Guardiões da Galáxia

Já faz mais de uma semana que Starlord e sua turma de desajustados levaram todo mundo à loucura. Foi uma semana bem corrida pra mim, mas é quase uma obrigação falar sobre este filme.

A trama: Peter Quill (Chris Pratt), saqueador espacial, rouba uma estranha orbe em um planeta esquecido e acaba descobrindo que todo mundo a quer, incluindo o terrível vilão Ronan O Acusador (Lee Pace). Após um monte de eventos malucos, forma-se um grupo disfuncional de foras-da-lei para agir como heróis e salvar o universo desse terrorista superpoderoso.

É um verdadeiro feito da Marvel Studios pegar um grupo de heróis pouco conhecido da famigerada parte cósmica de seu universo e transformar num filme sensacional. Eu mesmo nem os conhecia, e quando começaram as notícias torci o nariz e nem dei bola.

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True Detective, que série fantástica

Esses dias tenho falado lá no Facebook de uma série excelente da HBO que eu e minha esposa Elisa acompanhamos, True Detective. Cada episódio é uma porrada de te deixar arrepiado.

Nic Pizzolatto (roteiro e argumento) e Cary Fukunaga (direção) não são nomes muito conhecidos, mas trouxeram uma produção para bater fácil de frente com as melhores séries da emissora (sim, incluindo Sopranos :P).

True Detective parte de uma premissa conhecida: dois policiais investigando um crime estranho e ritualístico, algo como Seven ou O Colecionador de Ossos. São parceiros e possuem problemas de relacionamento, sendo um durão e família e o outro esquisitão e genial.

Mas isto é apenas a superfície das águas negras e profundas de uma história muito bem amarrada, densa e niilista, cheia de pequenos e sutis elementos que te deixam de cabelo em pé.

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Coraline e o livro secreto

coralineEsses dias tive a oportunidade de ler Coraline, de Neil Gaiman (emprestado pela cunhada Bia). Eu só tinha visto o filme, e gostado demais dele. Mas não sabia que o livro poderia ser tão mais bacana.

Como você provavelmente já sabe, Coraline é um passeio pela literatura infantil do grande Gaiman (se nunca leu um livro dele, corra logo). Na verdade, é uma história de “horror infantil”, que eu só vou deixar minha Helena ler quando estiver maiorzinha.

O escritor quis mexer com as historinhas tradicionais, e assim nasceu este maravilhoso livro, que você devora rapidamente do começo ao fim com uns bons calafrios.

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O Pistoleiro (A Torre Negra) e meu preconceito literário

Tenho sérios problemas com livros de autores iniciantes – detesto notar que um escritor está tentando me impressionar a todo momento com um vocabulário desnecessariamente rico e descrições excessivamente “poéticas”. Com o tempo vai-se aprendendo a escrever textos mais sucintos, ou passagens poéticas/ impressionantes com palavras bem escolhidas e apropriadas.

A questão é que há alguns anos atrás, eu não sabia que O Pistoleiro tinha sido escrito por um Stephen King de dezenove anos, cheio da arrogância e “afoitismo” comum a novos escritores. Daí, li só 20% do livro e joguei de lado, achando uma bosta. O tempo passou, li outros autores novatos cheios de hype e pretensiosos (Christopher Paolini e Patrick Rothfuss, por exemplo) que me desagradaram pra caramba.

Eis que há umas semanas meu irmão Rafael (que posta aqui de vez em quando) se apaixonou pelas aventuras de Roland Deschain, comprou todos os livros e insistiu pra que eu deixasse de preconceito e lesse ao menos o primeiro, me contando que era o primeiro livro do King, que tinha suas besteiras mas que no fim das contas era uma ótima história.

