De volta outra vez

É tempo de tentar, mais uma vez, voltar com meu blog, agora no WordPress (de volta), com visual novo. Novamente vou tentar manter os posts aqui rápidos, pessoais e descompromissados (duvido que consiga, mas não espere muito profissionalismo).

Ironicamente, enquanto escrevo isto, estou preparando jogo pra voltar (amanhã) com minha campanha Canção Escarlate, que reportei toda aqui, inicialmente com um interlúdio e em seguida uma passagem de tempo para o segundo arco, onde ela vai se chamar Guerra Esmeralda.

Mas o foco do post é outro. Falando em voltar, vocês costumam revisitar as coisas das suas campanhas? Trazem de volta locais, NPCs, e até mesmo velhos acontecimentos? Eu faço bastante.

Quer dizer, dá um trabalho danado preparar material de jogo, e é triste ter que usar uma só vez. Quando não tem jeito ok, afinal temos que praticar o desapego (especialmente como NPCs, nada mais irritante que antagonistas imortais), mas quando dá é uma beleza.

Por exemplo, todo mundo de fantasia tem aquela metrópole central (Kirkwall, Waterdeep, Valkaria, Sharn, Stormwind…). Quase sempre essas cidades tem livros inteiros cheios de detalhes, fora os que você cria, e você quer usar bastante coisa. Eu recheei tanto minha Kirkwall que volta e meia alguém acaba lá (fora as duas campanhas solo que tenho com a esposa, que se passam na cidade).

NPCs bacanas que você (e às vezes os jogadores) detalhou mas só apareceram uma vez, podem voltar ou até ser recorrentes, por que não? Tem um arquimago elfo que sempre aparece nas minhas campanhas, de um jeito ou de outro, que os jogadores mais antigos gostam muito. Ele dá algumas mãozinhas sem desprotagonizar ninguém (escrevi aqui como lidar com NPCs poderosos direitinho).

Aquela dungeon, aventura ou campanha reciclada em eventos, ou em várias mesas (acontece muito com nosso Forte das Terras Marginais e as campanhas de D&D 5E, o que mais vejo é DM que faz isso). Além de você poder revisitar o que gosta (ou deu trabalho criar), ainda pode saber como diferentes grupos reagem e lidam com as situações.

Outra coisa bacana é revisitar um local ou personagem da campanha para evidenciar a passagem do tempo e/ou as alterações ambientais dos jogadores. Uma local ou povo que os PJs salvaram ou ajudaram pode ter prosperado (ou caído novamente em desgraça, em jogos mais niilistas), um aliado pode reaparecer com um problema ou uma ajuda inesperada, ou um inimigo (ou ente querido dele) buscar vingança. Esse assunto é bem melhor aprofundado nesse post.

Uma técnica muito boa, mas um tanto complicada, é “botar o plot pra dormir”. Você mestra alguns acontecimentos, os jogadores resolvem tudo e partem pra outras aventuras. Passa-se algum tempo, e aquele velho assunto volta. Algumas narrativas usam o recurso do foreshadowing, quando você dá alguma pista inicial do que vai rolar (como um cartaz de procurado, ou alguém comentando a situação de um lugar) e depois insere a aventura. É muito bacana, e prometo me aprofundar nisso noutro post.

De qualquer forma, o pulo do gato é sacar o ânimo dos jogadores; se eles começarem a achar a coisa sacal, é hora de tirar de cena. Como li em alguma Dragão Brasil (que está voltando! :P), nada pior que um vilão que os jogadores deixam de dizer “oh não, ele voltou” para perguntar “oh não, você de novo?”. Como eu sempre digo, o ideal é o equilíbrio.

A propósito: se acha que vai esbarrar na falta de memória dos jogadores, leia esse post aqui.

E aí, tenho leitores ainda? Vocês revisitam coisas nas campanhas? Diz aí.

7 comentários em “De volta outra vez

  1. Rapaz, faz algum tempo que não narro campanhas nesse sentido. A última foi uma de call of cthulhu que durou um ano e meio. Ela teve um pouco disso, de revistar pessoas e lugares, e até mesmo plots.

    Essa semana vou começar uma de numenera e acho que vou usar bastante esse recurso.

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  2. Eu costumava fazer revisitar personagens e lugares muitas vezes, mas com o tempo passando (e ficando mais escasso) fui perdendo o hábito.

    É algo que sempre me dá vontade de voltar a fazer.

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  3. Que bom que voltou, tinha vindo aqui outra hora procurar O Corvo de Turan e me perguntava se um dia haveria novidades.

    Na minha campanha de OD, usei o irmão de um dos personagens, que era o líder de um exército mercenário, como inimigo recorrente. Seu nome estava em todos os lugares e a menção aumentava, mas eles nunca o tinham encontrado até o momento decisivo da batalha.

    Outros NPCs e facções iam e vinham, e a maioria eles gostavam de rever, mesmo os que amavam odiar, como a guilda adversária deles, Os Filhos de Kelvin, que faziam as quests que eles acabavam ignorando e por vezes eram contratados para eliminá-los ou disputar alguma coisa.

    Na corrida para terminar a campanha, os Filhos de Kelvin acabaram ficando de lado após a expedição às cavernas do Forte das Terras Marginais (onde se aliaram ao grupo para desbravar as cavernas e ficaram MUITO machucados), nunca explicaram seu nome, mas isso acabou fazendo parte do charme.

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    1. Ironicamente em uma campanha aqui o irmão de um dos personagens (o grupo também é uma companhia mercenária) é um dos generais mercenários das forças que estão tentando tomar o trono, hehe.

      Muito bom aquela sensação de que os jogadores estão revendo algo né? Especialmente quando eles lembram, e fazem “caraaaaca”

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