Meu Old Dragon Day ’16

Neste domingo aconteceu o Old Dragon Day, o evento anual onde o Brasil todo joga uma aventura comemorativa do nosso querido OD. Em 2015 não consegui mestrar, mas esse ano me comprometi a rolar uma mesa de todo jeito. E foi sensacional, o mais divertido desde o começo, sucesso de crítica e público!

A aventura oficial foi a Maldição da Garra da Mantícora. Ela se passa em Thordezilhas: Sabres e Caravelas, cenário sensacional de capa & espada de Luiz Claudio Gonçalves, que a Redbox lançará no início de 2017. Trama de pirataria e horror, com personagens apropriados. O mote é, basicamente: aventureiros precisam investigar um navio encalhado e assombrado por uma maldição, que pode ser encerrada apenas se eles derem descanso ao fantasma de uma cigana.

Clique aqui para baixar a aventura e aqui para baixar os seis personagens prontos, até pra ter uma ideia de quem é quem no reporte da minha mesa.

Por aqui dois dos jogadores furaram, então os dois dos três restantes pegaram dois personagens cada um: meu irmão Rafael pegou Anike e Flint, meu outro irmão Gabriel pegou Allister, nosso amigo Megaron ficou com Burton e Queni e eu interpretei Marinka (embora todos tomassem as decisões por ela). Os seis heróis em jogo!

O jogo foi muito divertido, cheio de cenas dramáticas e mortes poéticas – a aventura escrita por Rafael Beltrame, Thiago Righetti e por mim acabou se revelando bem mortal, hehe -, com algumas escolhas morais interessantes no final. Melhor ainda que vou aproveitar o plot para encaixar no arco seguinte da minha campanha Canção Escarlate que está voltando, apenas trocando dois dos personagens por Karsus (Flint) e Javier (Queni), e deixando Anike e Marinka humanas e Burton hobbit.

No geral, fiquei muito feliz de ter dado tudo certo e todo mundo ter curtido a aventura e o cenário, que é mesmo muito bom.

Burton, Flint, Anike, Marinka, Queni e Allister
Burton, Flint, Anike, Marinka, Queni e Allister

Fique aí com o relato da minha mesa abaixo.

A partir de agora, spoilers!

A aventura começou com uma rápida explicação da história da Donzela Carmesim, capitaneado por um casal, a espadachim Rakhan e a cigana feiticeira Lorana. Quando Rakhan descobriu que Lorana estava para fugir com o contramestre (um belo rapaz chamado Uthren) levando o tesouro das duas, os prendeu e torturou. A feiticeira amaldiçoou a todos em seu último suspiro, e Uthren fugiu enquanto os marinheiros e a capitã Rakhan sofriam uma transformação horrenda.

Uthren, o contramestre
Uthren, o contramestre

O próprio contramestre Uthren, cheio de cicatrizes e com o braço esquerdo decepado, contou a história em uma taverna de um porto qualquer. Logo narrei o grupo navegando com ele para acabar com a maldição e ficar com o tesouro, porque ele queria apenas a libertação do fantasma de sua amante Lorana. Eles então chegaram à Garra da Mantícora, um afloramento de rochas marítimas coberto de uma névoa sobrenatural (da maldição) e cheio de naufrágios na paisagem.

Após alguns lampejos de roleplay, com os jogadores conhecendo e se acostumando aos personagens enquanto conversavam entre si, narrei os barulhos estranhos e o escaler com quatro esqueletos apareceu. Como eles não prestaram atenção quando falei da arca no bote, tocaram fogo achando que era uma armadilha da fantasma! Ainda bem que era mesmo, haha.

Chegando ao Donzela, usaram cordas pra chegar ao convés de popa e foram caindo um a um na ilusão dos vermes (JP Sab pra um bando de malucos de Sab 08 ¯\_(ツ)_/¯), eu instigando todos a deixar a cena bem dramática. Burton pulou na água, Allister e Marinka “acordaram” os demais, e a sereiana nocauteou o puck para salvá-lo.

Logo depois foi o combate com os zumbis dos cordames. Foi uma luta espetacular, com Anike cortando uma corda em pêndulo pra pegar impulso e ficar balançando nas cordas (estilo Assassin’s Creed), Burton saltando de corda em corda, muitos tiros e golpes de espada. Eu deixei apenas um turno de tempo de recarga das armas de fogo, e funcionou muito bem. Como eram só três monstros, não foi tão difícil (embora o dreno de Con seja bem forte). Aqui, Marinka tentou usar Afastar Mortos-Vivos e ficou nervosa ao notar que a maldição jamais permitiria.

Após dar uma olhada no mastro com as marcas da tortura do casal, o grupo lembrou de Uthren dizer que o tesouro estava no deque inferior, mas decidiram explorar tudo para evitar ser surpreendidos por trás. Foram então aos dormitórios, onde atearam fogo nos ratos (que causaram bastante dano em Anike, que gastou sua poção de cura). Allister se irritou com o grupo discutindo loot e rolou uma pequena discussão, eu só com a pipoca na mão. :D

O conflito seguinte, contra o marinheiro cego, foi espetacular. Na cabine apertada, Burton usou a rede para prender a cabeça e torso do zumbi, que ficou tentando levantar e atacar enquanto os outros, desesperados, o atacavam. Foi uma cena tensa. A pistola ficou com Allister, e o puck pegou o sabre para si.