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Homem de Ferro 3

E aí, pessoal. Não posto nada há dias porque passei umas raivas e estou sem inspiração para o blog (depois posto sobre isso), mas aqui estou tentando retomar o que curto escrever. E aqui minha opinião sobre o filme de quadrinhos do momento.
Apesar do Homem de Ferro ter se tornado bem mais popular depois do primeiro filme, em 2008, sempre foi um dos meus super-heróis favoritos, junto com Homem-Aranha, Gambit, Wolverine e Batman. Aliás, eu (e um monte de gente) sempre achei ele o Batman da Marvel. Um gênio, playboy, milionário e sacana, mas no fim de tudo apenas um mecânico – é assim que Tony Stark se define no terceiro filme da franquia, que veio arrebentando depois do fantástico Vingadores e mostrando que ainda há espaço para os heróis solo da editora no cinema.
Uma das coisas mais legais sobre essa leva de filme da Marvel Studios, aliás, é a sinergia. Em Homem de Ferro 3, os acontecimentos de Vingadores fizeram diferença no mundo. Todos sabem que existem aliens, se referem a “Nova York” como um acontecimento histórico (e foi), e vamos Tony Stark com crises de pânico e muito medo de perder a única pessoa que aprendeu a amar (Pepper Potts). Veja: ele enfrentou terroristas e malucos, mas em Vingadores, se meteu com deuses nórdicos pandimensionais, experimentos malucos e alienígena, e em um evento onde centenas morreram, simplesmente teve que jogar uma ogiva nuclear em um portal para o espaço profundo, para impedir uma invasão alienígena em massa. É ou não é de pirar a cabeça de qualquer um?
Para piorar, problemas cada vez maiores batem à sua porta: o terror mais uma vez ataca a América na figura do Mandarin, o Governo resolve responder às ameaças com seu próprio herói de armadura (James Rhodes, usando a armadura Máquina de Guerra, rebatizada como Patriota de Ferro) e como sempre acaba refém das próprias ações, e Tony acaba sendo envolvido no contexto. O melhor desse enredo para mim é a coerência – terroristas, bombas, política e uma história sólida. O universo cinematográfico da Marvel é largamente inspirado no universo Ultimate dos quadrinhos, que me fez voltar a ler comics por ser bem mais coerente que o convencional.
Se Homem de Ferro 2 foi quase um passeio no parque (e um filme mediano, para mim), agora Tony Stark é tirado da sua zona de conforto. O Mandarin e o outro vilão, o cientista Aldrich Killian – alguém que foi sacaneado por Tony no passado – transformam sua vida num inferno, e ele passa boa parte da história fora da armadura, tendo que confiar na sua genialidade para escapar dos perigos e resolver os problemas. Ele está mais humano – e suas armaduras, destrutíveis – que nunca, lidando com uma tecnologia chamada Extremis, que transforma humanos em supersoldados com fator de cura, muita força e poder de esquentar as coisas (no pun intended).
Todos os atores estão muito bem em seus papeis aqui, de Rebeca Hall (Maya Hansen) a Jon Fraveau (Happy Hogan), mas o que mais curti foi Guy Pearce e seu teatral Aldrich Killian. É bem legal ver a evolução do relacionamento do casal Stark-Potts nesses filmes, da estabilidade problemática às preocupações um com o outro. E nada melhor do que a dinâmica de Tony com o moleque Harley Keener, ver que o herói ainda é um garotão que se troca com um pirralho é sensacional.
Quando fui assistir à segunda vez, um colega me disse que sentiu falta dos combates de armadura. Bem, eu já acho que este filme está mais movimentado, com uma enorme carga dramática (senti muita falta disso no 2) e tem todos os elementos na dose certa – tiroteios, cenas alucinantes (preste bem atenção na cena do avião, ela fará muito mais sentido se você entender o diálogo!) e humor, a marca do diretor Shane Black (Beijos e Tiros, um filmaço também com Robert Downey Jr.). Além disso, temos um desfile de armaduras no filme, um combate enorme e emocionante onde os fãs dos quadrinhos vão reconhecer diversos trajes de algumas fases do personagem, incluindo a Hulk Buster e aquela toscona dos anos 90 com ombreiras em “tiras”.
Algumas coisas no filme podem irritar, como o fato de ter poucas lutas de armadura. Tem uma coisa lá que frustra MUITA gente num primeiro momento, mas ao menos pra nós, faz todo sentido se considerada a proposta “Ultimate” dos filmes da Marvel. Senti falta de menções ao Capitão América e à Shield, em uma trama com eventos grandes e tudo mais. E o 3D eu não faço ideia (eu e a patroa não podemos mais ver filmes em 3D graças à enxaqueca dela), mas me disseram que não é bom. Mas estou pra ver até hoje um que seja!
Enfim, para mim Homem de Ferro 3 está no top do primeiro, e até agora é o herói da Marvel com os melhores filmes. A propósito, como todo filme da editora, espere para ver a cena pós-creditos. :)

Vikings, uma série sensacional

Up onto the overturned keel,

clamber, with a heart of steel,
cold is the ocean’s spray…
And your death is on its way,
with maidens you have had your way,
Each must die some day!
Sou completamente maluco por fantasia medieval e ficção histórica (especialmente idade média e época dos celtas, saxões e escandinavos). Devoro cada livro de Bernard Cornwell como se não houvesse amanhã (estou terminando Morte dos Reis, que ganhei de aniversário), e obviamente tenho uma porção de campanhas de fantasia. E aí me apareceu a History Channel, essa linda, com uma série que esperei mais que O Hobbit (é sério): Vikings.

