica que ela adornou como gargantilha. A roupa novamente ficou em farrapos depois de muita luta, com prendedores com presas, costuras nos rasgos da calça, etc.

    http://i103.photobucket.com/albums/m122/Youkai_X/saliefestadegala001.jpg
    Num momento da aventura, houve um evento de gala e ela buscou usar um vestido com o qual não ficou muito confortável. Olhando agora, tá longe de ser um vestido adequadamente medieval ou mesmo iluminista, pois a mesa apesar de ser D&D, tinha alguns aspectos visuais meio século XVII-XVIII, mas só de leve

    http://i103.photobucket.com/albums/m122/Youkai_X/salie006.jpg
    Após um hiato no nivel 5 de desenhos, ela ganhou alguns upgrades no nivel 6. Deixou as tranças pra trás e passou a usar a parte maior do cabelo solta, dando esse visual diferente. O item mágico novo é a echarpe, que inclusive a ajudou a fugir de uma armadilha de drows envenenadores pulando de uma janela para o chao alguns metros abaixo. Esse item + resultado bom em acrobacia a impediram de levar dano de queda e a fez fugir logo enquanto infelizmente o resto do grupo foi preso pelos drows ao desmaiaram envenenados.

    Eu tenho um desenho dela no final da campanha, quando ela tinha adquirido a bênção/maldição de virar uma morta viva devido ao poder de um artefato que ela usou na parte final da campanha, com machado com poder congelante, cabelo maior e algumas outras mudanças visuais. Acho que esse foi meu melhor exemplo de PC com mudanças visuais, visto que foi uma campanha de mais de um anos de jogo, a despeito de algumas pausas breves. Foi bem legal jogar com essa personagem e certamente ela era polêmica por sua quase malignidade e atos extremos em algumas cenas ou seu modo brutal de lutar como “assassina da igreja dos elfos”.

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  3. Sim, ela criou bastante vida como personagem e foi a personagem de mesa de D&D (das poucas que joguei) que mais gostei. Foi uma ótima experiência em mesa, mesmo com as limitações de mesa online.

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  4. Faço questão de sempre me preocupar com o visual dos personagens, mesmo os menores. Sempre que posso desenho eles.
    Zelo pelo capricho na personalização total do personagem e quando um jogador consegue unir caracterização, histórico e atuação certamente ganha vários pontos comigo. Confesso que acabo até favorecendo mais esses jogadores :p

    Saudações,
    Ace Barros
    Capitão do drakkar Interlúdio, navegando pelo Multiverso X
    multiversox.com.br

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