No porão escuro, Allister ia jogar luz, mas os zumbis o pegaram antes. Anike se jogou para salvá-lo e também foi nocauteada, e Marinka clareou tudo lançando luz no mangual. Queni e Burton saíram pulando em pilhas de caixotes e as derrubando nos zumbis, matando mais que espadas e bacamartes, e no fim eles venceram. Poções e magias de cura foram gastas aqui, e a varinha de Allister explodiu bem no momento mais crítico, nocauteando o mago.

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Em seguida eles se dividiram. Burton amarrou uma corda na cintura (Anike ficou segurando) e foi explorar o deque submerso com Marinka, enquanto o resto explorava as outras câmaras. Fiquei administrando aqui turno a turno; na água, o puck e a sereiana encontraram tesouros e zumbis; Flint viu seu reflexo morrer no espelho, Queni não conseguiu impedir o laboratório de quebrar na despensa e o anão ainda tomou um dreno de 8 na Constituição na caveira do barril! Como dreno só cura com regeneração, ouvi aqui o que eles sempre dizem quando a gente joga OD (“aqui é no hard, Hard Dragon”) :P

Lá na água, o jogador rolou zumbi duas vezes seguidas, e depois de Marinka tomar um dreno, decidiu que era hora de voltar. Anike começou a puxar, e como eu decidi que eles tinham nadado 12m, determinei dois turnos com os dois na mesma velocidade (Burton sendo puxado). Testes resistidos de Força ou Destreza para a perseguição, e Marinka foi mal.

Nesse momento, o zumbi rolou DOIS CRÍTICOS SEGUIDOS na clériga. Burton a viu ficando para trás, sendo agarrada pelos monstros, enquanto o mangual foi caindo, a luz apagando… Foi uma morte bem dramática, e o puck ficou um tempo chorando (o jogador ficou bem bolado).

Enquanto isso, na cabine de Rakhan, os personagens viram a provável ossada da capitã e o fantasma de Lorana se materializou e lhes indagou seus propósitos ali. Queni disse na lata que estavam lá para desfazer a maldição a mando de Uthren; a cigana então revelou que aquela ossada era a de Uthren (e todo mundo ficou desconfiado) e disse que contaria sua história depois de meter 18 de dano (e 2 na Força), derrubando a elfa! Desfalcados, Flint, Anike e Allister resolveram conversar.

(Vale dizer aqui que, como eu já vira algumas pessoas dizerem que a aventura estava bem mortal, fraquejei e deixei uma poção de cura moderada entre os tesouros da cabine de Rakhan, e eles salvaram Queni da morte assim.)

Lorana então disse que após Rakhan vingar sua irmã matando seu inimigo bruxo do mar, ficou cada vez mais controladora, cruel e insaciável de sangue e rum. A cigana e o contramestre Uthren se apaixonaram e Rakhan descobriu, torturando os dois e matando Uthren na frente dela. Quando Lorana proferiu a maldição, Rakhan fugiu.

Lorana
Lorana

Os jogadores deduziram o resto quando eu narrei que eles viam um quadro de Rakhan na parede, uma mulher idêntica ao sujeito que eles acharam que era Uthren! Na verdade, era a capitã vestida de homem, fingindo ser o contramestre! Ela mentira sobre a traição, sobre as cicatrizes, e só os deuses sabem porque seu braço fora decepado.

Depois dessa reviravolta maluca (romances de pirataria, quanto mais doidos e rocambolescos melhor!) e da cigana dizer que queria ver Rakhan morta, os aventureiros juraram fazê-lo. Encontraram Anike e Burton arrasados e fugiram dos zumbis que saíram da água, barrando o porão com os barriletes de rum do dormitório, e saltaram para o barco pequeno que os trouxe ali… com o convés estranhamente vazio.

Ao pisar na escuna menor, os aventureiros viram o sangue no chão e Rakhan saindo de uma cabine, com o único braço inchando e o corpo todo sofrendo a maldição e já meio monstruosa, rosnando que eles haviam demorado demais e atacando com seu sabre mágico! A espadachim também fora amaldiçoada, mas ao fugir conseguira retardar os efeitos. Achava estar salva, mas a praga estava agindo – por isso ela decepara o braço – e agora, ao voltar, Rakhan inadvertidamente retomara o processo de metamorfose.

Foi um combate bem difícil, como esperado. Quando a coisa parecia pender para os jogadores, Rakhan completou a metamorfose e começou a dar pancadas com dano cavalar. A primeira foi um 20 em Allister – a monstra rasgou a garganta do pobre mago, que já tinha poucos pontos de vida, e o mandou para a terra dos pés-juntos. Outra pancada levou Anike ao chão, e Allister levantou como zumbi e nocauteou Burton. Nesse momento, após vários ataques errados, Queni conseguiu se aproximar e dar um tiro furtivo na capitã, acabando com ela para sempre!

Com muitos vivas autênticos dos jogadores, narrei o Donzela Carmesim finalmente naufragando, o espírito da feiticeira cigana Lorana sendo liberto e a névoa sobrenatural se dispersando. Infelizmente, Queni não conseguiu estabilizar Burton e ele morreu, mas Flint e Anike foram salvos. Eles partiram, as mulheres pensando nas próximas aventuras e o anão animado para finalmente construir sua taverna. Afinal, eles tinham acumulado bastante dinheiro ali, embora o tal tesouro da capitãs Rakhan e Lorana agora jazia eternamente no fundo do mar…

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