Criada por Michael Hirst (The Tudors) para o History do Canadá, esta série canadense-irlandesa é filmada na Irlanda e inspirada nos contos sobre Ragnar Lothbrok, um dos heróis nórdicos mais famosos e um dos mais temidos vikings (ao menos para a França e Britânia). Ela retrata um Ragnar fazendeiro que arranja uma maneira de velejar para a Inglaterra/Britânia – quando todos os saques eram feitos no leste, e todo mundo achava que só tinha mar aberto para o oeste – junto com alguns companheiros, incluindo seu irmão Rollo (inspirado no personagem histórico que viria a ser o duque da Normandia) e sua esposa badass Lagertha, no barco construído pelo seu amigo Floki (que lembra muito um druida). 
Como a série não chegou nem perto de passar aqui no Brasil, muita gente ficou meio com um pé atrás com ela (até porque no nosso History chegam muitas séries de qualidade duvidosa), mas podem ficar tranquilos: é a melhor série histórica – sim, melhor que Roma – que eu já vi. É tão boa que devia ter apenas nove episódios, mas parece que a emissora já confirmou uma segunda temporada, com dez episódios, para 2014!
Os contos de Ragnar e outros chefes nórdicos são muito misturados com ficção e desencontrados, graças à tradição oral; basta ver a quantidade de versões de Beowulf, incluindo uma que considero bem acurada: Devoradores de Mortos um relatório compilado em livro por Michael Crichton. Assim, temos uma boa licença poética aqui, mas a história é extremamente respeitada no tocante aos costumes, figurino, cenários e crenças da época, e no geral traz eventos que realmente aconteceram, como a pilhagem ao monastério de Lindisfarne (se você acha que isso é spoiler, vai estudar), que iniciou a Era Viking.

Assim, temos um enredo muito consistente e uma continuidade muito boa – eles começam falando norse e depois falam um inglês com muito sotaque, pra gente entender que eles estão falando outro idioma. Quando nórdicos encontram saxões, vemos o choque de linguagens, entre outros detalhes muito bacanas. A violência, como não poderia deixar de ser, é brutal e verossímil, com uma carga de testosterona que leva qualquer fã do gênero à loucura. Nada é amenizado ou deturpado – escravos são usados, a intriga rola solta e ícones cristãos são depredados (sem julgamentos aqui). Vai por mim, quando você assistir a primeira parede de escudos, vai ficar gritando feito um doido. :)

Quanto aos personagens, só alegria. Ragnar (Travis Fimmel) é um sujeito forte, jovem, cínico e muito inteligente, e você vai percebendo isso à medida que a trama se desenrola. Rollo (Clive Standen), seu irmão, é o típico brutamontes que não quer ficar à sombra do herói, mas ainda é leal a ele. Lagertha (Katheryn Winnick, coisa linda!) é a esposa durona de Ragnar, que mostra logo que mulheres nórdicas defendem sua casa com unhas e dentes – ela é, também, uma grande shieldmaiden (e esta é sua alcunha). Floki (Gustaf Skarsgård) é um carpinteiro maluco de pedra, meio curandeiro, meio místico e meio ladino (olha o nome do rapaz, como parece o de um certo deus), que constrói o barco inovador que promete levar os nórdicos à Inglaterra. Por fim, temos o monge Athelstan (George Blagden), um personagem muito legal cuja importância só cresce; o Earl Haraldson (Gabriel Byrne), um conde que desde o início você sabe que será um safado – afinal, é normal aos escandinavos o que eles chamam de astúcia (safadeza) e o grande e fodão Erik (Vladimir Kulich), figurinha tarimbada viking e muuuuito moral na série.

Para finalizar, temos um elemento levemente sobrenatural na história, que ilustra todo o mito dos nórdicos (é quase impossível separar a mitologia da história desses povos; o filme Troia tentou e deu no que deu). Logo no começo do primeiro episódio, incluindo um seiðmann (uma espécie de feiticeiro) que faz profecias enigmáticas.

Além de tudo, a série tem uma grande abertura, com a sensacional música “If I Had a Heart” da sueca Fever Ray. E a trilha, nem se fala! Saca aí a abertura:

Pra mim, o único problema de Vikings é ter me deixado (e aos meus jogadores) empolgado demais e querendo rolar imediatamente uma campanha do tipo! Assim, fico lamentando que minha Dragões da Guerra encontrou um final abrupto porque os jogadores não davam certo jogando juntos.
Se você não conhece esta excelente série, corra atrás!