Um Halloween à brasileira

O Dia das Bruxas (ou Dia do Saci, aqui) surgiu entre os celtas, que associavam o início do ano e do inverno aos mortos. Eles acreditavam que durante a noite havia criaturas sobrenaturais à solta, e isto com o tempo virou uma festa de fantasias de monstros e mídias temáticas.

Não sou muito ufanista, mas também temos lendas bacanas. Elas são uma mistura de mitos indígenas, europeus e outros povos e – como toda lenda original – educavam crianças por meio do medo.

Nossa memória de folclore (folk lore) vem de Monteiro Lobato, e nós nerds achamos tosco ou infantil. Mas essas lendas não são palatáveis para o RPGista médio porque não parecem evocativas o suficiente para o nosso ideal – eurocêntrico – de fantasia.

Então, trago aqui as lendas originais com dicas para adaptá-las ou apenas deixá-las com “mais cara de RPG”.

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A máfia em jogos de fantasia

Esse negócio de guilda de ladrões sempre foi meio confuso nas mesas de jogo por aí. Guildas eram associações que regulamentavam um ofício. As de ladrões seriam sindicatos que os ajudariam (suborno da guarda, venda de mercadoria, etc) e organizariam a concorrência em troca de algo (geralmente porcentagem de lucros).

Quando comecei a querer um clima mais noir para jogos na metrópole do meu cenário, o livro Valkaria: Cidade Sob a Deusa, de Tormenta, me trouxe uma solução bacana. Na enorme cidade, o crime é controlado por grandes organizações criminosas, que controlam muitas outras atividades para manter seu grande poder.

Nada mais legal, então, do que pegar inspiração na vida real e filmes para compor antagonistas de ótimas histórias urbanas. Então, fui lá pesquisar sobre a máfia, a companhia criminosa que virou sinônimo de crime organizado, e cá estou para falar do assunto.

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Um gerador de aventuras genial

Pessoal, olha que ninja. O Eduardo Soares traduziu na lista de discussão da Redbox uma ideia fantástica do usuário Baldr12 do Reddit. Ele pegou Magic: The Gathering e criou algoritmos para gerar aventuras!

Esses enredos usam diversos tipos de cartas de Magic que, não sei se vocês sabem, são recheadas de material “roubável” (já usei muito :P).

Todo mundo se animou para espalhar a palavra (que não é Bird :P). Eis que outros usuários mexeram os pauzinhos e criaram um site recheado de aventuras instantâneas!

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Gancho de Aventura: O Corvo de Turan

Às vezes consigo preparar histórias do zero, e as menos ruins trago para cá na forma de ganchos, ou ao menos algo entre o gancho e a aventura completa. As minhas favoritas são urbanas, com a crueldade humana como antagonista. Como sempre, vou me referir à locações, personagens e situações usadas no meu jogo, facilmente adaptáveis a qualquer mesa.

Na noite fria, o vento soprava solitário pelas ruas escuras de terra preta da cidade, pelos caídos ébrios de tavernas ainda animadas, por cães e gatos vadios e, junto ao canto das cigarras, cabriolava na praça junto ao portão. No calçamento junto ao poço, jazia um homem cujos gorgolejos dissonavam com os sons noturnos, o pescoço degolado jorrando sangue por sobre as lajotas. Uma noite como qualquer outra… para morrer.

Esta história se passa na fronteira montanhosa entre dois reinos. Turan é uma pequena cidadela empoleirada nas montanhas, estratégica para o comércio entre os dois poderes, controlada por ambos. No meu cenário, um reino rico e mercantil (Antiva, inspirada em Itália, Espanha, Sembia e Darokin) e um de cavaleiros semi-bárbaros (minha Nevarra, mistura de Rohan, Dothrakis, ameríndios e andinos). Do lado antivano vem a oportunista casa Falsteri de Antiva (patriarca Marten, cujos filhos são o explosivo Daario, a fútil Janissa e o devasso Giderio) e do lado nevarrano a régia dinastia Turvaras de Nevarra (patriarca Guthlan, filho de Heruthain).

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Cenários de fantasia e suas inspirações

A ideia desse post surgiu quando há alguns anos, quando joguei uma aventura em um evento em Khubar, um reino de Tormenta. O narrador, Bob Mota, ficou surpreso quando mencionei que meus khubarianos eram inspirados nos maori e samoanos.

Hoje em dia é muito mais notável que autores de fantasia tomam referência em culturas, lugares e pessoas do nosso mundo para compor seus cenários. Porém, ainda existe muita gente que não atinou para este fato, ou nunca pensou em pesquisar e achar referências para apoiar seu cenário pessoal, ou mesmo achou que estaria “trapaceando” ao usar ideias do nosso mundo ao invés de “criar sua própria fantasia”.

Pensar em referências reais – e reconhecer essas inspirações nos cenários de fantasia – pode ajudar qualquer narrador a ambientar melhor suas histórias. Confira comigo no replay.

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Coraline e o livro secreto

coralineEsses dias tive a oportunidade de ler Coraline, de Neil Gaiman (emprestado pela cunhada Bia). Eu só tinha visto o filme, e gostado demais dele. Mas não sabia que o livro poderia ser tão mais bacana.

Como você provavelmente já sabe, Coraline é um passeio pela literatura infantil do grande Gaiman (se nunca leu um livro dele, corra logo). Na verdade, é uma história de “horror infantil”, que eu só vou deixar minha Helena ler quando estiver maiorzinha.

O escritor quis mexer com as historinhas tradicionais, e assim nasceu este maravilhoso livro, que você devora rapidamente do começo ao fim com uns bons calafrios.

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